O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o cenário político brasileiro. Durante entrevista coletiva concedida em Genebra, na Suíça, após a cúpula do G7, Lula afirmou que o líder norte-americano não conhece a realidade do Brasil.

A declaração ocorreu após Trump afirmar que o Brasil se tornou um país “um pouco difícil” e “politicamente perigoso”. Além disso, o presidente dos Estados Unidos disse que o país teria prendido “Bolsonaro Jr.” para impedir sua participação nas eleições.

Lula diz que Trump desconhece o Brasil

Ao comentar as declarações, Lula associou a visão de Trump à proximidade do norte-americano com a família Bolsonaro.

“Se ele [Trump] conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, afirmou Lula.

Na sequência, o presidente brasileiro contestou a fala sobre uma suposta prisão relacionada à família Bolsonaro.

“O [ex-presidente Jair] Bolsonaro já está preso”, corrigiu Lula.

Além disso, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que espera que Trump não interfira no processo eleitoral do país.

“[Só espero que Trump] não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”, afirmou.

Em seguida, Lula acrescentou:

“Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute.”

Presidente defende urnas eletrônicas

Durante a entrevista, Lula também saiu em defesa do sistema eleitoral brasileiro, alvo frequente de questionamentos por parte de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o presidente, o modelo adotado pelo Brasil garante rapidez e eficiência na apuração dos votos.

“Não tem país do mundo que tem um sistema de urna eletrônica como o nosso. em que, duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados da federação, já sabe quem é o presidente eleito, quem são os governadores, quem são os senadores, quem são os deputados”, afirmou.

Lula descarta encontro bilateral com Trump

O presidente brasileiro também descartou a possibilidade de uma reunião bilateral com Trump durante a agenda internacional.

“Eu não tinha o que conversar com ele. Eu não tinha por que pedir bilateral, nós estamos negociando”, disse Lula.

Apesar da declaração, a possibilidade de um encontro chegou a ser debatida nos bastidores do governo brasileiro. Enquanto parte dos auxiliares considerava a conversa uma oportunidade para tratar das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, outros avaliavam que o momento não era politicamente adequado.

Relações entre Brasil e Estados Unidos seguem em debate

As discussões entre os dois países envolvem temas como comércio internacional, tarifas de importação e a proposta norte-americana de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Diante desse cenário, o governo brasileiro tem defendido o princípio da reciprocidade nas relações comerciais. Além disso, o Itamaraty manifestou divergência em relação ao relatório elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e indicou que poderá adotar medidas previstas na legislação brasileira caso as sobretaxações sejam implementadas.

Durante reunião realizada na terça-feira (16), Lula também reforçou a importância do combate ao crime organizado internacional. Ao mesmo tempo, defendeu que as ações nessa área respeitem a soberania dos países e criticou práticas unilaterais nas relações internacionais, sem mencionar diretamente os Estados Unidos.

(*) Com informações do UOL

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