Nascido em Manaus, Amazonas, o bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Jorge Elias Costa de Oliveira (Republicanos), construiu uma sólida carreira na esfera da administração pública. De 2021 a 2025, foi titular da gestão esportiva do Governo do Estado do Amazonas, sendo Diretor-Presidente da Fundação Amazonas de Alto Rendimento (Faar) e Secretário da Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel), onde criou e coordenou programas socioesportivos, como o Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (Pelci), que está presente em polos e núcleos em várias localidades do estado do Amazonas, e o Programa RespirAR, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e referência em recuperação de pessoas acometidas pela Covid Longa e no combate ao sedentarismo de crianças, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Os quais concorrem a uma premiação no ONU Social.
Pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal, Jorge Oliveira fala, em entrevista, sobre suas propostas de pré-campanha, relembra suas ações à frente da Sedel e FAAR, a importância da prática esportiva, o que pensa sobre o cenário político no Brasil e também sobre os principais desafios de sua pré-candidatura. Confira trechos da entrevista:
EM TEMPO – Quais os principais destaques de sua gestão à frente da Secretaria de Estado de Desporto e Lazer (Sedel)?
Jorge Oliveira – Minhas principais ações são iniciativas que foram criadas durante a nossa gestão. Programas reconhecidos nacional e internacionalmente, a exemplo do RespirAR, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o melhor programa no período pós-COVID, que recuperou mais de 500 mil amazonenses das sequelas causadas pela doença, utilizando as ferramentas da fisioterapia com a educação física. Isso gerou bem-estar na população, permitindo que pudessem seguir com sua vida normal, entre aspas, durante o período pós-pandemia. Outro programa que posso destacar é o PELCI, com ações na capital e no interior, que foi criado por nós e abrange crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, com mais de 15 modalidades. O curso de defesa pessoal fermina, considerado uma das principais políticas públicas de esporte e proteção social voltadas às mulheres no estado e que atualmente já beneficiou mais de 4 mil mulheres, fortalecendo a autonomia, a prevenção à violência e o acesso ao esporte em Manaus e no interior. Todos se tornaram uma política de Estado, pois já estão dentro do orçamento da Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel).

ET – Neste período, quais estratégias o senhor implementou para fortalecer a inclusão social no esporte local?
JO – O esporte é a maior ferramenta de inclusão social do país. Então, quando olhamos para ele, percebemos que pode gerar essa oportunidade, principalmente nas periferias. Quando chegamos, o esporte era muito centralizado na Vila Olímpica; pensamos maior. O que fizemos: realizamos a manutenção da Vila Olímpica e levamos para os bairros de Manaus e para o interior do Amazonas a mesma qualidade do esporte da Vila Olímpica. Posso te dizer que, nos últimos quatro anos e meio, nunca o esporte do interior do Amazonas teve tanta visibilidade e inclusão. As comunidades e bairros precisam, principalmente, do interior do Amazonas. Esse resultado foi tão efetivo que enviamos Pedro Nunes, de Parintins, para as Olimpíadas de 2024, competindo na modalidade Atletismo – Lançamento de Dardo. Maria de Fátima, de Tefé, também foi para as Paralimpíadas, sendo a primeira mulher do município a representar o estado na competição e na modalidade de halterofilismo, atualmente ocupando a quinta posição no ranking mundial. Ela conquistou a medalha de bronze paralímpica para o Amazonas, doze anos depois do atleta Sandro Viana. Além de Elielton Brito, que representou o Amazonas nas Paralimpíadas de Judô, e Laiana Rodrigues, que participou na modalidade Vôlei Sentado, também nas Paralimpíadas. Ou seja, quatro atletas foram enviados para as Olimpíadas, dois do interior e dois da capital.
ET – Atualmente, como o senhor avalia o esporte no Amazonas? Há perspectivas de destaques dos nossos atletas em outros estados, por exemplo?
