O número de pais que procuram os Cartórios de Registro Civil para reconhecer os filhos cresceu no Amazonas. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), 1.821 pessoas reconheceram voluntariamente a paternidade entre 2021 e julho de 2026.
Nos últimos anos, esse movimento ganhou força. Em 2021, os cartórios registraram 148 reconhecimentos. Depois disso, o número chegou a 273 em 2022 e subiu para 345 em 2023. Já em 2024, foram 446 casos. No ano seguinte, os cartórios registraram 419 reconhecimentos. Por fim, de janeiro a julho deste ano, outros 190 casos entraram na estatística.
Apesar desse avanço, milhares de crianças ainda chegam ao registro civil sem a identificação paterna.
Quase 5 mil crianças sem o nome do pai em 2026
Desde 2021, o Amazonas registra, em média, cerca de 8,6 mil crianças por ano apenas com o nome da mãe.
Naquele ano, foram 7.943 registros nessa condição. Em seguida, o número subiu para 9.092 em 2022 e chegou a 9.817 em 2023. Depois, caiu para 8.218 em 2024 e ficou em 8.362 em 2025.
Somente até 28 de julho deste ano, 4.894 crianças já haviam sido registradas sem o nome do pai.
Diante desse cenário, facilitar o reconhecimento voluntário pode ampliar o acesso das famílias à regularização da filiação. Além disso, o procedimento garante direitos que vão muito além da inclusão do nome do pai na certidão.
Entre esses direitos estão identidade civil completa, herança, pensão alimentícia e benefícios previdenciários.
Como fazer o reconhecimento pela internet
Para facilitar o acesso ao serviço, os pais podem iniciar o reconhecimento voluntário pela internet. Para isso, basta acessar a plataforma oficial paternidade.registrocivil.org.br.
Por meio da ferramenta, é possível enviar o pedido de forma digital e acompanhar o andamento do procedimento. Depois, o cartório conclui o reconhecimento conforme os requisitos previstos na legislação.
No Amazonas, a alternativa ganha importância por causa das grandes distâncias entre os municípios. Além disso, famílias que vivem em cidades diferentes conseguem iniciar o processo sem precisar fazer um primeiro deslocamento até um cartório.
Desde o lançamento da plataforma, mais de mil procedimentos já começaram de forma digital.
Mãe também pode indicar o suposto pai
Além dos pais que desejam fazer o reconhecimento, a ferramenta também atende mães que registraram os filhos apenas com a própria identificação.
Nesse caso, a mãe pode indicar eletronicamente o suposto pai. Em seguida, o cartório encaminha o procedimento e adota as medidas previstas na legislação, garantindo os direitos das pessoas envolvidas.
O reconhecimento voluntário pode ocorrer em qualquer fase da vida. Quando o filho é menor de 18 anos, a mãe precisa concordar com o procedimento. Por outro lado, quando o filho já atingiu a maioridade, ele próprio deve autorizar o reconhecimento.
Quais direitos o reconhecimento garante?
O reconhecimento formaliza juridicamente o vínculo entre pai e filho. Dessa forma, a criança ou o adulto passa a contar com os direitos decorrentes da filiação.
Entre eles estão:
- identidade civil completa;
- direitos sucessórios;
- pensão alimentícia;
- benefícios previdenciários;
- segurança jurídica sobre o vínculo familiar.
Além desses direitos, o reconhecimento voluntário produz os mesmos efeitos jurídicos do vínculo estabelecido no registro de nascimento.
“O reconhecimento de paternidade representa muito mais do que a inclusão de um nome na certidão de nascimento. É um ato que fortalece os vínculos familiares, assegura direitos fundamentais e oferece mais dignidade e segurança jurídica às crianças e às suas famílias”, afirmou David Gomes David, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas (ANOREG/AM).
Reconhecimento é gratuito
Por fim, o procedimento é gratuito e pode ser solicitado em qualquer Cartório de Registro Civil do país, mesmo quando o nascimento ocorreu em outro município.
Assim, quem deseja reconhecer voluntariamente a paternidade pode procurar um cartório ou, se preferir, iniciar o pedido pela internet.
Plataforma oficial: paternidade.registrocivil.org.br
