A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que a eliminação da escala de seis dias de trabalho seguidos por apenas um de folga (6×1) é uma das prioridades do governo federal para este ano.
Em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (28), ela afirmou que o Executivo pode enviar ao Congresso um projeto que unifique as propostas já em tramitação sobre o tema, com expectativa de aprovação ainda no primeiro semestre.
“Depois do presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] ter feito a correção do salário mínimo por aumento real, ter conquistado mais empregos para população, ter feito a isenção do imposto de renda [IR] para quem ganha até R$ 5 mil, está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, declarou Gleisi.
“Não é possível que as pessoas tenham um dia só por semana para descansar e para terem os seus afazeres domésticos e pessoais. Isso atinge principalmente as mulheres. Então, o presidente Lula está determinado”, acrescentou a ministra.
Motivação
Gleisi destacou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, “é simpático” à discussão do tema e que cabe ao governo lutar pela aprovação.
Ela acredita que o projeto conta com apoio popular e, assim como a isenção do IR, tende a receber adesão ampla do parlamento.
“[O IR] foi um projeto que nós aprovamos por unanimidade nas duas casas do Congresso Nacional. Então, quando você tem a opinião pública, quando você mostra certeza de uma proposta, eu acho que a casa se mostra sensível”, afirmou, lembrando que setores produtivos, como a indústria, já adotam escalas diferenciadas.
Com a retomada dos trabalhos legislativos no dia 2 de fevereiro, a ministra listou outras prioridades do governo, incluindo:
- Aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia;
- Regulamentação do trabalho por aplicativos;
- PEC da Segurança Pública;
- Projeto de lei antifacção; e
- Medidas provisórias como o programa Gás do Povo e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
O governo também busca manter o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria. O projeto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
“Nós estamos conversando com os líderes, com os deputados, nosso objetivo é manter o veto, achamos que isso é importante. Esse processo de responsabilização da tentativa de golpe se deu dentro do devido processo legal e ele é pedagógico. Qualquer situação que mexa nisso, inclusive, porque ainda estamos com o processo em andamento, vai ser muito ruim para a democracia e para o Estado Democrático de Direito”, defendeu.
A ministra anunciou ainda que os Três Poderes assinarão, em 4 de fevereiro, um pacto voltado ao enfrentamento do feminicídio, tema prioritário para o presidente Lula.
Emendas parlamentares
Sobre a relação com o Congresso, Gleisi afirmou que o tema das emendas parlamentares está “pacificado”.
O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas, sendo aproximadamente R$ 37,8 bilhões impositivas, de execução obrigatória.
O governo pretende antecipar o pagamento de pelo menos 65% dessas emendas até julho, sendo elas transferências fundo a fundo ou diretas.
“Não temos compromisso de execução de emendas que precisam de convênio e de emendas de comissão”, esclareceu.
Gleisi explicou que as emendas parlamentares permitem que deputados e senadores destinem recursos do orçamento público a obras, serviços ou projetos em suas regiões.
Elas vêm sendo discutidas no Supremo Tribunal Federal e são conhecidas popularmente como “orçamento secreto”.
Investigação do Banco Master
Sobre investigações de fraudes financeiras no Banco Master, a ministra disse que a oposição tenta ligar membros do governo ao banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o presidente Lula.
“O presidente recebe muita gente, já recebeu Vorcaro, já recebeu outros presidentes de banco. Isso é da natureza do cargo presidencial, conversar com todos da sociedade. Não vejo problema nenhum em relação a isso. O que importa é que o presidente deu uma orientação para que esse caso fosse acompanhado e apurado de maneira técnica e com rigor da lei. E isso está sendo feito”, afirmou Gleisi.
A ministra explicou ainda que Lewandowski prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após deixar o STF, mas se desvinculou dos contratos ao assumir a pasta no governo Lula.
“Quando o presidente Lula convidou o ministro Lewandowski, ele sabia que o ministro tinha contratos privados e o ministro informou que ia cumprir a lei e desvencilhar-se de todos os contratos, o que fez. Não há problema, irregularidade nenhuma, crime nenhum ele ter contrato de consultoria”, disse Gleisi.
Ela ressaltou que toda a apuração da Polícia Federal sobre o Banco Master ocorreu sob a gestão de Lewandowski, incluindo a prisão de Vorcaro, e reforçou que a oposição tenta ligar o governo a esse caso.
Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro e outros envolvidos foram alvos da Operação Compliance Zero, da PF, que investigou a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo tentativa de compra da instituição pelo BRB. As fraudes podem ter atingido R$ 17 bilhões.
Para a ministra, a oposição tem mais explicações a dar do que o governo, citando outros casos envolvendo a Rioprevidência e o Banco Master. Governadores do Distrito Federal e do Rio de Janeiro, Ibaneis Rocha (MDB) e Cláudio Castro (PL), fazem parte da oposição ao governo Lula.
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