Entre “matches”, “ghostings” e deslizes infinitos na tela, a Geração Z começa a demonstrar sinais de desgaste com os aplicativos de relacionamento. Segundo pesquisa da Forbes Health, 79% dos jovens relatam fadiga emocional causada pelo uso dessas plataformas.
Diante desse cenário, aplicativos tradicionais e novos concorrentes passaram a investir em recursos que prometem conexões mais autênticas e experiências fora do ambiente digital.
O Tinder, por exemplo, ampliou funcionalidades como o Modo Música, focado em afinidades musicais, e anunciou o Modo Astrologia, que pretende sugerir combinações com base em signos e compatibilidade astral. A plataforma também testa, em Los Angeles, ferramentas para incentivar encontros presenciais por meio de eventos locais.
Segundo o aplicativo, mais de 60% dos usuários têm menos de 30 anos. O recurso Double Date, que promove matches entre duplas, concentra quase 85% de usuários nessa faixa etária.
Já o 639APP aposta em uma proposta diferente: eliminar fotos iniciais dos perfis, limitar interações simultâneas e cruzar dados astrológicos para identificar afinidades. A plataforma também leva experiências para o mundo físico por meio do 639COM, presente em eventos como os Ensaios da Anitta, Rock the Mountain, Oktoberfest e Carnaval da Sapucaí.
“Apps tornam tudo muito robótico”
O cientista de dados Pedro Lustosa, de 25 anos, afirma que o excesso de repetições nos aplicativos acabou reduzindo o interesse pelas plataformas.
Segundo ele, as interações parecem seguir sempre o mesmo roteiro, tornando os relacionamentos mais mecânicos e menos espontâneos. Pedro também acredita que muitos jovens estão cansados do modelo atual dos aplicativos, embora ainda exista curiosidade sobre novas formas de conexão.
Busca por experiências mais autênticas
Para Flávio Bizzarias, professor da ESPM, a Geração Z vive um paradoxo entre hiperconectividade e desgaste emocional provocado pelo excesso de estímulos digitais.
De acordo com o especialista, os aplicativos já não conquistam apenas por oferecer muitas opções de parceiros. Agora, cresce a demanda por experiências mais equilibradas, autênticas e significativas.
A pesquisadora Sibele de Aquino, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que mecanismos como o “swipe infinito” passaram a gerar mais fadiga do que engajamento entre os usuários.
Apps querem levar usuários para a vida real
O Hinge se apresenta como “o app feito para ser deletado”. A plataforma limita conversas sem resposta e estimula interações mais intencionais para incentivar encontros presenciais.
Já o Bumble afirma que 62% dos usuários da Geração Z voltaram a usar apps de namoro, mas agora procuram conexões mais genuínas.
Outro exemplo é o happn, conhecido por conectar pessoas que se cruzaram na vida real. O aplicativo lançou ferramentas que sugerem pontos de encontro conforme interesses em comum e promoveu eventos presenciais, como uma corrida para solteiros realizada em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Especialistas avaliam que os aplicativos estão sendo pressionados a se tornar menos solitários e mais sociais, aproximando o ambiente digital de experiências reais e coletivas.
*Com informações do Extra
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