O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (16) que mantém uma boa relação com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. No entanto, ele declarou que o aliado precisa agir com mais responsabilidade em relação ao Líbano.

As declarações foram feitas durante a cúpula do G7, na França, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.

Ataques e acordo de paz aumentam tensão regional

Na véspera, Tel Aviv bombardeou o Líbano, um dia após Trump anunciar um acordo de paz para encerrar o conflito na região. Além disso, o presidente americano comentou que sugeriu uma alternativa para o enfrentamento ao Hezbollah.

“Eu sugeri a Israel que deixe a Síria cuidar do Hezbollah e, sinceramente, acredito que eles farão isso melhor”, afirmou Trump.

Ele também acrescentou: “Israel está lutando contra o Hezbollah há tempo demais” e “muitas pessoas morreram”.

EUA defendem nova estratégia para o conflito

Segundo Trump, o Líbano foi envolvido na guerra após ataques do Hezbollah a Israel em apoio ao Irã. Desde então, Israel lançou ofensivas e passou a ocupar áreas no sul libanês, o que provocou o deslocamento de cerca de um milhão de pessoas.

Mesmo após o acordo de paz, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que pretende manter tropas israelenses por tempo indeterminado nas regiões ocupadas. Por outro lado, o Irã afirma que o pacto prevê cessar-fogo e retirada militar israelense.

Síria é citada como possível ator no conflito

Trump sugeriu que a Síria e seu líder interino, Ahmed al Sharaa, assumam um papel mais ativo no enfrentamento ao Hezbollah. Al Sharaa, ex-jihadista sunita, recebeu elogios do presidente americano.

O republicano afirmou que o líder sírio vem fazendo um “trabalho fantástico” desde que derrubou, no fim de 2024, o ditador Bashar al-Assad.

“Se Israel não consegue fazer o trabalho [contra o Hezbollah] sem matar todo mundo, então ele [Al Sharaa] fará o trabalho. A Síria fará o trabalho”, enfatizou Trump.

Histórico de conflitos no Líbano

O Líbano já havia sido envolvido em disputas regionais décadas atrás. Em 1976, durante a guerra civil libanesa, o então presidente sírio Hafez al-Assad interveio no país. As tropas sírias permaneceram no território por cerca de 30 anos e só deixaram o Líbano em 2005.

Impasse sobre o Hezbollah continua

Apesar das tentativas de acordo, o desarmamento do Hezbollah segue como ponto central de tensão. O grupo é apoiado pelo Irã, enquanto Estados Unidos e Israel defendem sua neutralização.

Trump afirmou ainda que a Síria pode ter papel estratégico nesse processo. Em entrevista anterior à NBC, ele já havia indicado que o presidente sírio estaria disposto a ajudar a enfraquecer o grupo.

Foco também se volta para a guerra na Ucrânia

Após avançar em um acordo no Oriente Médio, Trump afirmou que agora pretende concentrar esforços para encerrar a guerra na Ucrânia. Ele disse que a Rússia deveria fechar um acordo de paz e prometeu atuar nesse sentido.

“Vou fazer tudo o que puder”, disse Trump.

Reuniões no G7 e diálogo com Zelenski

As declarações ocorreram após reunião com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e líderes do G7. Trump classificou o encontro como “muito boa” e afirmou que houve um diálogo construtivo.

Zelenski publicou uma imagem ao lado de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio. “O foco principal é fortalecer a defesa aérea da Ucrânia e avançar na diplomacia para fazer a Rússia encerrar sua guerra”, escreveu.

Diplomatas europeus avaliaram que o tom da reunião foi positivo. Além disso, representantes da União Europeia tentam influenciar as negociações para evitar concessões excessivas à Rússia.

Europa pressiona por reforço à Ucrânia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o cenário mudou em relação aos anos anteriores.

“A maré está virando a favor da Ucrânia. A situação em 2026 é muito diferente da de 2025. A Ucrânia está defendendo bravamente a linha de frente”, publicou no X. “O desgaste da Rússia está cada vez mais evidente. Este é o momento de reforçarmos nosso apoio.”

Enquanto isso, Zelenski busca ampliar o envolvimento europeu nas negociações e reforçar a pressão diplomática contra Moscou. Ele também afirmou ter proposto uma reunião com Vladimir Putin durante o G7, embora o líder russo mantenha resistência a encontros diretos.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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