A guerra no Oriente Médio entrou no 12º dia de confrontos intensos. Nesta quarta-feira (11), o Irã atacou ao menos três navios mercantes no golfo Pérsico, em uma tentativa de reafirmar sua disposição de manter fechado o estratégico estreito de Hormuz, rota essencial para o comércio global de energia.

A ação elevou ainda mais a tensão internacional e gerou preocupação no mercado de petróleo.

“Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.

Atualmente, o barril do Brent, referência internacional do petróleo, flutua acima de US$ 90, após ter alcançado quase US$ 120 nos últimos dias.

EUA atacam navios iranianos e tentam impedir minas marítimas

Na véspera dos ataques aos cargueiros, os Estados Unidos anunciaram ter afundado 16 navios lançadores de minas marítimas na região. Segundo o Pentágono, o objetivo foi impedir que as embarcações fossem usadas após a maior parte da Marinha iraniana ter sido neutralizada.

De acordo com relatos militares, ao menos 12 minas chegaram a ser espalhadas no estreito, aumentando o risco para a navegação comercial.

O estreito de Hormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Pela passagem estreita circulam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no planeta, fator que explica as fortes oscilações no preço das commodities energéticas.

Além disso, o Irã militarizou a região ao distribuir pelo menos 16 bases militares ao longo da costa norte e em ilhas próximas. Em resposta, os Estados Unidos atacaram ao menos 10 desses pontos, segundo imagens de satélite.

Navio é evacuado após incêndio e ataques atingem região do Golfo

Entre os três cargueiros atingidos nesta quarta-feira, um navio de bandeira tailandesa precisou ser evacuado após um incêndio a bordo, próximo ao território de Omã.

O país também registrou a paralisação de um porto, motivada por um incidente de segurança não revelado pelas autoridades locais.

Os outros dois ataques tiveram menor gravidade. As embarcações foram conduzidas para portos nos Emirados Árabes Unidos.

Autoridades iranianas afirmaram que o navio tailandês teria ignorado avisos de segurança e assumiram responsabilidade por um segundo ataque, sem comentar o terceiro incidente.

Drones atingem aeroportos e ampliam tensão regional

A guerra também impactou diretamente países vizinhos. Dubai registrou um ataque com drones próximo ao aeroporto, que passou a operar parcialmente. Ao menos quatro pessoas ficaram feridas.

No Bahrein, o aeroporto internacional também foi alvo de ações militares. O país abriga a base da Quinta Frota da Marinha dos EUA, o que o coloca entre os principais alvos do conflito.

No início da guerra, em 28 de fevereiro, um radar avaliado em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) foi destruído na base americana.

Guerra pressiona mercado global de petróleo

Sob forte pressão militar de Estados Unidos e Israel, o Irã passou a concentrar parte de sua estratégia em afetar o mercado global de energia, considerado um dos pontos mais sensíveis da guerra.

Caso não consiga derrotar as forças mobilizadas contra si, Teerã ainda possui meios para gerar instabilidade no comércio internacional de petróleo e gás.

Depois de atingir quase US$ 120 na segunda-feira (9), o preço do petróleo recuou para cerca de US$ 90 após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito poderia ser breve.

Israel e Irã indicam guerra sem prazo para terminar

Apesar das expectativas de redução da tensão, declarações recentes indicam o oposto.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o conflito continuará “sem qualquer limite de tempo”.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que continuará lutando “até a sombra a guerra ser levantada”.

A Arábia Saudita, alvo de ataques na noite de terça-feira (10), acompanha a escalada com preocupação. Cerca de 90% da produção petrolífera do país passa pelo estreito de Hormuz.

Segundo a estatal Saudi Aramco, a continuidade da guerra pode provocar “uma tragédia” no mercado energético global. O país tenta ampliar o uso de oleodutos rumo ao mar Vermelho para reduzir a dependência da rota.

China entra na equação geopolítica do conflito

Outro fator que influencia a guerra é a relação comercial entre Estados Unidos e China.

Em 2025, Pequim comprou cerca de 15% de seu petróleo do Irã, geralmente com descontos. Dessa forma, um eventual ataque à infraestrutura de exportação iraniana poderia afetar diretamente a economia chinesa.

Até agora, no entanto, nem os EUA nem Israel atacaram a ilha de Kargh, principal terminal de exportação do petróleo iraniano, responsável por 80% a 90% das vendas do país no Golfo.

Conflito já deixou milhares de mortos e prédios destruídos

Enquanto a disputa geopolítica se intensifica, os impactos humanitários da guerra também aumentam.

Segundo o governo iraniano, mais de 1.300 pessoas já morreram em ataques ao país. O Crescente Vermelho informou que 19.734 edifícios civis foram danificados, incluindo 77 centros médicos e 65 escolas.

Israel anunciou nesta quarta-feira uma nova onda de bombardeios contra Teerã e contra posições do grupo Hezbollah, em Beirute.

Aliado do Irã, o Hezbollah respondeu com ataques contra o norte e o centro de Israel.

No Líbano, ao menos 570 pessoas morreram desde o início do conflito, que também frustrou uma tentativa do governo libanês de mediar a crise entre o Irã e o Estado israelense.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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