A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que amplia a responsabilidade das chamadas big techs pelos conteúdos publicados na internet deve provocar mudanças na atuação de plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube. Além de estabelecer novas obrigações para as empresas, o entendimento da Corte altera pontos importantes sobre a remoção de conteúdos ilegais e a proteção dos usuários.

Na prática, o STF determinou que as plataformas adotem uma postura mais ativa para combater conteúdos ilícitos. Dessa forma, as empresas precisarão reforçar mecanismos de segurança e prevenção em suas redes.

O que são as big techs?

O termo “big tech” identifica grandes empresas de tecnologia que operam plataformas digitais com milhões de usuários em todo o mundo.

Entre elas estão redes sociais, aplicativos de compartilhamento de vídeos, mecanismos de busca e outros serviços online. Além disso, essas companhias administram ambientes onde usuários publicam textos, fotos, vídeos e comentários diariamente.

O que muda com a decisão do STF?

Até então, o Marco Civil da Internet determinava que as plataformas só poderiam responder por conteúdos publicados por terceiros após descumprirem uma ordem judicial de remoção.

Agora, o STF ampliou esse entendimento. Em determinadas situações, as empresas poderão ser responsabilizadas mesmo sem uma decisão judicial prévia. Isso poderá ocorrer, por exemplo, quando houver falha na prevenção ou na remoção de conteúdos considerados ilegais.

Além disso, as plataformas deverão criar canais específicos para denúncias, fortalecer sistemas de moderação e adotar medidas para reduzir a circulação de conteúdos ilícitos.

Por que o Supremo mudou a regra?

A maioria dos ministros avaliou que o modelo atual não oferece proteção suficiente aos direitos dos usuários. Além disso, a Corte entendeu que a legislação não acompanha a velocidade com que conteúdos prejudiciais se espalham nas redes sociais.

Durante o julgamento, os ministros destacaram que a liberdade de expressão continua garantida. No entanto, ressaltaram que esse direito não pode servir como justificativa para crimes ou para a divulgação de conteúdos que coloquem pessoas em risco.

Quais conteúdos entram nas novas regras?

A decisão mira principalmente publicações relacionadas a crimes, terrorismo, racismo, discurso de ódio, incentivo à violência e conteúdos que coloquem crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Por isso, as plataformas precisarão agir com mais rapidez diante de denúncias envolvendo esse tipo de material.

Debate ainda continua

Apesar da definição da maioria dos ministros, alguns pontos ainda seguem em discussão no STF. Entre eles estão o alcance das obrigações impostas às plataformas e a situação de serviços considerados neutros, que exercem pouca ou nenhuma interferência sobre os conteúdos publicados pelos usuários.

Enquanto isso, o Supremo prepara a versão final da tese que consolidará todos os detalhes da decisão.

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