Em julgamento realizado pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, entre os dias 23 e 27 de fevereiro, três réus foram condenados por homicídios e tentativas de homicídio ocorridos durante a rebelião na antiga Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus. A unidade prisional, hoje desativada, foi palco de uma série de crimes registrados em 8 de janeiro de 2017.

Os condenados são Janderson Rolin Matos, conhecido como “Passarinho”, que recebeu pena de 282 anos de prisão; Ronildo Nogueira da Silva, o “Canela”, condenado a 36 anos; e Jones dos Remédios Martins, o “Bactéria”, sentenciado a 50 anos de prisão. Com a decisão do Conselho de Sentença, os três iniciarão a execução provisória da pena após a publicação da sentença, ainda sujeita a recurso.

Os réus foram condenados pelas tentativas de homicídio contra seis detentos e pelos homicídios qualificados de Tássio Caster de Souza, Rildo Silva do Nascimento, Fernandes Gomes da Silva e Rubiron Cardoso de Carvalho. Durante o julgamento, Janderson e Jones responderam às perguntas em interrogatório, enquanto Ronildo exerceu o direito constitucional ao silêncio.

A sessão foi presidida pelo juiz Fábio Olintho de Souza. A acusação foi conduzida pelos promotores Clarissa Moraes Brito e Thiago de Melo Roberto Freire, representando o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).

Processo dividido e novos julgamentos

Este foi o segundo julgamento relacionado à rebelião na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa. No ano passado, João Pedro de Oliveira Rosa Rodrigues já havia sido condenado a 168 anos de prisão.

Outros acusados ainda serão levados a júri popular nos próximos meses, conforme cronograma do Tribunal do Júri de Manaus.

Rebelião foi retaliação ao massacre no Compaj

De acordo com as investigações do Ministério Público, a rebelião na Vidal Pessoa foi motivada como retaliação à chacina ocorrida dias antes no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), também em Manaus. Na ocasião, cerca de 56 detentos foram mortos em um dos episódios mais violentos do sistema prisional do Amazonas.

Na Cadeia Raimundo Vidal Pessoa, os crimes aconteceram durante a madrugada, por volta das 2h30. Segundo os autos, o ataque foi planejado e as luzes da unidade foram apagadas minutos antes da ação criminosa, dificultando qualquer reação das vítimas.

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