Em uma região da Amazônia onde o debate econômico costuma girar em torno de grandes obras, exploração de madeira ou pecuária, uma pequena iniciativa em Altamira (PA) vem construindo outro tipo de narrativa.

A Ecoplante, fundada pela estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade do Estado do Pará (UEPA) Alessandra Mendes Moreira, nasceu de uma inquietação simples: o volume de papel descartado em uma região que já convive com fortes pressões ambientais.

“A ideia surgiu da necessidade de aproveitar papel descartado de maneira criativa. Eu queria que ele tivesse um novo significado, que não fosse apenas mais um resíduo”, conta Alessandra. “Foi assim que comecei a incorporar sementes à produção e transformar o papel em algo plantável.”

O resultado é um papel biodegradável que, depois de utilizado, pode ser plantado e dar origem a ervas, flores ou hortaliças. A proposta se conecta a uma tendência global: segundo relatório da consultoria Market Research Store, o mercado mundial de papel plantável foi estimado em US$ 964 milhões em 2023 e pode alcançar US$ 1,97 bilhão até 2032, com crescimento médio anual de 8,24%.

No Brasil, embora o nicho específico ainda seja pulverizado, dados da plataforma Econodata indicam que existem 206 empresas no setor de papel e produtos florestais com faturamento superior a R$ 4,8 milhões, o que mostra um ambiente competitivo em expansão.

Na Ecoplante, o produto que mais gera receita são crachás de papel-semente voltados para eventos corporativos e institucionais. “O crachá une identidade visual e sustentabilidade. Depois do evento, a pessoa pode plantar e acompanhar o crescimento da planta. Isso cria uma experiência”, explica Alessandra.

Os pedidos costumam variar entre R$150 e R$300, com predominância de clientes B2B, empresas, organizadores de eventos e instituições de ensino. “Não vendemos apenas um produto. Vendemos propósito, design e consciência”, afirma.

A produção continua 100% artesanal, realizada no quintal da casa da empreendedora, com capacidade de cerca de 2.500 unidades por mês. Para Alessandra, manter o processo manual também faz parte do posicionamento do negócio.

“A produção manual representa cuidado, identidade e baixo impacto ambiental. Podemos mecanizar parte do processo no futuro, mas sem perder o toque humano.”

Os números ainda são modestos – R$ 17 mil de faturamento em 2025 –, mas o impacto ambiental já é mensurável: em dois anos, a empresa reaproveitou 2,7 toneladas de papel que poderiam ter sido descartadas em aterros.

A empresa já recebeu sondagens de investidores e avalia ampliar sua estrutura produtiva, mas Alessandra faz uma ressalva: “Estamos abertos a investimentos, desde que a expansão preserve nosso propósito socioambiental.”

Manter a base na Amazônia também é uma escolha estratégica. “A Ecoplante tem raiz aqui. Nosso compromisso é com a comunidade e com a identidade amazônica.”

A quebra de patentes e a nova geografia da indústria farmacêutica

A chamada ‘queda de patentes’ no setor farmacêutico, que pode representar uma perda estimada de US$ 230 bilhões até 2030, tem sido tratada como um problema para as grandes indústrias. Mas, olhando com mais atenção, o assunto indica algo maior: uma redistribuição de valor dentro de um dos setores mais estratégicos da economia global.

À medida que medicamentos de alto valor perdem exclusividade, abre-se espaço para novos players, especialmente na produção de genéricos e biossimilares. Isso tende a reduzir preços, ampliar acesso e, principalmente, reorganizar a geografia da indústria farmacêutica.

Para países como o Brasil, o cenário pode representar mais oportunidade do que risco. A quebra de patentes cria condições para fortalecer a produção local, reduzir dependência externa e ampliar a participação em cadeias produtivas de maior valor agregado.

O ponto central, no entanto, permanece o mesmo de outras agendas industriais: capacidade de aproveitar o momento. Sem investimento em tecnologia, inovação e estrutura produtiva, a oportunidade passa, e o país segue como consumidor, não como protagonista.

O importante é analisar não a perda do setor, mas, quem está preparado pra ganhar!

Formação tecnológica para jovens ganha espaço em Manaus

Em um cenário em que a transformação tecnológica avança em ritmo acelerado, cresce também a preocupação com a formação das novas gerações. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 40% da população brasileira com 25 anos ou mais não concluiu o ensino médio, enquanto estudos internacionais apontam que quase metade das habilidades exigidas no mercado de trabalho deve passar por mudanças significativas até o fim da década.

Diante desse desafio, iniciativas voltadas à formação prática em tecnologia começam a ganhar espaço como uma tentativa de aproximar crianças e adolescentes desse novo ambiente digital. Em Manaus, uma dessas iniciativas é a ‘Trilha Geração Maker’, programa do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT Educacional) voltado a jovens de 9 a 16 anos.

A proposta é estimular o aprendizado por meio de projetos práticos, com atividades que envolvem robótica educacional, criação de jogos digitais e impressão 3D, além de workshops vocacionais e visitas a ambientes de inovação. As inscrições estão abertas até domingo (12/4) e podem ser feitas pelo site (www.indt.org.br).

Produção de TVs cresce em Manaus com expectativa da Copa

A proximidade da Copa do Mundo voltou a movimentar a indústria de televisores no Polo Industrial de Manaus (PIM). Em janeiro de 2026, a produção alcançou cerca de 1,17 milhão de unidades, crescimento aproximado de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Essa é uma tendência conhecida do varejo: grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo FIFA, costumam estimular a troca de aparelhos nas casas dos consumidores.

Além disso, o desempenho também reflete a transformação tecnológica do produto. Hoje, a maior parte dos equipamentos fabricados em Manaus são smart TVs, conectadas a plataformas de streaming, jogos e aplicativos.

Mesmo  com a multiplicação de telas digitais, a televisão continua ocupando papel central no consumo doméstico de entretenimento. Para a indústria instalada em Manaus, que abastece grande parte do mercado brasileiro, isso significa que o setor segue sendo um dos pilares da atividade eletroeletrônica do Polo Industrial, marcando um belíssimo gol de placa!

RÁPIDAS & BOAS

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançam o novo ciclo de capacitação em ‘Negociações de parcerias ICT-empresa: propriedade intelectual e transferência de tecnologia’, trata-se de uma entrega prevista no Plano de Ação 2025-2027 da Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual (ENPI) e será executado pela ClarkeModet Brasil, consultoria especializada em propriedade intelectual. O curso é gratuito e as inscrições estão disponíveis até domingo (12/4) pelo link (https://tinyurl.com/4y3u8vvu).

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O Instituto de Pesquisas Eldorado, em parceria com a Motorola Mobility, está com inscrições abertas para o ‘Moto Academy’, programa gratuito de capacitação em desenvolvimento web voltado a estudantes do Ensino Médio da região de Manaus. As inscrições são gratuitas e seguem até quarta-feira (15/4), pelo link (https://tinyurl.com/2hxf64cy).

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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