Manaus (AM) – A medalha de ouro conquistada por Lohan Fernando Gomes de Souza, de 13 anos, representa o resultado de anos de dedicação ao esporte. O amazonense alcançou o lugar mais alto do pódio no Campeonato Brasileiro Kids de Jiu-Jítsu 2026, principal competição infantil da modalidade no país.

Morador do bairro Japiim, na Zona Sul de Manaus, o atleta, conhecido nos tatames como “General Boy”, conquistou o título entre os dias 12 e 14 de junho, no Ginásio José Corrêa, em Barueri (SP).

Lohan venceu quatro combates consecutivos, sendo três por finalização e um por pontos. Com o resultado, garantiu a medalha de ouro na faixa laranja, classe Infanto-Juvenil 1, categoria Pluma.

No entanto, a trajetória até o título começou muito antes da primeira luta.

Derrota virou motivação para buscar o título

O Campeonato Brasileiro Kids de 2026 representava uma oportunidade de recomeço. Em 2025, Lohan participou da mesma competição, mas retornou a Manaus sem a medalha que buscava.

A experiência serviu de incentivo para uma preparação ainda mais intensa.

“Eu coloquei na cabeça que precisava dar a volta por cima. Treinei muito mais, me dediquei ao extremo e fui atrás dos meus sonhos. Hoje estou muito feliz porque essa é minha primeira medalha na maior competição nacional de jiu-jítsu”, conta o atleta.

Além dos treinamentos, ele precisou perder quatro quilos para competir na categoria de até 40 quilos. O processo exigiu disciplina e controle físico durante a preparação.

Rifas ajudaram a financiar a viagem

Assim como ocorre com muitos atletas brasileiros, a participação no campeonato também dependeu de apoio financeiro.

Para custear a viagem e as despesas da competição, Lohan participou da organização de rifas. Cada número vendido ajudou a viabilizar a presença no torneio.

“Graças a Deus, à minha família, aos meus treinadores e aos meus colegas de treino, tudo deu certo. Essa medalha é resultado de muito esforço e dedicação”, afirma.

Do projeto social ao pódio nacional

A história de Lohan no jiu-jítsu começou aos seis anos, em um projeto social próximo de sua residência.

Foi nesse ambiente que ele iniciou a trajetória na modalidade e passou a disputar competições locais. Com o passar dos anos, os resultados abriram caminho para desafios maiores.

Há pouco mais de um ano, o atleta ingressou na White House Jiu-Jitsu School. Na equipe, passou a treinar sob a orientação dos professores Diogo Dutra, Lucas Keniano e Josué Braga.

“Quando cheguei à White House fui muito bem recebido. Ali encontrei pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram a evoluir ainda mais”, relembra.

Rotina de treinos e estudos

A conquista nacional é resultado de uma rotina intensa. Atualmente, Lohan divide seu tempo entre os estudos e cinco sessões de treinamento.

A programação inclui funcional, treinamento de alto rendimento, treino técnico, drill — método baseado na repetição de movimentos para aperfeiçoar técnicas — e musculação.

Além disso, o atleta mantém o foco na educação. Aluno do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Luiz Vaz de Camões, no Japiim, ele considera os estudos parte importante de sua formação.

“Tenho uma rotina que não se compara com a de muitos atletas da minha idade. Sei que preciso trabalhar duro para alcançar meus objetivos”, destaca.

Sonho é conquistar o mundo no jiu-jítsu

Apesar da pouca idade, Lohan já definiu suas metas para o futuro. Inspirado pela trajetória construída no esporte, ele pretende conquistar o título mundial de jiu-jítsu na faixa preta e construir uma carreira internacional.

“Meu sonho é ser campeão mundial na faixa preta e morar nos Estados Unidos. Quero usar o esporte para dar uma vida melhor para minha família, que sempre esteve ao meu lado”, revela.

Além do ouro no Brasileiro Kids, o atleta acumula títulos em competições como Amazonense, Manaus Open, Amazon Open, Norte-Nordeste e Copa Cidade Manaus.

Mais do que resultados esportivos, Lohan acredita no papel transformador do jiu-jítsu para crianças e adolescentes.

“Para mim, o jiu-jítsu é vida. É transformação. É o esporte que eu escolhi amar. Além de fazer bem para o corpo e para a mente, ajuda crianças e adolescentes a ficarem longe das coisas erradas”, conclui.

Aos 13 anos, o “General Boy” soma conquistas dentro e fora dos tatames. Sua trajetória mostra como disciplina, dedicação e apoio familiar podem abrir caminhos para a realização de sonhos.

*Com informações da assessoria

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