A ADATA está transferindo a fabricação de servidores de Santo Antônio de Posse (SP) para Manaus, onde prepara também a produção de modelos de alta performance para grandes data centers e aplicações de inteligência artificial. A unidade amazonense, inaugurada em 2021, dobrou sua área fabril em fevereiro de 2026 com um segundo galpão e continuará produzindo memórias e SSDs, dispositivos de armazenamento de dados.

A operação será realizada sob contrato, em parceria com a Giga Computing, subsidiária da Gigabyte. Os servidores não terão a marca ADATA, mas poderão incorporar componentes produzidos pela própria companhia.

“Embora esses servidores não levem a marca ADATA, trata-se de uma operação de manufatura sob contrato, e esses equipamentos podem incorporar módulos de memória e SSDs fabricados pela própria ADATA”, explica Nivaldo Gagliardo, vice-presidente de Operações da ADATA Technology Brasil, em entrevista exclusiva à coluna.

A transferência abrangerá servidores em torre e em rack, utilizados em diferentes ambientes corporativos, com ampliação para modelos de maior desempenho. “Toda essa capacidade de manufatura está sendo transferida para Manaus e, de forma ampliada, passará a incluir também servidores de alta performance, versáteis e escaláveis, preparados para atender às exigências de desempenho e eficiência de data centers de grande escala e cargas de trabalho de inteligência artificial”, detalha.

A implantação exigirá uma área de testes com climatização específica para suportar o calor gerado pelos equipamentos, além de treinamento e ampliação da equipe técnica. A unidade de Manaus já mantém profissionais de engenharia, testes, tecnologia da informação e pesquisa e desenvolvimento, com projetos realizados também em parceria com institutos locais.

A nova linha aproveitará os controles industriais utilizados pela ADATA no Brasil, com rastreabilidade gerenciada por sistemas eletrônicos de chão de fábrica. Segundo o executivo, a produção seguirá os padrões de qualidade e segurança exigidos pelo parceiro internacional, enquanto os profissionais de engenharia receberão treinamentos específicos para essa família de equipamentos.

O avanço abre espaço para novas competências industriais, embora a nacionalização tenha limites. “As possibilidades de nacionalização de insumos são mais restritas, concentrando-se principalmente nos módulos de memória, SSDs e embalagens”, afirma Gagliardo.

O foco permanece no mercado brasileiro: a expectativa é que cerca de 90% da produção da ADATA no país atenda à demanda doméstica no curto e no médio prazo.

Fundada em Taiwan em 2001, a empresa cresceu no mercado de memória e armazenamento e criou a marca gamer XPG em 2008. No Brasil, sua expansão inclui financiamento de R$ 290 milhões anunciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2024 para novas tecnologias de memória, recurso destinado à operação nacional.

Ainda em implantação, a linha de servidores aproxima o Polo Industrial de Manaus (PIM) da infraestrutura que sustenta a inteligência artificial. Seu alcance também estará na ampliação das competências de engenharia e testes e nas conexões com fornecedores e instituições de pesquisa.

A corrida pela IA pode pesar na indústria de Manaus

A expansão da inteligência artificial pode chegar às fábricas de Manaus pelo custo dos componentes. O alerta da Samsung sobre a escassez de memórias usadas em sistemas de IA interessa ao Polo Industrial de Manaus (PIM), especialmente aos fabricantes de celulares, computadores e produtos de informática.

Segundo a Reuters, em reportagem publicada pela CNN Brasil, a companhia informou que sua oferta de memórias HBM para 2027 já está comprometida e prevê um mercado restrito até 2028. Esses componentes permitem a rápida transferência de grandes volumes de dados, necessária ao funcionamento dos processadores de inteligência artificial.

A relação com Manaus exige uma distinção: essas memórias não são as mesmas utilizadas em todos os eletrônicos produzidos no polo. A pressão pode ocorrer pela distribuição da capacidade industrial dos fornecedores. Ao ampliar a fabricação de componentes para IA, eles precisam decidir quanto destinar às demais aplicações. A consultoria TrendForce aponta que esse movimento pode restringir a oferta de memórias convencionais usadas em computadores e dispositivos móveis.

Esse cenário, aqui no polo, pode elevar os custos e dificultar o planejamento das compras. Antecipar pedidos exige mais capital de giro; manter estoques maiores aumenta as despesas; e substituir componentes depende de avaliações técnicas. Conforme os contratos e a disponibilidade dos insumos, essa pressão pode reduzir as margens das empresas ou ser repassada ao consumidor.

A expansão da infraestrutura digital também abre oportunidades para o PIM. Aproveitá-las, porém, exige qualificação, desenvolvimento de fornecedores e acesso regular aos componentes. Enquanto a inteligência artificial movimenta investimentos bilionários pelo mundo, a indústria amazonense precisa acompanhar quem terá prioridade no abastecimento – e a que preço.

BASF une tecnologia e insumos do Amazonas para criar ingrediente cosmético inovador

A andiroba coletada de forma sustentável no Médio Juruá acaba de ganhar uma nova aplicação na indústria global de cuidados pessoais. A BASF lançou o Cetiol Forest CG, um emoliente de alto desempenho para produtos de pele e cabelo desenvolvido a partir do óleo de andiroba da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Uacari, em Carauari (AM). O diferencial tecnológico do processo está na economia circular e na química verde: a rota aproveita integralmente a matéria-prima – incluindo frações de alta acidez descartadas pelo mercado convencional, transformando-as em um éster -, e substitui o metanol por etanol renovável na transformação do insumo.

O ingrediente marca o lançamento comercial da Standing Forest, iniciativa apresentada globalmente pela BASF em 2026 para conectar a biodiversidade amazônica a cadeias de fornecimento responsáveis. Com este projeto, a companhia estima impactar positivamente cerca de 1.200 pessoas em 25 comunidades tradicionais. O modelo de negócio assegura a capacitação para o manejo florestal e garante a repartição de benefícios pelo uso do conhecimento tradicional associado à andiroba.

O avanço responde a um diagnóstico contundente do plano de trabalho 2024–2028 do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), ligado à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Embora a Amazônia exporte 64 produtos da sua sociobiodiversidade (envolvendo extrativismo não madeireiro, pesca e horticultura), estas vendas geram cerca de US$ 298 milhões anuais. O valor representa apenas 0,17% de um mercado global estimado em US$ 176,6 bilhões para os mesmos produtos. Como vetor de transformação, o PPBio direcionou R$ 24,6 milhões entre 2019 e 2023 para apoiar 30 iniciativas inovadoras em 15 cadeias produtivas no Norte do país.

RÁPIDAS & BOAS

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) está com inscrições até quinta-feira (5/11) para o mestrado em ‘Agricultura no Trópico Úmido’. São ofertadas 15 vagas para ingresso no primeiro semestre de 2027. Segue link para outras informações (https://tinyurl.com/2mjt2666).


A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), promove nos dias 5 e 6/11, das 8h às 12h, o 29º Encontro de Relações Públicas, com o tema Comunicação e Poder. Entre as participantes anunciadas estão Wilsa Freire, do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT); Tainara Costa, da Bemol; Larissa Prado, da Fiocruz; e Vivian França, da Rede Amazônica. O evento será realizado no Auditório Senador João Bosco, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em Manaus. Segue link para inscrição gratuita (https://tinyurl.com/m75dxzvr).

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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