Usuários do Google clicam em links em apenas 8% das buscas que já exibem um resumo gerado por inteligência artificial no topo da página, segundo o Pew Research Center. O instituto acompanhou 900 adultos nos Estados Unidos ao longo de março de 2025 e identificou esse tipo de resumo em 18% de todas as consultas feitas no período. A pesquisa também mediu o comportamento sem esse resumo automático: a taxa de clique em um resultado tradicional sobe para 15%, quase o dobro.
O Google reforçou exatamente esse critério nos bastidores do próprio algoritmo. Em dezembro de 2022, a empresa frisou a importância de compartilhar evidências de experiência real com produtos, serviços ou assuntos tratados, e não apenas a repetição correta de palavras-chave ao longo do texto. A mudança reduziu em 45% o volume de conteúdo pouco original nos resultados, conforme o próprio Google constatou em 2024.
Desde então, páginas que descrevem produtos ou serviços em termos genéricos competem em desvantagem tanto no ranqueamento quanto na disputa por espaço dentro dos resumos gerados por inteligência artificial, que citam preferencialmente fontes com informação específica e verificável. Pressionadas dos dois lados, tanto pelos motores de busca quanto pelos clientes, parte das empresas passou a dividir o trabalho de produção de conteúdo entre equipes internas e fornecedores especializados. Entre eles está a consultoria SEO, indicada por especialistas para reorganizar páginas de produto e de conteúdo em torno de dados concretos e da intenção real de busca do usuário, deslocando o foco de palavras-chave isoladas para respostas detalhadas.
Falta de informação faz 30% desistir da compra
Um estudo do Baymard Institute, citado em artigo do periódico acadêmico International Journal of Retail & Distribution Management, mostra que 30% dos compradores on-line abandonam o carrinho quando a página do produto não oferece informação suficiente ou traz dados incompletos sobre o item.
“Quando falamos em ar condicionado potente, por exemplo: potente quanto? Ele dá conta de qual ambiente? Como isso funciona?”, exemplifica a diretora da Associação Nacional das Agências de Marketing, Inovação e Digital (AnaMid) e CEO da Experta, Flávia Crizanto. Segundo a especialista, esse tipo de lacuna compromete a leitura que os mecanismos de busca fazem da página, porque o conteúdo deixa de responder de forma completa à pergunta que motivou a pesquisa.
Especialista é moeda de troca com a imprensa
Levantamento da BuzzStream com mais de 150 profissionais de relações públicas digitais ao redor do mundo, publicado em fevereiro de 2026, aponta que divulgar comentários de especialistas e produzir conteúdos baseados em dados são as táticas mais usadas por quem tenta emplacar pauta com jornalistas, citadas por 95,9% dos respondentes no caso do conteúdo orientado a dados.
Conquistar link de qualidade segue sendo o objetivo mais citado dessas campanhas, apontado por 85,1% dos profissionais consultados, enquanto a menção em respostas geradas por inteligência artificial (IA) já aparece como resultado almejado por 66,2% deles. Cresce, em paralelo, a contratação de agência de PR (relações públicas) para posicionar especialistas internos e materiais técnicos como fontes confiáveis diante de veículos jornalísticos e especializados.
Menção à marca pesa mais que link na resposta de IA
Outro estudo, este da Ahrefs com 75 mil marcas, identificou que o volume de menções a uma marca em páginas de terceiros é o fator com correlação mais forte à presença nas respostas de inteligência artificial do Google, à frente do volume de backlinks e da autoridade de domínio, com coeficiente de correlação de Spearman de 0,664. Uma atualização do mesmo estudo, divulgada em dezembro de 2025, apontou que menções em vídeos do YouTube têm correlação ainda mais alta, de 0,737.
Ainda assim, backlinks não perdem função: seguem como base dos mecanismos de busca tradicionais, o que mantém em alta a procura por serviços de link building voltados a conquistar citações espontâneas de outros sites, e não apenas menções soltas de marca. Segundo a Backlinko, que analisou 11,8 milhões de resultados do Google em parceria com a Ahrefs em estudo atualizado em abril de 2025, o primeiro colocado da primeira página tem, em média, 3,8 vezes mais backlinks do que as posições de segundo a décimo lugar.
Google cobra experiência real desde 2022
O Google mantém, desde 2022, uma página oficial com orientações para criadores de conteúdo, intitulada “Como criar conteúdo útil, confiável e que prioriza as pessoas”. Nela estão perguntas de autoavaliação sobre se o texto demonstra conhecimento de primeira mão, se responde à pergunta do usuário e se seria publicado mesmo sem expectativa de tráfego vindo da busca. A orientação também recomenda que o site evite publicar grande volume de conteúdo sobre temas fora de sua especialidade, prática identificada pela própria empresa como sinal de baixa utilidade.
“O modelo de criar conteúdo só para o Google e monetizar com anúncios está praticamente morto: o Google mudou as regras e passou a entregar a resposta pronta sem que o usuário precise clicar no site”, afirma Lisane Andrade, fundadora da Niara.ai.
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