O exemplo materno tem a força de orientar caminhos e inspirar escolhas. Entre a dedicação ao trabalho e os gestos do dia a dia, muitas mães se tornam referências na formação de novas gerações, despertando sonhos, talentos e vocações.

Na reportagem especial de Dia das Mães, histórias ligadas à odontologia e ao empreendedorismo mostram que, além do cuidado diário, a maternidade também pode influenciar trajetórias profissionais e dar continuidade ao ofício das próprias mães.

Da prótese dentária ao consultório: mãe e filha unidas pela odontologia

A cirurgiã-dentista Vânia Maria Pereira conta que conciliou a maternidade dos filhos, Melk Levi da Silva Pereira e Késede Pereira, com a rotina doméstica e o trabalho como técnica em prótese dentária. Ao mesmo tempo, guardava o sonho de cursar uma faculdade.

Quando os filhos chegaram à adolescência, Vânia decidiu iniciar a graduação. Ela concluiu o curso e, há 13 anos, atua como cirurgiã-dentista.

Inicialmente, Vânia desejava que os dois filhos seguissem a mesma profissão. No entanto, Melk escolheu a área jurídica, enquanto Késede optou pelas ciências biológicas. Porém, a convivência com a mãe acabou despertando um novo interesse.

“Ela concluiu a graduação em Biologia no Ifam, mas aí foi procurar trabalho e, quando voltou, me disse: ‘Mãe, vou fazer odontologia’. Eu já tinha pedido que ela fizesse o curso, mas ela não tinha aceitado. Hoje, ela ama o que faz e eu amo trabalhar ao lado dela”, relata Vânia.

Segundo Késede, a odontologia não fazia parte dos planos durante a vida escolar. Ela pretendia seguir carreira na medicina ou em outra área das ciências biológicas.

Depois de concluir a graduação em Biologia, percebeu que não se identificava com a profissão. Foi então que decidiu se aproximar da rotina da mãe.

“Quando me formei e comecei a ir para a sala de aula, percebi que não era aquilo que eu queria. Fui pedir emprego à minha mãe, que já tinha consultório. Ela disse que me daria o emprego, porém eu teria que cursar odontologia. A princípio, encarei como uma área que eu iria aprender, mas, quando comecei a estudar e acompanhar a rotina da clínica, vendo o sorriso das pessoas sendo devolvido, tudo mudou”, relata.

“Minha mãe me dizia que a sensação de devolver o sorriso e a alegria de alguém não tinha preço. Foi quando realmente me apaixonei pela odontologia e percebi que poderia ajudar muitas pessoas. Eu respiro odontologia”, completa.

Atualmente, Késede é ortodontista, atua há oito anos na área e trabalha ao lado da mãe administrando as duas unidades da Clínica VKODONTO, localizadas nos bairros Vieiralves e Jorge Teixeira.

O amor pela profissão transmitido entre gerações

Outra história marcada pela influência materna na odontologia é a da cirurgiã-dentista Paula Francine. Há 20 anos na profissão, ela afirma que conciliar maternidade, estudos e consultório foi desafiador, mas também gratificante.

Paula é mãe de Mariana Lorena, que atua como odontóloga há dois anos, e de Paulo, que está na reta final do curso de odontologia.

“Conciliar profissão com a maternidade foi um dos maiores desafios da minha vida, mas também uma das experiências mais bonitas. Nem sempre é fácil equilibrar consultório, estudo e criação dos filhos, mas o amor por eles foi o que me deu força para seguir em frente”, afirma.

Segundo Paula, os filhos cresceram acompanhando a rotina dela entre casa e consultório. Além disso, observaram de perto a dedicação aos pacientes.

“Acho que esse amor nasceu de forma natural. Eles viram e veem o quanto amo minha profissão. Eles cresceram vendo o quanto um sorriso pode transformar a vida de alguém. Tenho alegria de trabalhar ao lado da minha filha. É muito especial poder dividir consultório, experiências, pacientes e conquistas”, destaca.

Mãe e filha compartilham rotina no empreendedorismo

A administradora e empresária Luene Seda também trabalha ao lado da filha, Luíza Seda, em dois empreendimentos no segmento de confecções.

Luene conta que se tornou mãe aos 16 anos. Mesmo assim, deu continuidade aos estudos, concluiu a faculdade e seguiu empreendendo.

Segundo ela, Luíza sempre acompanhou a rotina dos negócios e ajudava no que podia. Com o tempo, a mãe percebeu que a filha tinha afinidade com o segmento da moda.

Em 2020, durante a pandemia, Luene criou a loja Arrazo inicialmente de forma virtual. Logo depois, Luíza participou da primeira compra de mercadorias em distribuidores de São Paulo.

“Começamos a loja com ela me ajudando aos 15 anos. Luíza ia participar de um evento em São Paulo, então aproveitamos para que ela também fizesse as compras das peças iniciais. Ela foi acompanhada de uma sobrinha. Sempre foi muito antenada em moda e muito estilosa”, conta.

Hoje, Luene celebra a parceria construída com a filha nos negócios.

“Me sinto feliz. Vejo que ela gosta do que faz, se identifica, é criativa, responsável e comprometida”, afirma a empresária, que também é proprietária da loja Cabide Chique.

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