O vazamento de gás estireno em Manaus levou a Prefeitura a interditar parcialmente a fábrica da Innova, no Distrito Industrial, nesta sexta-feira (17), após a Defesa Civil Municipal identificar riscos relacionados ao incidente.
A decisão ocorreu depois da análise de um laudo técnico elaborado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec). Com isso, o município restringiu o acesso à unidade e autorizou apenas a entrada de equipes de segurança e profissionais envolvidos na contenção do vazamento.
Segundo o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), a medida busca evitar novos problemas enquanto os órgãos responsáveis trabalham para eliminar os riscos identificados.
“Essa interdição parcial tem que ser para trabalhadores e demais pessoas da sociedade, sendo permitido o acesso somente para pessoas da segurança para sanar o risco. Enquanto não for sanado esse problema, somente as pessoas de segurança podem agir”, afirmou o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto.
Drones identificam fissuras e Prefeitura aplica multas
Além da interdição, a Prefeitura de Manaus ampliou as medidas de fiscalização contra a Innova após uma vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) identificar a continuidade do vazamento de gás estireno na unidade.
Durante a inspeção, equipes utilizaram drones equipados com câmeras térmicas, que ajudaram a detectar fissuras em parte do tanque envolvido na ocorrência. A fiscalização apontou a permanência da emissão do composto químico e resultou em uma nova multa de R$ 5,3 milhões.
A penalidade, no valor de 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), corresponde a danos relacionados à poluição de corpo hídrico e solo. Na quinta-feira (16), a empresa já havia recebido outra autuação de R$ 4,5 milhões por poluição do ar causada pela emissão de gases.
Com as duas multas, a Innova soma quase R$ 10 milhões em penalidades aplicadas pelo município. Segundo a Prefeitura, os valores serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA).
Bombeiros mantêm operação no local do vazamento de gás estireno em Manaus
Enquanto a fábrica permanece com acesso restrito, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) continua a operação para resfriar o tanque e interromper totalmente a emissão do estireno.
Para isso, as equipes utilizam sete canhões de água e mantêm o monitoramento da área. Além disso, uma nova avaliação técnica deve definir quando a Innova e as empresas próximas poderão retomar as atividades.
O vazamento começou na quinta-feira (16) e mobilizou órgãos municipais e estaduais de segurança, saúde e defesa civil. Desde então, equipes acompanham a ocorrência por meio de um gabinete de crise.
Saúde registra 211 atendimentos
Além da atuação dos bombeiros, a rede de saúde também acompanha os impactos do vazamento. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que 211 pessoas procuraram atendimento desde o início da ocorrência por possível exposição ao composto químico.
Nesta sexta-feira (17), até as 12h, as unidades estaduais registraram 23 novos atendimentos. Entre os sintomas relatados estão irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão e dificuldade para respirar.
De acordo com a SES-AM, a maioria dos pacientes recebeu atendimento e deixou as unidades de saúde. Apenas uma pessoa continua internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em recuperação e com baixo risco de morte.
Retorno depende de nova avaliação
Além disso, a Prefeitura informou que a interdição continuará até que os órgãos técnicos confirmem a segurança do local e autorizem a retomada das atividades.
Após o fim da operação de contenção, os órgãos responsáveis também devem realizar perícias para identificar as circunstâncias do vazamento e avaliar possíveis responsabilidades.
Enquanto isso, equipes municipais e estaduais seguem acompanhando a situação no Distrito Industrial.
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