Iranduba (AM) – Áudios aos quais o Portal Em Tempo teve acesso apontam uma suposta articulação para promover uma invasão de terras no km 19 da AM-070, em Iranduba, área onde está prevista a implantação de um aterro sanitário pela empresa Norte Ambiental. As gravações citam diretamente o prefeito Augusto Ferraz como apoiador da mobilização, inclusive com possível ajuda logística e fornecimento de materiais. Segundo o conteúdo, a ocupação teria como objetivo impedir o avanço do empreendimento, que enfrenta resistência da Prefeitura.
Em um dos trechos, a interlocutora convoca moradores e afirma que haverá apoio logístico para levar pessoas ao local. “Domingo vai ter ônibus pra levar todo mundo que quer. Eu vou me encontrar daqui a pouco com as lideranças que vão estar de frente aí, junto com o prefeito, junto com os vereadores”, diz o áudio.
Em outro momento, ela reforça a suposta participação direta do chefe do Executivo municipal: “O que me informaram é que o prefeito vai ajudar com o prego, compensado e lona, que ele vai dar para o pessoal fazer a casa já para ficar. É fazendo a casa e ficando lá”. Ainda segundo a gravação, a estratégia seria ocupar rapidamente a área, iniciar construções improvisadas e consolidar a permanência, nos moldes de assentamentos irregulares.
As falas também mencionam reuniões “com o prefeito e com vereadores” para alinhar detalhes da ação. A eventual invasão pode configurar crime, conforme o Código Penal Brasileiro, que trata da violação de domicílio e da ocupação ilegal de propriedade.
O terreno em questão é destinado ao novo aterro sanitário da Norte Ambiental, projeto privado que, segundo a empresa, possui licenças emitidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. A proposta é substituir o atual lixão, alvo de críticas por impactos ambientais e prejuízos a agricultores de comunidades locais. O atual lixão funciona a céu aberto e apresenta sérios problemas ambientais e de saúde pública.
No entanto, as obras estão novamente paralisadas por decisão do desembargador Paulo Cesar Caminha e Lima, do Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam), que atendeu recurso do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). O magistrado determinou o embargo imediato das atividades até que sejam esclarecidas pendências relacionadas ao licenciamento ambiental, destacando o princípio da prevenção diante de possíveis danos ambientais.
Sobre a possível invasão, a empresa responsável pelo aterro já denunciou o caso à polícia. A reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Manaus para solicitar esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
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