O Irã divulgou nesta quinta-feira (12) uma animação inspirada no filme Divertida Mente, da Disney, mostrando o que se passaria dentro da cabeça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O vídeo, que aparentemente foi gerado por inteligência artificial, tem pouco mais de 30 segundos. Além disso, a Embaixada do Irã em Haia publicou a animação na rede social X.

A animação começa ilustrando uma coletiva de imprensa na Casa Branca. No vídeo, o personagem que representa Trump inicia o discurso dizendo: “Não temos nenhum problema com civis”.

Logo depois, uma repórter pergunta: “Por que vocês atacaram a escola de Minab?”

Referência ao ataque à escola em Minab

O questionamento da jornalista faz referência a um ataque que, segundo a mídia iraniana, deixou 168 alunos mortos em uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã.

Teerã acusa os Estados Unidos de serem responsáveis pelo bombardeio. Já a Casa Branca afirma que o caso ainda está sendo investigado, mas nega atacar civis deliberadamente.

Após a pergunta da repórter, a animação reproduz uma cena famosa do filme da Disney. Nesse momento, o espectador é levado para dentro da mente do personagem — neste caso, Donald Trump.

“Bonequinhos do mal” controlam decisões

Na versão iraniana, os pensamentos do presidente dos EUA são comandados por “bonequinhos” do mal, que estimulam Trump a mentir.

Os “divertidamentes” maléficos operam uma mesa de controle com vários comandos, incluindo matar, caçoar e condenar.

Em cima da mesa de controle, também aparece uma memória intitulada “Epstein”. A referência aponta para o escândalo envolvendo o criminoso sexual Jeffrey Epstein, que atingiu figuras influentes ao redor do mundo e provocou divisões entre apoiadores de Trump.

“Vá, minta, minta, MINTA”, dizem os bonequinhos dentro da cabeça do presidente dos EUA. Em seguida, eles apertam o botão com o comando “mentir”.

Imediatamente, a animação retorna para a coletiva de imprensa. Na cena, o personagem de Trump passa a negar que os Estados Unidos tenham atingido a escola de Minab. Ele também afirma que os EUA sequer têm mísseis Tomahawk e declara se importar profundamente com o povo iraniano.

O vídeo termina mostrando a silhueta de Trump e o slogan “Divertida Mente, o cliente de Epstein”, acusando o presidente americano de ter feito parte de uma suposta lista de clientes que teriam praticado crimes sexuais na ilha do magnata.

VÍDEO:

O que sabemos sobre o ataque à escola

Na segunda-feira (9), a mídia iraniana informou, citando o Ministério da Educação do país, que pelo menos 192 estudantes e professores morreram em um ataque militar conjunto entre os Estados Unidos e Israel.

O número surgiu em meio a relatos da mídia indicando que um ataque dos EUA a uma base iraniana próxima a uma escola primária no sul do Irã provavelmente matou 168 crianças na semana passada — o ataque mais letal até o momento.

No domingo (8), a Casa Branca afirmou que “ainda está investigando” o ocorrido, afirmou o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth.

Na segunda-feira (9), durante coletiva de imprensa realizada na Flórida, Trump sugeriu que outros países poderiam ter atacado a escola primária no sul iraniano. O presidente afirmou que o Irã e outros países possuem mísseis “genéricos” Tomahawk, semelhantes ao que aparentemente foi usado no ataque.

Investigação aponta possível erro militar

Duas fontes a par de uma investigação militar disseram à CNN que o Exército dos Estados Unidos atingiu acidentalmente a escola primária iraniana. Segundo essas fontes, o erro provavelmente ocorreu devido a informações desatualizadas sobre uma base naval próxima.

De acordo com os relatos, o Comando Central dos EUA escolheu as coordenadas do alvo usando informações desatualizadas fornecidas pela Agência de Inteligência de Defesa, o que contribuiu para o erro.

Uma análise da CNN já havia concluído que os Estados Unidos provavelmente são responsáveis pelo ataque.

Imagens de satélite, vídeos geolocalizados, declarações públicas de autoridades americanas e avaliações de especialistas em munições sugerem que a escola primária Shajare Tayyiba, em Minab, foi atingida em 28 de fevereiro. O ataque ocorreu aproximadamente no mesmo horário de uma operação que provavelmente foi realizada por forças americanas contra uma base naval vizinha da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica).

Ao avaliar qual força militar é responsável por um ataque específico — em qualquer conflito — a CNN normalmente obtém imagens dos destroços das armas utilizadas e as fornece a especialistas em munições para determinar sua origem.

No entanto, devido ao bloqueio da internet imposto pelo Irã, as imagens e filmagens do local são limitadas. Por isso, a CNN não conseguiu examinar tais evidências neste caso, e qualquer avaliação não pode ser conclusiva.

(*) Com informações da CNN Brasil

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