JO – O esporte amazonense está em estabilidade. Hoje você pode contar com programas que permaneceram como política de estado, com investimentos já direcionados pelo Governo do Amazonas para os atletas. Sabemos que podemos mais. Eu considero que a lei de incentivo ao esporte, que já está autorizada e que já foram recriados a Sedel e os Conselhos, será o marco regulatório do esporte do futuro.
ET – Como o senhor acredita que crianças e jovens do Amazonas podem ser incentivados a praticar esportes?
JO – Hoje, percebemos que 55% dos amazonenses estão acima do peso, então o esporte entra como uma ferramenta de estabilização da saúde, mas, principalmente, como uma opção para que crianças e adolescentes possam se distanciar um pouco das redes sociais e das telas do mundo virtual. O esporte surge como essa ferramenta de esperança e inclusão, pois conseguimos enxergar no esporte um caminho para a ascensão social. Acredito que essa visão do investimento direto nos atletas nos ajudará a tirar de vez o esporte amazonense do abismo em que ficou por tantos anos.
ET – Estamos em um ano eleitoral. Qual sua avaliação do atual sistema político?
JO – Nosso sistema político precisa olhar para o povo. O povo precisa que seus representantes estejam preparados e comprometidos com a causa. Minha experiência como trabalhador do Distrito Industrial me faz ver a importância da Zona Franca de Manaus e sua relação com a reforma tributária; a partir de 2030, o único local no Brasil que receberá esses investimentos fiscais será a Zona Franca de Manaus, que possui importância para o Amazonas e para a floresta amazônica. O sistema político precisa entender que essa instabilidade de direita e de esquerda, que ocorre na ponta, não faz diferença, pois o que o povo precisa é de um serviço público bem executado.
ET – Da sua parte, existem pretensões políticas para este ano? Quais são suas propostas?
JO – Como pré-candidato a deputado federal, tenho dedicado meu tempo a propor debates sobre os grandes desafios do nosso estado. Minha trajetória sempre foi conectada ao esporte, à juventude e às causas sociais, que considero pilares para o desenvolvimento humano. Além disso, acredito que o futuro do Amazonas depende da defesa da Zona Franca de Manaus e, ao mesmo tempo, da exploração de novas matrizes econômicas. Temos um potencial enorme em áreas como a bioeconomia e o crédito de carbono, que podem gerar renda para quem vive na floresta e a mantém em pé, além de fortalecer a exploração de recursos como o gás em Silves e o potássio em Autazes.
ET – O senhor citou como um de seus pilares projetos voltados para a aplicação e comercialização do crédito de carbono. Como você vê essa perspectiva e o que pode ser feito no Amazonas?
JO – No caso do crédito de carbono social, acredito que todas as famílias e todos os detentores de terras com menos de 18 mil hectares poderão acessar esse tipo de crédito. É uma política pública que precisa ser estudada e regulamentada, e que os órgãos que trabalham diretamente a favor do povo, como a Defensoria, o Ministério Público e o próximo governo, devem defender essa causa. É preciso regulamentar para que nosso povo, os quilombolas, ribeirinhos, povos originários e indígenas possam ter acesso a esse tipo de crédito. Tenho certeza de que essa será a bandeira do futuro estado do Amazonas.
ET – O senhor era filiado ao União Brasil e agora faz parte do Republicanos. Segue no mesmo partido e também continua no arco de aliança do Governador Wilson Lima?
JO – Hoje, estou filiado ao Republicanos e sigo no arco de aliança do Governador Wilson Lima. Tive a oportunidade de contribuir com a gestão, onde pautei meu trabalho pela transparência. Agora, como pré-candidato a deputado federal, coloco meu nome e minha experiência à disposição para um novo desafio.
ET – Você deixou de ser secretário, mas a secretaria não saiu de você. Como você desenvolve os projetos hoje paralelamente, mesmo não estando no cargo?
JO – Nós somos um grupo. O atual secretário, Diego Américo, é um grande amigo e sonhador. Tenho certeza de que ele conseguirá realizar uma grande gestão. O que podemos fazer é sempre pedir, solicitar, abrir portas, pois sabemos que o esporte precisa desse incentivo..
