Como urologista, recebo frequentemente em meu consultório homens adultos e pais cheios de dúvidas e, muitas vezes, cercados de tabus sobre uma condição extremamente comum: a fimose. Definida como a incapacidade de retrair o prepúcio para expor a glande (a cabeça do pênis) de forma parcial ou total, a fimose é um tema que merece atenção em todas as fases da vida. Longe de ser apenas um incômodo estético, o diagnóstico correto e o tratamento precoce são fundamentais para a saúde, a qualidade de vida e a prevenção de doenças graves.
Na infância, a fimose é uma condição praticamente universal. Cerca de 90% dos meninos nascem com o que chamamos de fimose congênita (ou fisiológica). Na grande maioria dos casos, essa aderência natural da pele se resolve espontaneamente até o primeiro ano de vida. Quando isso não acontece de forma natural, costumo prescrever o uso de cremes e pomadas específicas à base de corticoides, que apresentam um excelente percentual de sucesso na liberação dessa pele.
No entanto, se a dificuldade de exposição da glande persistir após a infância, a intervenção cirúrgica, conhecida como postectomia ou circuncisão, passa a ser indicada. Por outro lado, existe a fimose adquirida, que pode surgir em qualquer momento da vida adulta. Ela geralmente é o resultado de infecções repetidas na região, como as balanopostites, comuns em pacientes com diabetes ou higiene inadequada.
O tecido inflama, cicatriza e perde a elasticidade, criando um anel estreito que impede a retração. Nestes casos, independentemente do histórico do paciente, a cirurgia é a conduta médica definitiva e necessária. Gosto sempre de alertar meus pacientes sobre os riscos de adiar o tratamento. A presença da fimose cria um ambiente propício para o acúmulo de esmegma (uma secreção natural do corpo), urina e descamação celular. Como a limpeza adequada fica severamente prejudicada, o local torna-se um foco para infecções bacterianas e fúngicas recorrentes.
O dado mais alarmante, contudo, diz respeito à oncologia: a má higiene é a principal causa de câncer de pênis. No Brasil, essa é uma realidade triste, mas evitável. Quando corrigimos a fimose, devolvemos ao paciente a capacidade de realizar uma higiene íntima perfeita, eliminando o fator de risco crônico que pode levar ao desenvolvimento de tumores.
Além disso, a correção melhora a qualidade das relações sexuais, eliminando a dor e o desconforto que muitos homens sofrem em silêncio. Felizmente, a medicina evoluiu muito para oferecer procedimentos cada vez mais seguros e confortáveis. A grande novidade no tratamento cirúrgico da fimose que tenho adotado em minha prática é o uso do clampeador cirúrgico descartável (grampeador linear). Essa tecnologia revolucionou a postectomia convencional. O equipamento atua de forma precisa, realizando o corte e a sutura mecânica (com microgrampos cirúrgicos) simultaneamente.
O tempo cirúrgico é drasticamente reduzido. Há uma manipulação muito menor dos tecidos delicados da região. O paciente experimenta significativamente menos dor, inchaço e desconforto no período de recuperação. O resultado cicatricial é extremamente uniforme, linear e esteticamente muito superior quando comparado aos pontos da cirurgia tradicional. Não permita que o medo ou a desinformação adiem os cuidados com a sua saúde ou a do seu filho. Cada caso possui suas particularidades e exige uma avaliação individualizada. Agende uma consulta para que possamos definir juntos o tratamento ideal e mais seguro para a sua situação.

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