No meu dia a dia como urologista, vejo muitas pessoas sofrendo em silêncio por causa de um problema que tem nome, sobrenome e, acima de tudo, tratamento. A bexiga hiperativa é uma síndrome que se traduz por aquela vontade urgente e incontrolável de urinar, que muitas vezes vem acompanhada pelo aumento das idas ao banheiro durante o dia e a necessidade de levantar várias vezes à noite para o mesmo fim. O grande problema é que o diagnóstico costuma ser muito retardado. Como consequência, o alívio dos sintomas também demora a chegar.

Muitos pensam que isso é exclusividade dos homens por conta da próstata, mas a verdade é que a bexiga hiperativa é ainda mais comum nas mulheres. Em algumas regiões do mundo, a prevalência chega a passar dos 40% no público feminino. Aqui no Brasil, os números impressionam: cerca de 25% das mulheres e 21% dos homens acima dos 40 anos convivem com essa condição. Ao todo, estimamos mais de 20 milhões de brasileiros afetados. É muita gente.

Como médico, o que mais me preocupa é o impacto devastador que isso traz para a qualidade de vida. Não estamos falando apenas de ir ao banheiro; estamos falando de restrição de liberdade. É extremamente comum ver pacientes que precisam “mapear” mentalmente os banheiros de um trajeto antes mesmo de sair de casa. Os dados mostram bem esse peso: 40% das pessoas com a síndrome têm problemas no trabalho. 20% enfrentam a depressão associada ao quadro. 15% sentem reflexos negativos e dificuldades no relacionamento íntimo.

Mesmo diante de tanto sofrimento, cerca de 25% dos portadores nunca procuram ajuda médica. E aqueles que decidem buscar auxílio costumam demorar até 2 anos para marcar a primeira consulta. Por que isso acontece? Infelizmente, por causa do tabu, da vergonha, do constrangimento e da falsa crença de que perder o controle da bexiga é “normal da idade”. Não, não é normal.

O meu papel no consultório começa ouvindo você. O diagnóstico da bexiga hiperativa é basicamente clínico, feito por meio de uma boa conversa e exames simples para afastar outras doenças. A boa notícia é que você não precisa se isolar ou aceitar esse desconforto. A primeira linha de tratamento envolve mudanças comportamentais (como ajustar a ingestão de líquidos), fisioterapia pélvica e medicamentos específicos. Cuidar da sua saúde urinária é devolver a você o controle da sua própria rotina. Se você se identificou com esses sintomas, não espere mais: procure um urologista e recupere a sua qualidade de vida.

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