No meu dia a dia no consultório, percebo que muitas pessoas ainda têm dúvidas, receios ou até vergonha de falar sobre infecções sexualmente transmissíveis. No entanto, a informação correta é a nossa melhor ferramenta de prevenção e cuidado. A gonorréia é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns em todo o mundo. Causada por uma bactéria, ela pode afetar tanto homens quanto mulheres, mas a forma como a doença se manifesta no corpo de cada um é bastante diferente. É justamente aí que mora o perigo.
Nos homens, os sintomas costumam ser muito claros e incômodos. Geralmente, o paciente nota a saída de uma secreção amarelada ou esverdeada pelo canal da urina, acompanhada de uma dor intensa ou ardência ao urinar. Por serem sintomas tão evidentes e desconfortáveis, os homens tendem a procurar o consultório médico com muito mais frequência e rapidez para realizar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. Por outro lado, o cenário nas mulheres é muito mais preocupante devido ao silêncio da infecção.
Cerca de 60% das mulheres não apresentam nenhum tipo de sintoma no início da doença. Sem perceber que estão infectadas, elas deixam de buscar ajuda médica. Essa ausência de sintomas faz com que a bactéria permaneça no organismo por muito tempo, o que pode evoluir para complicações graves, como a infertilidade e uma infecção grave da cavidade abdominal chamada peritonite.
Qualquer pessoa que tenha uma vida sexual ativa pode contrair a gonorréia, independentemente da idade. Contudo, observamos na prática clínica que a doença surge com maior frequência em jovens de até 25 anos. Isso acontece porque, nessa faixa etária, é mais comum o comportamento de risco, que inclui ter relações sexuais com um maior número de parceiros e, infelizmente, sem o uso de proteção. Nos últimos anos, a gonorréia tem ganhado ainda mais evidência nos congressos médicos e nos canais de saúde devido ao surgimento de formas da bactéria que são multirresistentes aos antibióticos tradicionais.
São as chamadas superbactérias. Esse fenômeno torna o tratamento muito mais complexo e reforça a necessidade de usar os medicamentos corretos apenas sob estrita prescrição médica, evitando a automedicação que agrava o problema. Hoje em dia, o diagnóstico é feito de forma simples e muito precisa. Além da avaliação clínica que realizo no consultório, utilizamos exames genéticos modernos feitos na urina ou através do raspado da secreção da uretra.
Quando identificamos a bactéria, iniciamos o tratamento imediatamente. É fundamental compreender que o tratamento adequado não serve apenas para curar o paciente, mas também para cortar a linha de transmissão. Se a pessoa infectada não se trata, ela continua transmitindo a doença para seus parceiros. Nas mulheres grávidas, o cuidado deve ser redobrado, pois a infecção pode ser transmitida para o feto durante a gestação ou no momento do parto. A boa notícia é que a gonorréia é uma doença altamente prevenível. A prevenção é simples e está ao alcance de todos: o uso regular e correto do preservativo, seja ele masculino ou feminino, em todas as relações sexuais.
Para encerrar, quero destacar um aspecto que sempre alerto aos meus pacientes. A gonorréia não costuma andar sozinha. Outras infecções, como a clamídia e o HIV, compartilham a mesma porta de entrada e decorrem do mesmo comportamento de risco. Por isso, na medicina, costumamos dizer que essas doenças andam juntas e podem aparecer na mesma pessoa ao mesmo tempo. Cuidar da sua saúde sexual é um ato de amor-próprio e de respeito com o próximo. Se você notar qualquer sintoma ou se teve alguma relação desprotegida, não hesite em procurar um urologista de sua confiança. Proteja-se e faça seus exames preventivos regularmente.

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