O superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, comenta sobre os 59 anos do modelo industrial e econômico do Amazonas, que atualmente emprega 132 mil trabalhadores. Saraiva é empresário, ex-deputado federal e foi vice-governador do estado. À frente da autarquia há três anos, o parlamentar celebra o bom desempenho registrado em números que mostram crescimento em faturamento, emprego e fomento industrial.

EM TEMPO – A Suframa registrou um recorde de faturamento em 2025, desempenho que vem se mantendo em pelo menos três anos consecutivos. De que forma esse resultado retorna à população?
BOSCO SARAIVA –
Em 2024 arrecadamos R$ 205 bilhões e em 2025 chegamos a R$ 228 bilhões. Superamos as expectativas. Em um período em que a reforma tributária estava em andamento, tivemos a oportunidade de fazer integração junto às áreas de gestão da Suframa, que compreendem o Amazonas, Rondônia, Acre, Amapá e Roraima, as Áreas de Livre Comércio. Isso se reverte em coleta de impostos, na quantidade de empregos gerados. Quando chegamos na Suframa, em 2023, existiam 109 mil trabalhadores e fechamos o último ano com 132 mil pessoas empregadas, o que representa mais de 23 mil novos postos de trabalho. Isso resulta em uma multiplicação na área de comércio e serviços, não só no PIM, em Manaus ou no Amazonas, mas em toda a região amazônica. A Zona Franca de Manaus segue sendo um grande motor da nossa economia.

ET – Entre as ações realizadas na sua gestão, qual o senhor considera como mais representativa?
BS –
Destaco a modernização da gestão e a aproximação com o investidor. Em 2023, tínhamos a expectativa de reintegrar a Suframa com os investidores, diretores das empresas e com os trabalhadores do PIM. Isso, no período em que estava iniciando a discussão da reforma tributária. Nossa bancada, sob a coordenação do senador Omar Aziz (PSD), se preparando, iniciando os debates para que tivéssemos êxito, como aconteceu. Em paralelo, fizemos a nossa parte de acompanhar a indústria por dentro e isso resultou em uma rotina porque facilitou muita coisa para a gestão da Suframa e também para os investidores.

ET – De que forma o Acordo Comercial entre o Mercosul e a União Europeia, recentemente aprovado para assinatura após mais de 25 anos de negociações, pode impactar a competitividade e o modelo tributário da Zona Franca de Manaus?
BS –
A reforma tributária garantiu segurança ao nosso modelo. Isso trouxe tranquilidade e atraiu novos investimentos. O acordo com a União Europeia nos favorece, especialmente no acesso a tecnologias da indústria 4.0. Nossos produtos, como motocicletas, televisores, celulares e condicionadores de ar, têm alta qualidade tecnológica e competitividade internacional. Além disso, a diferença cambial também favorece nossas exportações. A reforma tributária nos protegeu. A vitória da nossa bancada em Brasília foi fundamental. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia também nos favorece, especialmente por facilitar o acesso a maquinário da indústria 4.0, que já está disponível naquele mercado. Aqui, nós temos uma produção com altíssima qualidade tecnológica: fabricamos condicionadores de ar, televisores, celulares e, principalmente, motocicletas, um dos nossos principais produtos, reconhecido mundialmente pela sua qualidade. Não temos nenhum receio de perda de competitividade. Pelo contrário, a qualidade dos nossos produtos é elevada. Além disso, produzimos em real e comercializamos em euro, o que nos garante uma vantagem cambial importante. Já exportamos uma grande quantidade de produtos para a União Europeia, especialmente no setor de duas rodas, que mantém exportações regulares para aquele mercado.

ET – De forma prática, quais ações resultaram em impactos positivos para o Polo Industrial de Manaus e para a atração de novos investimentos?
BS –
O principal impacto é o fortalecimento da economia regional. A Zona Franca de Manaus é o grande motor da economia da Amazônia. Quanto mais ela cresce, mais empregos, investimentos e melhorias na qualidade de vida são gerados. Basta comparar Manaus em 1965 com Manaus em 2025. Antes da Zona Franca, a cidade tinha uma realidade completamente diferente. Desde sua implantação, em 1967, a transformação social, econômica e urbana é evidente.

ET – O que o senhor considera essencial para garantir a continuidade administrativa da Suframa?
BS –
Acredito que a cultura de gestão já está instalada. O modelo de abertura, diálogo com investidores e modernização seguirá. Não tenho dúvidas de que o caminho continuará o mesmo.

ET – Quais as suas expectativas para 2026 para a Suframa?
BS –
A nossa perspectiva é de recordes porque teremos uma pauta para apreciação no Conselho de Administração da Suframa (CAS) com número superior a 90 novos projetos industriais. A perspectiva é que com o belo trabalho da reforma tributária e o texto que resultou para nós, sem dúvida esse ano será positivo. A nossa perspectiva é de um ano recorde.