Em 2020, Brena Dianná foi eleita pela primeira vez vereadora na Câmara Municipal de Parintins, com 1.183 votos pelo partido PSD. Sua atuação foi marcada por discursos fortes e fiscalização contínua em Parintins e comunidades rurais como Mocambo, Caburi, Vila Amazônia, Monte Sinai, dentro outras.

Dois anos depois, já pelo União Brasil, foi candidata a deputada estadual, recebendo 13.590 votos. Em 2024, Brena concorreu para prefeita de Parintins com apoio de diversos partidos. Ficou em segundo lugar com 25.250 votos.

Após a posse, a mais nova integrante do parlamento estadual participou da votação de uma série de projetos de lei.
Confira a entrevista:

EM TEMPO – A senhora assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa há poucos dias. Como recebe essa nova missão e quais serão suas prioridades neste início de mandato?
BRENA DIANNÁ – Assumi a cadeira de deputada estadual com muita alegria, gratidão e senso de responsabilidade. Tenho um carinho imenso por todo o Amazonas, mas meu mandato terá um olhar especial para o interior. Eu sou do interior. Sei o que é crescer acreditando que certas oportunidades não foram feitas para nós. Sou uma mulher de origem humilde, nascida em Parintins, que pôde realizar o sonho de se tornar advogada e, hoje, ter a honra de ser a primeira mulher parintinense a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa, então outras histórias também podem ser escritas. Então uma das minhas principais pautas é dar voz para os interioranos.

ET – Quais são os desafios que a senhora pretende defender na Aleam em favor dos municípios do interior?
BD – Eu conheço de perto a realidade do interior do Amazonas, especialmente das comunidades rurais. São localidades que, muitas vezes, ainda enfrentam a falta do básico: acesso à água potável, escolas com estrutura adequada, valorização dos professores, oportunidades de geração de renda e incentivo à agricultura familiar, que sustenta tantas famílias amazonenses.
Na área da saúde, a situação também exige atenção. Muitas comunidades não contam sequer com uma unidade básica de saúde próxima, nem com atendimento regular de médicos, enfermeiros e outros profissionais essenciais. Quero atuar de forma integrada, fortalecendo o setor primário e construindo soluções em parceria com as áreas da saúde, educação e infraestrutura. Acredito que o desenvolvimento do interior passa necessariamente por investimentos nessas áreas, garantindo mais qualidade de vida, oportunidades e dignidade para quem vive longe dos grandes centros, mas tem o mesmo direito de ser visto, ouvido e atendido pelo poder público.

ET – Como avalia a participação das mulheres na política amazonense e o que ainda precisa avançar para ampliar essa presença?
BD –
Precisamos ampliar cada vez mais essa participação. Não por uma questão de representatividade apenas, mas porque as mulheres têm competência, capacidade e preparo para contribuir de forma decisiva com a construção de políticas públicas melhores para a nossa população.
Nós precisamos ter a oportunidade de mostrar que é possível fazer política com excelência, responsabilidade e também com sensibilidade. Muitas vezes, o que falta na política não é apenas identificar os problemas, as carências e as desigualdades, mas ter a sensibilidade necessária para compreender a realidade das pessoas e transformar essa compreensão em ação concreta.
Como mulher, mãe e profissional, aprendi a lidar com múltiplas responsabilidades ao mesmo tempo. Essa vivência nos dá uma capacidade única de enxergar diferentes perspectivas, ouvir, acolher e buscar soluções.

Foto: Divulgação

ET – Antes da vida parlamentar, a senhora construiu uma trajetória ligada à cultura e ao Festival de Parintins. De que forma essa experiência contribui para sua atuação na vida pública?
BD – A cultura transformou a minha vida. Foi por meio dela que muitas portas se abriram para mim. A visibilidade que o boi me proporcionou me permitiu chegar à capital, conquistar oportunidades de trabalho, me manter, ajudar minha família, pagar meus estudos e realizar o sonho de me tornar advogada. Por isso, eu falo da cultura com propriedade e gratidão. Eu sei, na prática, o poder que ela tem de mudar destinos e transformar realidades. Foi a cultura que me deu voz, me deu oportunidades e me ajudou a chegar até aqui. Onde houver cultura, arte, tradição e oportunidades para o nosso povo, a Brena Dianná estará presente, apoiando e trabalhando para que ela continue transformando vidas.

ET – Como a senhora avalia o papel do poder público na construção de um modelo que combine crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental?
BD – Eu acredito que não existe proteção ambiental sem inclusão social, e nem desenvolvimento econômico sustentável se as pessoas que vivem na Amazônia continuarem sem acesso a oportunidades. Quem mora no interior, nas comunidades rurais e ribeirinhas, não pode ser visto como um obstáculo à preservação. Pelo contrário, essas pessoas são as maiores conhecedoras e protetoras da floresta. O papel do poder público é criar condições para que elas possam viver com dignidade, gerar renda e permanecer em seus territórios de forma sustentável. Isso passa pelo fortalecimento da agricultura familiar, pelo incentivo à bioeconomia, pelo apoio aos pequenos produtores, pelo investimento em educação, saúde, infraestrutura e conectividade.

ET – Ao assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa, a senhora passa a ampliar a presença do União Brasil no Parlamento. Como pretende contribuir para fortalecer o partido na Aleam e quais pautas considera prioritárias nessa construção?
BD – Assumo essa responsabilidade com muito respeito e consciência do momento que estou vivendo e fazendo parte do partido União Brasil e é natural dentro de um grupo você construir parcerias. Eu quero continuar servindo e pretendo contribuir com muito trabalho, diálogo e resultados concretos para a população amazonense e é dessa forma, com trabalho, diálogo e compromisso com as pessoas, que pretendo contribuir tanto para o União Brasil quanto para o Amazonas. Ao mesmo tempo, acredito que a política precisa de pessoas que tenham identidade própria, que saibam ouvir e representar os anseios da população. Eu tenho minhas convicções, minhas bandeiras e uma trajetória construída muito antes de ocupar um cargo público. Sempre procurei agir com autenticidade e é dessa forma que pretendo exercer o mandato.

ET – Ao assumir o mandato estadual, qual legado a senhora espera construir e como gostaria de ser lembrada ao final dessa trajetória na Aleam?
BD – Espero construir um legado de oportunidades. Gostaria que as pessoas olhassem para a minha trajetória e enxergassem alguém que utilizou cada espaço que ocupou para servir, abrir caminhos e transformar vidas. Venho do interior, de uma família simples, e sei o quanto uma oportunidade pode mudar o destino de uma pessoa. Quero que meu mandato seja lembrado por ampliar oportunidades para os jovens, fortalecer as mulheres, valorizar a cultura, apoiar a agricultura familiar e levar mais dignidade para quem vive no interior.
Também gostaria de ser lembrada como uma deputada presente, acessível e comprometida com as pessoas. Alguém que não se limitou aos discursos, mas que ouviu, trabalhou e buscou soluções para problemas reais da população.

Leia Mais:

Brena Dianná toma posse na Aleam e fortalece bancada do União Brasil