Em meio às transformações do varejo alimentar brasileiro, o Grupo Nova Era vem sustentando crescimento acima da média do setor apostando em eficiência operacional, tecnologia e diversificação de formatos. A avaliação é de Miguel Aguiar, gestor comercial responsável por Marca Própria, Categoria e Importação da companhia.

Segundo ele, o avanço da empresa é resultado de “visão estratégica, disciplina de execução e capacidade de adaptação às transformações do consumo”.

O grupo opera hoje com diferentes formatos, incluindo atacarejo, varejo premium, varejo popular e lojas autônomas. Para Aguiar, essa diversificação amplia a resiliência do negócio diante das oscilações econômicas. “O modelo permite atender diferentes perfis de consumo e responder com agilidade às mudanças do ambiente econômico”, afirma.

Atualmente, o atacarejo lidera o crescimento em faturamento dentro da companhia, refletindo a busca do consumidor por formatos mais econômicos. Já as operações premium avançam apoiadas em diferenciação e experiência de compra, enquanto as lojas autônomas ganham espaço pela conveniência e inovação.

Outro foco estratégico está nas marcas próprias, como a Granbon. “As marcas próprias deixaram de ser apenas uma alternativa de preço e passaram a ser uma alavanca de diferenciação e rentabilidade”, destaca.

A empresa também intensifica investimentos em tecnologia, com uso de inteligência artificial, análise de dados, reconhecimento facial e automação. “Além de reduzir custo, a digitalização permite operar melhor, e isso é decisivo no varejo”, diz.

Segundo Aguiar, os investimentos mais relevantes são justamente aqueles capazes de aumentar produtividade e melhorar a experiência do cliente. Ferramentas como mapas de calor e inteligência de escala já fazem parte da rotina operacional da companhia, ajudando na tomada de decisão e na eficiência das lojas.

Mesmo diante do crescimento, o Grupo Nova Era mantém foco estratégico na região Norte. A prioridade, segundo o executivo, é aprofundar a presença onde a companhia já atua, principalmente em municípios do interior do Amazonas e em Rondônia. “A região Norte ainda oferece oportunidades relevantes”, afirma.

Apesar da trajetória de expansão, a estratégia atual está mais voltada à consolidação operacional do que a novas aquisições. “Crescimento consistente não depende apenas de expansão, mas da capacidade de consolidar bem cada passo dado”, diz Aguiar.

Hoje, o Nova Era conta com 39 unidades de negócios, quatro centros de distribuição e mais de 5 mil colaboradores diretos.

Honda congela projeto bilionário de elétricos

A Honda decidiu congelar um projeto bilionário de veículos elétricos na América do Norte, que previa a instalação de uma cadeia integrada de produção e baterias no Canadá. A decisão reflete uma mudança de ritmo na estratégia da indústria.

O principal fator é a desaceleração da demanda nos Estados Unidos, mercado-chave para esse tipo de investimento. Após a adesão inicial, o consumidor mais amplo ainda enfrenta barreiras como preços elevados, juros altos e infraestrutura de recarga insuficiente.

Somam-se a isso os custos elevados da cadeia de baterias, ainda concentrada na Ásia, e a incerteza regulatória, que dificulta decisões de longo prazo. Diante desse cenário, a companhia optou por adiar o investimento até que haja maior previsibilidade.

Isso não indica recuo na eletrificação, mas um ajuste à realidade do mercado.

R$ 1,4 bilhão em inovação e o novo desafio da Zona Franca

O anúncio de R$ 1,4 bilhão em investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) por meio da Lei de Informática da Zona Franca de Manaus reforça uma mudança importante no perfil do Polo Industrial de Manaus (PIM), pois o desafio agora é transformar parte da força industrial da região em tecnologia, pesquisa aplicada e inovação de maior valor agregado.

Os recursos começam a avançar para áreas como inteligência artificial, biotecnologia, Indústria 4.0 e monitoramento ambiental, ampliando o papel estratégico da Amazônia no debate tecnológico nacional.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o principal desafio não está apenas no volume de recursos, mas na capacidade de converter investimentos em soluções concretas, geração de conhecimento e competitividade de longo prazo.

Com indústria consolidada e mecanismos próprios de financiamento à inovação, Manaus passa a disputar espaço não apenas como polo fabril, mas também como potencial ecossistema tecnológico.

EMS e Medley entram no radar do CADE

Devido ao avanço da compra da Medley pela EMS, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) deverá analisar a negociação nos próximos dias. A operação, bilionária, reforça uma tendência crescente de consolidação no mercado brasileiro de medicamentos, especialmente no segmento de genéricos.

Se o acordo for aprovado pelo CADE, isso pode significar não apenas ampliação de participação de mercado, mas também reorganizações internas na EMS, envolvendo logística, distribuição e estrutura produtiva. Com o ganho de escala, a tendência é que a empresa revise eficiência operacional e capacidade industrial em diferentes unidades do país.

No caso da fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM), podem ocorrer, indiretamente, reavaliações estratégicas relacionadas à produção e ao posicionamento industrial.

O foco do CADE, porém, estará no equilíbrio concorrencial de um mercado cada vez mais concentrado e estratégico para o país.

Pará transforma o dendê em ativo estratégico do agro

O fato de o Pará concentrar cerca de 97% da produção nacional de dendê coloca o estado em posição estratégica dentro do agronegócio brasileiro. O avanço da cadeia produtiva indica a consolidação de um setor que conecta indústria, exportação, geração de renda e bioeconomia.

Os números ajudam a explicar esse movimento. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas. O Pará sozinho ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas, mantendo praticamente toda a liderança nacional da atividade.

A mudança na percepção sobre o dendê, antes associado quase exclusivamente à produção de óleo vegetal, ajudou a ampliar o papel estratégico da cadeia produtiva, que hoje abastece segmentos ligados à indústria alimentícia, cosméticos, higiene, limpeza e biocombustíveis.

RÁPIDAS & BOAS

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), recebe, até às 17h (horário de Manaus) da quinta-feira (14/5), propostas para o ‘Programa de Apoio à Pesquisa Integrada para a Qualidade de Vida no Amazonas (Provida-AM – Fapeam)’, Resolução nº 008/2026. Informações e inscrições estão disponíveis pelo link (https://sig.fapeam.am.gov.br/).

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A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão com o programa ‘FavEla empoder@ em Manaus’, com inscrições abertas até sexta-feira (15/5). A iniciativa é voltada à inclusão produtiva e ao fortalecimento do empreendedorismo feminino em territórios periféricos da Zona Oeste da cidade. Para mais informações e inscrições, o acesso deve ser realizado pelo link: https://favelaempodera.softex.br/

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A Philco, em parceria com o Instituto Phomenta, está com inscrições abertas até segunda-feira (18/5) para a ‘4ª edição do Programa Negócio de Mãe’, projeto gratuito que vai selecionar mulheres para uma jornada de formação, mentoria e apoio ao desenvolvimento de negócios. Informações e inscrições pelo link (https://tinyurl.com/bdhpvmcm). 

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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