No consultório urológico, um dos temas que mais desperta dúvidas, mitos e, frequentemente, expectativas irreais é a reposição de testosterona. 

Como médico urologista, vejo diariamente homens que chegam até mim associando esse hormônio ao “elixir da eterna juventude”. Minha missão principal é desmistificar esse cenário, mostrando que a terapia hormonal é uma ferramenta médica poderosa, mas que exige critérios rigorosos de indicação e segurança. Ao longo do processo natural de envelhecimento, o corpo masculino passa por transformações. 

Após os cinquenta anos de idade, é comum que ocorra uma diminuição gradativa na produção de testosterona. Esse fenômeno é conhecido clinicamente como Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), ou popularmente como andropausa. Os sintomas dessa baixa hormonal são claros e sistêmicos. 

Em minha prática, os pacientes costumam relatar uma tríade que afeta drasticamente a qualidade de vida: a queda acentuada da libido, a piora visível no desempenho sexual e uma sensação crônica de cansaço excessivo. 

Quando o diagnóstico de hipogonadismo é confirmado por meio de exames laboratoriais e pela presença desses sintomas, a reposição hormonal oferece benefícios transformadores. No aspecto físico, observamos o ganho de massa magra e o fortalecimento ósseo, o que reduz drasticamente o risco de fraturas por osteoporose. 

No aspecto psíquico, o homem recupera a vitalidade, a clareza mental e a estabilidade emocional, afastando o cansaço que antes parecia intransponível. 

No entanto, como qualquer intervenção médica, a introdução de testosterona exógena carrega consequências negativas. É fundamental esclarecer que a testosterona não causa o câncer de próstata. 

Contudo, se o homem já possuir um tumor ativo ou oculto na glândula, o hormônio pode atuar como um combustível, acelerando a disseminação do tumor. 

Outro impacto crucial ocorre na fertilidade. O uso do hormônio externo sinaliza ao cérebro que o corpo já possui testosterona suficiente, fazendo com que os testículos reduzam drasticamente a produção interna e, consequentemente, a fabricação de espermatozoides. 

Portanto, para homens que ainda planejam ter filhos, a terapia convencional é contraindicada. Somam-se a isso os riscos de alterações hepáticas, disfunções cardíacas e modificações nos componentes sanguíneos (como o aumento de hemácias), que elevam a viscosidade do sangue e o risco de eventos tromboembólicos. 

O que todo paciente precisa compreender é que a reposição de testosterona possui uma indicação precisa: ela serve para tratar o hipogonadismo sintomático, e não para fins puramente estéticos ou de performance esportiva. 

A automedicação nesse setor é um perigo silencioso. O equilíbrio endócrino é sensível, e cada organismo reage de forma única. A terapia hormonal só é segura quando indicada, personalizada e minuciosamente acompanhada por um médico especialista. 

Cuidar da saúde do homem é avaliar o indivíduo como um todo, garantindo longevidade com responsabilidade.

Dr. Flávio Antunes é urologista, referência em infertilidade masculina. Com mais de 20 anos de experiência, atende no Urocentro em Manaus e é professor da UFAM. CRM-AM 4851, RQE 1178. Instagram: @drflavioantunesuro

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