A prisão do investigador da Polícia Civil Luciano Granjeiro, durante a Operação Piloto de Fuga, colocou em evidência versões opostas sobre a participação dele no esquema investigado pela Polícia Federal (PF) no Amazonas.

De um lado, a PF afirma que o policial atuou como piloto da viatura utilizada no transporte do ouro roubado. Do outro, o delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), sustenta que o investigador apresentou provas de que estava em casa com o filho no momento dos fatos.

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PF aponta atuação direta no esquema

Segundo a Polícia Federal, Luciano Granjeiro integrava o núcleo operacional da organização criminosa investigada pelo roubo de 77 barras de ouro avaliadas em cerca de R$ 45 milhões.

De acordo com o delegado federal Jonathans Simas, as investigações identificaram o policial como o condutor da viatura usada durante a ação criminosa.

“Conseguimos identificar o piloto da viatura utilizada no transporte no dia do roubo”, afirmou.

Além disso, a PF afirma que o grupo era formado por agentes de segurança pública e civis que atuavam em diferentes etapas do esquema.

Ainda segundo as investigações, os policiais ficavam responsáveis pelo chamado “arrocho”, modalidade criminosa em que grupos roubam carregamentos de ouro de outras organizações.

Enquanto isso, um segundo núcleo cuidava da logística do transporte do minério. Conforme a PF, o ouro saía do Pará, passava pelo Amazonas, seguia para Roraima e depois seria enviado ao exterior.

Delegado contesta versão da PF

Já o delegado Cícero Túlio afirma que a investigação pode ter cometido um equívoco ao relacionar Luciano Granjeiro ao caso.

Segundo ele, o investigador apresentou registros técnicos e imagens que indicariam sua permanência em casa, ao lado do filho, no horário em que o crime ocorreu.

Além disso, o delegado explicou que o policial passou a aparecer na investigação porque recolheu veículos e armamentos que estavam sob responsabilidade do investigador Felipe Pinto, um dos alvos das apurações.

“Consideramos ter havido um equívoco, uma vez que o servidor já apresentou registros técnicos e imagens que revelam que, no momento dos fatos investigados pela Polícia Federal, encontrava-se em sua residência e na companhia do filho”, afirmou Cícero Túlio.

Ainda conforme o delegado, a Polícia Civil comunicou o recolhimento dos veículos e das armas à Delegacia-Geral e também à Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.

Por fim, ele pediu cautela na divulgação das informações e disse acreditar que os fatos serão esclarecidos.

Operação investiga roubo milionário

A Operação Piloto de Fuga é um desdobramento da Operação Auxílio Criminoso, deflagrada pela Polícia Federal em maio deste ano.

As investigações começaram após a apreensão de 77 barras de ouro avaliadas em aproximadamente R$ 45 milhões, em outubro de 2025.

Na ocasião, agentes prenderam dois policiais militares, um policial civil e outros três homens suspeitos de tentar roubar a carga.

Desde então, a PF ampliou as investigações para identificar outros possíveis participantes do esquema.

Os investigados poderão responder pelos crimes de roubo, associação criminosa, usurpação de bens da União e fraude processual.

Polícia Civil abriu apuração

Em nota, a Polícia Civil do Amazonas informou que colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Além disso, a corporação afirmou que não compactua com irregularidades praticadas por servidores e encaminhou o caso à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública.

O órgão deverá conduzir um procedimento administrativo para apurar os fatos relacionados ao investigador.

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