Mayra Benita Alves Dias Garcia, ou simplesmente Mayra Dias, é jornalista formada pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte), apresentadora de TV, especialista em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais. É Miss Amazonas 2018, Miss Brasil 2018 e Top 20 do Miss Universo no mesmo ano. Empresária, empreendedora digital e apaixonada por tecnologia.

Nasceu no município de Itacoatiara, viveu a infância e a adolescência em Nova Olinda do Norte. Como todo interiorano que persiste em busca de oportunidades, mudou-se para cursar faculdade em Manaus. Entrou no mundo dos concursos de beleza em 2011. Em 2018, conquistou a coroa de Miss Amazonas, ganhou o concurso Miss Brasil e ficou entre as 20 mulheres mais lindas do mundo no Miss Universo.

Mayra decidiu entrar na política depois do trabalho que realizou como primeira-dama de Parintins, exatamente nos dois anos em que o mundo esteve envolto em uma nuvem negra de perdas ocasionadas pelo coronavírus. Logo na primeira eleição, em 2022, obteve 34.563 votos. Foi a 13ª mais votada (de um total de 24 eleitos) para deputada estadual no pleito, recebendo votos em 45 dos 62 municípios do Amazonas, com votações expressivas nas cidades do Baixo Amazonas, principalmente Parintins, além de Nova Olinda do Norte e Manaus.

Confira a entrevista:

EM TEMPO – A senhora construiu carreira na comunicação, ganhou projeção nacional como Miss Brasil e depois ingressou na política. De que forma a sua trajetória exerce influência na sua atuação parlamentar?

MAYRA DIAS – A comunicação e as passarelas me deram algo fundamental para a política: a capacidade de ouvir e de dar voz a quem muitas vezes é invisível. Como jornalista, aprendi a investigar a fundo a realidade das pessoas, e como Miss Brasil, assumi a responsabilidade de representar o meu país e, acima de tudo, a força da mulher amazonense. Toda essa bagagem me transformou em uma parlamentar sensível às dores do nosso povo. A minha trajetória me ensinou a me comunicar com empatia, a articular parcerias com o setor público e privado e a usar as redes digitais não apenas para prestar contas, mas para aproximar o mandato do cidadão, transformando a escuta em projetos de lei reais e efetivos.

ET – Quais projetos do seu mandato tiveram maior impacto social?

MD – Nestes três anos e meio de mandato, alcançamos o marco de mais de 90 leis sancionadas, mas o verdadeiro impacto está em ver a vida das pessoas mudar. Destaco com muito orgulho o projeto “Ação em Dias”, que chegou a 51 edições, somando mais de 110 mil atendimentos de saúde, cidadania e assistência social nas regiões periféricas e nos municípios do interior, incluindo áreas ribeirinhas de difícil acesso. Outro projeto que nasceu do meu coração e da minha experiência como mãe é o “Maternar”, que acolheu e capacitou mais de 2 mil gestantes e mães em 11 edições.

ET – Como equilibrar demandas tão diferentes no Estado?

MD – O segredo é a descentralização e a presença física. Para equilibrar essas realidades, destinei mais de R$ 70 milhões em emendas parlamentares ao longo do mandato, garantindo que o recurso saia da capital e chegue aos hospitais, escolas e ações sociais do interior. Não dá para fazer política olhando só pelo mapa; é preciso ir até as comunidades ribeirinhas e regiões isoladas, onde o poder público raramente chega, e levar a estrutura que eles precisam por meio de emendas impositivas e ações itinerantes.

ET – Quais medidas podem ser tomadas para o fomento à geração de emprego e renda no Amazonas?

MD – Precisamos investir no empreendedorismo e na capacitação profissional, respeitando as vocações de cada região. O Amazonas tem um potencial gigantesco na bioeconomia, na tecnologia e no turismo sustentável. Apoio medidas que facilitem o acesso a microcrédito e capacitação para empreendedores digitais e pequenos produtores. Incluímos oficinas práticas de geração de renda, reaproveitamento de alimentos e empreendedorismo. Dar autonomia financeira para as famílias, especialmente para as mulheres do interior, é o caminho mais rápido para combater a vulnerabilidade social.

ET – Quais desafios as mulheres ainda enfrentam na política?

MD – O maior desafio ainda é a ocupação real dos espaços de poder e o combate ao machismo estrutural. Fui eleita em um universo de 24 deputados sendo uma das poucas mulheres na Assembleia. O desafio não é apenas vencer as urnas, mas ter voz ativa na mesa de decisões. Mulheres na política enfrentam tripla jornada, julgamentos estéticos e desconfiança sobre sua capacidade técnica. Precisamos de mais representatividade para que as pautas que defendemos, como o combate à violência doméstica, o apoio à maternidade e a igualdade salarial, deixem de ser vistas como “pautas secundárias” e passem a ser prioridades de governo.

ET – De que maneira a sra atua no apoio e no acolhimento das mães amazonenses, em especial às mães solo?

MD – Atuo criando redes de apoio reais. A maternidade solo é um desafio diário de sobrevivência e amor. Com o Projeto Maternar, oferecemos a essas mulheres não apenas exames e kits de enxoval, mas informação de qualidade, atendimento psicossocial e rodas de conversa conduzidas por profissionais de saúde. Minha atuação na Assembleia foca na criação de políticas públicas que garantam creches em tempo integral, atendimento médico prioritário e capacitação voltada à autonomia financeira, para que essas mães saibam que não estão sozinhas.

ET – Quais são seus planos políticos a partir de agora?

MD – Meu plano é continuar trabalhando incansavelmente pelo povo do Amazonas. A política se faz todos os dias, honrando os 34.563 votos que recebi em 45 municípios. Quero ampliar o alcance dos projetos sociais, fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e garantir que as mais de 90 leis que aprovamos sejam executadas e beneficiem a população na prática. O meu compromisso é com as mulheres, com a infância, com os idosos, PCDs e a comunidade LGBTQIAPN+. Meu futuro político será reflexo do resultado e da seriedade do meu trabalho no presente.

ET – Como a senhora espera que seu trabalho seja lembrado pela população?


MD – Quero ser lembrada como uma deputada que esteve presente na vida das pessoas, que não ficou presa ao gabinete na capital. Quero que lembrem de mim como alguém que usou o mandato para acolher, estender a mão nos momentos difíceis, como fizemos na linha de frente e na articulação de oxigênio durante a pandemia, e que levou dignidade e oportunidades para o interior. Quero ser lembrada por um mandato humano, sensível e realizador.

ET – Que mensagem a sra deixa à população?
MD – Deixo uma mensagem de esperança, fé e união. Eu conheço a força do povo do meu estado, conheço a resiliência de quem vive no interior e nas comunidades ribeirinhas. Sozinhos nós podemos muito pouco, mas quando nos unimos, poder público, sociedade e parcerias, somos capazes de realizar grandes feitos. Contem sempre com a minha dedicação, com o meu carinho e com o meu trabalho sério.