O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o premiê foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o Conselho de Paz dedicado à reconstrução da Faixa de Gaza, segundo o jornal israelense Times of Israel. Até o momento, o gabinete de Netanyahu não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

O convite de Trump foi enviado a líderes de diversos países, incluindo o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o argentino Javier Milei e o russo Vladimir Putin.

Reações e avaliação de governos

Como mostrou a Folha, auxiliares do governo brasileiro avaliam a participação do país no órgão. Inicialmente, Netanyahu criticou a iniciativa, afirmando que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que o plano contraria a política israelense. “Israel é particularmente contrária à breve citação à estabilização de Gaza como parte de um caminho crível para a criação de um Estado palestino”, disse.

Netanyahu tem sido criticado dentro e fora de Israel por manter o conflito com o Hamas após os ataques de 7 de outubro de 2023, em parte por interesses políticos. O premiê também possui mandado de prisão aberto no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra supostamente cometidos durante ações israelenses no território palestino, justamente onde a reconstrução será foco do conselho.

Estrutura e objetivos do Conselho de Paz

O Conselho de Paz proposto por Trump funcionará como um órgão de supervisão de um comitê composto por técnicos palestinos para gestão provisória de Gaza. O projeto faz parte da segunda fase do plano de paz norte-americano, que visa reconstruir o território após mais de dois anos de guerra e bombardeios.

Segundo a proposta, o conselho será presidido pelo próprio presidente americano e terá a função de estabelecer a estrutura e administrar o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas.

Ainda não há detalhes claros sobre o funcionamento do órgão, mas o governo Trump pretende exigir pagamentos de ao menos US$ 1 bilhão de países que queiram um assento permanente. As decisões serão tomadas por maioria, mas dependerão da aprovação final do presidente americano.

Participação internacional

Foram convidados países da Europa, Ásia e Oriente Médio, como França, Alemanha, Polônia, Jordânia, Egito, Turquia e Cazaquistão. Líderes como Tony Blair e enviados de Trump para negociações de conflitos também receberam convite.

Segundo Michael Shifter, professor da Universidade de Georgetown: “Trump está dizendo que é um líder de conquistas. É como se estivesse afirmando ‘venham comigo e façam parte deste bloco vitorioso’, e a mensagem é ‘você está comigo ou está contra mim’”.

A França confirmou o recebimento do convite, destacando seu compromisso com a Carta das Nações Unidas e o multilateralismo, mas ainda não respondeu se aceitará participar do conselho.

O convite de Trump a países sem ligação direta com o conflito, como Brasil e Argentina, sugere que o presidente americano deseja criar uma instituição internacional paralela às Nações Unidas, mas sob sua liderança.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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