O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Marcelo Ramos, usou as redes sociais nesta quarta-feira (11) para denunciar uma possível tentativa do Grupo Atem de pressionar a Petrobras, por meio de ação judicial, a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil.

Segundo Ramos, a ação é assinada pela Associação Brasileira dos Refinadores Privados (Refina Brasil).

Importação de combustível no Amazonas

Marcelo Ramos afirmou que o grupo Atem importa 100% do combustível vendido nos postos de gasolina do Amazonas. De acordo com ele, a recente escalada do preço do petróleo internacional influenciou diretamente o valor pago pelo consumidor.

O ex-deputado explicou que, em meio à guerra no Irã, o preço do barril de petróleo ultrapassou R$ 100. Como consequência, o aumento foi repassado em cadeia até chegar ao consumidor final.

Tentativa de retomar política do PPI

Ramos também afirmou que a ação da Refina Brasil representa uma tentativa de reativar o Preço de Paridade de Importação (PPI). A política foi encerrada em 2023 e vinculava o preço dos combustíveis no Brasil ao valor do mercado internacional.

Com o fim do PPI, a Petrobras passou a vender combustíveis com preços mais competitivos em relação ao produto importado. Segundo o governo federal, essa estratégia ajudou a conter o avanço dos preços no mercado interno, mesmo com a alta do petróleo no exterior.

Atualmente, a Petrobras ainda considera referências internacionais, variação cambial, custos e condições de mercado para definir os preços. No entanto, a empresa não segue mais uma regra automática vinculada ao PPI.

“Por conta de um incentivo fiscal o grupo Atem parou de comprar o petróleo da Petrobras, de refinar, na refinaria que foi privatizada para ela e passou a importar cem por cento do combustível que ela vende no Amazonas. Agora, ao invés de voltar a comprar da Petrobras e refinar, ela prefere entrar na Justiça para obrigar a Petrobras a praticar o mesmo preço que ela, que é o preço do barril internacional, que é o PPI”, explicou.

Apelo à classe política do Amazonas

Ramos também pediu mobilização da população e dos parlamentares do Amazonas contra a iniciativa.

“Isso é absurdo, uma covardia com os consumidores amazonenses e brasileiros. É preciso uma reação de toda a sociedade. A classe política no Amazonas precisa falar sobre isso”, declarou.

Governo federal reafirma independência da Petrobras

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou nesta quarta-feira (11) que o governo federal manterá a independência da Petrobras e não pretende intervir na política de preços da companhia.

“Não iremos fazer nenhuma intervenção numa empresa de capital aberto como a Petrobras. O governo tem participação majoritária nos conselhos, mas o plano de investimento e a gestão são respeitados. Os diretores da companhia são extremamente competentes para decidir sobre a política de preços”, afirmou o ministro.

A reportagem tentou contato com o Grupo Atem, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Confira o vídeo de Marcelo Ramos na íntegra: