Ameaças, xingamentos, vazamento de imagens íntimas e perseguição. Esses são alguns dos principais tipos de violência enfrentados por mulheres no ambiente digital, cenário que se agrava com o avanço de discursos misóginos. Nesse contexto, o Senado aprovou, na última terça-feira (24), um Projeto de Lei que criminaliza a misoginia e a equipara ao crime de racismo.
Diante do aumento de ataques virtuais, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) orienta a população sobre como identificar e denunciar esse tipo de violência na internet.
Cresce número de vítimas no Brasil
Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Datasenado, cerca de 8,8 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência digital em 2025. A maioria dos registros envolve, principalmente, o envio de mensagens ofensivas e ameaçadoras.
Além disso, desde 2024, a Defensoria disponibiliza um espaço exclusivo para o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem). O local oferece atendimento jurídico, social e psicológico gratuito às vítimas.
A coordenadora do núcleo, a defensora pública Caroline Braz, destaca que a violência online atinge mulheres de diferentes formas, mas mantém um objetivo comum: constranger, silenciar e intimidar.
“No último ano, tivemos um aumento expressivo no número de denúncias de mulheres vítimas desse tipo de violência virtual. Se você conhece alguém ou está passando por uma situação assim, procure a Defensoria Pública. O Nudem possui uma equipe 100% feminina no atendimento e está aqui para garantir que esta violência não seja mais praticada”, destacou Caroline Braz.
Principais tipos de violência digital
Stalking (perseguição)
O stalking figura entre os crimes mais recorrentes no ambiente digital. Nesse caso, o agressor persegue e intimida a vítima por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Ele pode criar perfis falsos, monitorar rotinas, realizar ligações frequentes e até levar a perseguição para o mundo físico com base em informações compartilhadas online. A Lei 14.132/2021 tipifica essa conduta, com pena de 6 meses a 2 anos de reclusão, além de multa.
Assédio online
O assédio online inclui comportamentos abusivos de natureza sexual ou psicológica. Assim, ambientes digitais, que deveriam promover interação social, tornam-se espaços de intimidação. Entre os exemplos mais comuns estão comentários ofensivos em fotos, mensagens insistentes e ataques relacionados à aparência da mulher.
Extorsão sexual
A extorsão sexual ocorre quando há ameaça ou divulgação de fotos e vídeos íntimos da vítima. No Brasil, essa prática é crime desde 2012, com a criação da Lei 12.737/2012, conhecida como ‘Lei Carolina Dieckmann’, que prevê pena de 3 meses a 1 ano de detenção e multa.
Movimento Red Pill preocupa autoridades
Nos últimos anos, o chamado ‘Movimento Red Pill’ ganhou força na internet. O termo faz referência ao filme “Matrix”, no qual a pílula azul simboliza uma realidade ilusória, enquanto a vermelha representa o despertar para a verdade.
Gradualmente, grupos formados por homens misóginos passaram a usar essa analogia para sustentar discursos que exaltam a masculinidade e defendem a submissão feminina. Temas como direitos das mulheres, carreira profissional, maternidade e consentimento são frequentemente alvo dessas discussões em fóruns e redes sociais.
Atualmente, o movimento tem como principal público adolescentes e vem sendo apontado como um fator agravante nos casos de violência digital. Por isso, cresce a pressão por medidas mais rigorosas por parte das autoridades.
“É muito assustador o que está acontecendo e estamos aguardando uma atuação legislativa para que esses movimentos Red Pill possam ser criminalizados, porque são essas sementes plantadas que estão impulsionando a agressividade nos homens. Nós atendemos mulheres vítimas desse discurso de ódio, então é preciso coibir essas condutas misóginas”, acrescentou a coordenadora do Nudem.
Como denunciar e buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem procurar uma das três unidades da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM). Registrar o Boletim de Ocorrência (B.O) é fundamental para formalizar a denúncia e acionar a rede de proteção.
Além disso, mesmo sem registro formal, a vítima pode buscar atendimento no Nudem. Nesses casos, a equipe orienta sobre os procedimentos legais e acompanha a situação.
O Nudem funciona na Avenida André Araújo, nº 7, bairro Adrianópolis, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O agendamento pode ser feito presencialmente, pelo Disk 129 ou via WhatsApp, no número (92) 98559-1599.
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