A Amazônia continental, que ultrapassa fronteiras nacionais e conecta povos de oito países sul-americanos (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), representa uma das regiões mais estratégicas do planeta, não apenas pela riqueza ambiental, mas sobretudo pelo potencial humano, econômico e logístico ainda subaproveitado. 

Pensar o futuro da Amazônia exige superar visões fragmentadas e reconhecer que seus desafios e oportunidades devem ser compartilhados. A cooperação e a integração entre as sociedades amazônicas surgem como instrumentos essenciais para promover desenvolvimento sustentável, prosperidade econômica e inclusão social.

Historicamente, a Amazônia foi tratada mais como periferia dos centros nacionais do que como um espaço de convergência continental. Essa lógica produziu isolamento econômico, baixa integração logística, déficits históricos de infraestrutura e dificuldades na geração de emprego e renda. No entanto, os problemas enfrentados — saneamento precário, urbanização desordenada e desigualdade social, por exemplo — são comuns a toda a região, independentemente das fronteiras políticas.

A cooperação entre as sociedades amazônicas pode transformar essa realidade ao criar sinergias regionais. A integração econômica permite ampliar mercados, reduzir custos logísticos, estimular cadeias produtivas sustentáveis e fortalecer o empreendedorismo local. O intercâmbio de conhecimento técnico, soluções urbanas e políticas públicas bem-sucedidas acelera a capacidade de resposta dos governos diante de desafios tão complexos.

Nesse sentido, torna-se também essencial o estímulo ao empreendedorismo e à ampliação de parcerias público-privadas, de forma a criar um ambiente favorável à inovação e ao crescimento econômico, sem abrir mão da responsabilidade ambiental e social que caracteriza a Amazônia.

Foto: Divulgação

A integração amazônica, penso eu, deve ser baseada em três pilares fundamentais: infraestrutura conectada, com investimentos em mobilidade urbana, logística regional e saneamento básico; ambiente econômico favorável, capaz de atrair investimentos sustentáveis e gerar oportunidades para pequenos e médios empreendedores; e cooperação institucional, com troca permanente de experiências entre governos locais e regionais.

Na prática, experiências já demonstram que a integração de políticas públicas produz resultados concretos. No Amazonas, ações conduzidas por órgãos estaduais nas áreas de desenvolvimento urbano e gestão de projetos estruturantes mostram como planejamento, cooperação e visão estratégica podem transformar realidades sociais. 

Programas voltados à habitação, saneamento integrado, recuperação ambiental e requalificação urbana evidenciam que investimentos estruturantes não apenas melhoram a qualidade de vida da população, mas também dinamizam a economia local.

São exemplos os programas Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), de Saneamento Integrado (Prosai), Amazonas Meu Lar, Ilumina+ e Asfalta Amazonas, desenvolvidos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), pastas que administro, sob a liderança do governador Wilson Lima.

Essas iniciativas demonstram que o desenvolvimento amazônico não depende exclusivamente de grandes projetos isolados, mas da articulação entre diferentes setores e níveis de governo, associada à participação da sociedade e à atração de investimentos. 

Ao promover urbanização planejada, infraestrutura básica e inclusão social, cria-se um ambiente propício ao crescimento econômico sustentável — exatamente o princípio que deve orientar uma agenda de integração continental.

O fortalecimento dos laços entre as sociedades amazônicas contribui para ampliar a voz da região no cenário internacional. Uma Amazônia integrada tem maior capacidade de atrair investimentos, compartilhar soluções tecnológicas e promover o desenvolvimento sustentável, considerando as realidades locais.

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A integração amazônica é, portanto, uma necessidade estratégica. A capacidade de seus povos e governos de cooperar, trocar experiências e construir soluções conjuntas é fundamental para a prosperidade da região. Ao alinhar integração regional com eficiência administrativa e planejamento urbano sustentável, abre-se um caminho concreto para superar desigualdades históricas e transformar a Amazônia em um polo de desenvolvimento inclusivo e competitivo.

Quando cooperação, inovação e responsabilidade caminham juntas, a floresta deixa de ser vista apenas como desafio e passa a ser reconhecida como oportunidade — não apenas para quem vive nela, mas para todo o continente.

Marcellus Campêlo
Marcellus Campêlo é engenheiro civil, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública; exerce, atualmente, os cargos de secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano – Sedurb e da Unidade Gestora de Projetos Especiais – UGPE

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