O entendimento da população brasileira sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) revela um cenário marcado por divisão política, conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada na quinta-feira (1º).
O levantamento indica que 51% dos entrevistados consideram que Bolsonaro deveria estar preso, enquanto 42% acreditam que a prisão seria resultado de perseguição política. Outros 7% não souberam ou preferiram não se posicionar.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, episódio que tem gerado debates intensos e aprofundado divergências na opinião pública.
Os resultados mostram que as avaliações variam significativamente de acordo com a orientação ideológica e o comportamento eleitoral dos entrevistados.
Avaliação da condenação
Entre os que defendem que o ex-presidente merece a prisão, há predominância de eleitores de esquerda. Nesse grupo, 91% declararam ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição, e 89% se identificam como eleitores de esquerda, mesmo sem terem votado no petista.
Entre os eleitores independentes, 54% compartilham da opinião de que Bolsonaro deveria estar preso, indicando que essa visão também tem respaldo fora dos polos ideológicos tradicionais.
No campo da direita, a percepção é majoritariamente contrária. Apenas 14% dos eleitores de direita concordam com a prisão do ex-presidente, percentual que cai para 4% entre os bolsonaristas, mostrando baixa aceitação da condenação entre seus apoiadores mais próximos.
Eleitores de direita veem perseguição política
A interpretação de que a prisão de Bolsonaro representa perseguição política também varia conforme a orientação política. Entre os que defendem essa visão, 11% se identificam como eleitores de esquerda.
Entre eleitores de direita, 82% acreditam que há perseguição, chegando a 94% entre bolsonaristas. Já 36% dos independentes compartilham dessa avaliação.
Os números evidenciam o contraste de opiniões entre diferentes grupos políticos sobre a condenação do ex-presidente. Enquanto uma parcela associa o caso a motivações políticas, outra rejeita essa interpretação.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 11 e 14 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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