O homem que efetuou disparos durante um evento em Washington, com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compareceu pela primeira vez a um tribunal federal nesta segunda-feira (27). A Justiça o denunciou por tentativa de assassinato.
Caso seja condenado, ele poderá cumprir prisão perpétua, conforme informou o The New York Times.
Acusado nega crime e segue detido
Identificado como Cole Tomas Allen, 31, o suspeito chegou ao tribunal usando um macacão azul, típico de detentos, segundo a Reuters. Durante a audiência, a promotora Jocelyn Ballantine declarou: “Ele tentou assassinar o presidente dos EUA, Donald J. Trump”.
O acusado não admitiu culpa. Ainda assim, afirmou que pretende responder às perguntas com sinceridade. Em seguida, o juiz federal Matthew Sharbaugh determinou sua permanência sob custódia enquanto o processo avança. Além disso, a Justiça agendou uma nova audiência para quinta-feira (30).
Outras acusações agravam o caso
Além da tentativa de assassinato, Allen também responde por porte de armas e prática de crime violento. Dessa forma, o caso ganha maior complexidade no sistema judicial federal.
Manifesto revela motivação antes do ataque
Antes do atentado, o suspeito enviou um manifesto à família. O conteúdo foi divulgado pelo New York Post. No texto, ele criticou a segurança do evento e relatou nervosismo antes da ação.
Além disso, afirmou que pretendia atingir autoridades americanas e pessoas que “optaram por participar do discurso de um pedófilo e estuprador”, a quem chama de cúmplices.
Caso se conecta a polêmicas envolvendo Trump
Embora o manifesto não mencione diretamente o nome de Donald Trump, as investigações associam o conteúdo ao presidente. Nos últimos meses, o republicano enfrentou críticas por sua relação passada com Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento.
Registros, imagens e trocas de emails indicam proximidade entre ambos no passado, apesar das negativas de Trump. Neste ano, o presidente afirmou nas redes sociais que nunca esteve na ilha onde Epstein cometia abusos. Além disso, ameaçou processar adversários que o vinculam ao caso.
“Eu não só não era amigo de Jeffrey Epstein como, com base em informações que acabam de ser divulgadas pelo Departamento de Justiça, Epstein e um ‘autor’ mentiroso e canalha chamado Michael Wolff conspiraram para me prejudicar e/ou prejudicar minha Presidência”, publicou.
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça no ano passado mostram emails entre Epstein e o autor Michael Wolff. Nas mensagens, de janeiro de 2019, o financista afirma que Trump tinha conhecimento sobre “as garotas”. Ainda assim, há registros de contato entre os dois nas décadas de 1990 e 2000.
Trump reage e minimiza impacto do atentado
No domingo, em entrevista ao programa “60 Minutes”, Trump respondeu às acusações citadas no manifesto. “Eu não sou pedófilo”, afirmou. “Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo.”
Além disso, o presidente declarou que não sentiu medo durante o episódio. Segundo ele, ameaças fazem parte da função. Ainda assim, reconheceu a gravidade do atentado frustrado.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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