A decisão da 99Food de iniciar sua expansão na região Norte a partir de Manaus, com investimento anunciado de cerca de R$ 100 milhões, reforça a importância estratégica que a capital amazonense passou a ocupar no mapa da economia digital brasileira.

Curiosamente, não é a primeira vez que a plataforma tenta operar no mercado local. A 99Food chegou ao Brasil em 2019, mas suspendeu suas atividades nacionais em 2022, após um período marcado por forte competição e desafios de escala no setor de delivery. Agora, a empresa retorna com uma estratégia mais robusta, e com capital significativo, justamente em um momento em que o consumo digital se consolidou nas grandes cidades brasileiras.

No caso de Manaus, o histórico da própria empresa ajuda a explicar a nova aposta. Segundo a 99, apenas em 2025 foram realizadas cerca de 110 milhões de corridas de moto e carro na capital, criando uma base logística e de usuários que agora serve de suporte para o delivery de comida.

“A capital amazonense ocupa um papel importante no crescimento da 99. É uma praça onde nosso ecossistema de serviços está consolidado em todas as frentes que oferecemos”, afirma Bruno Rossini, diretor sênior de Comunicação da companhia. “Esse volume nos deu a malha logística e a confiança necessárias para agora plugar o serviço de delivery com a eficiência que Manaus exige.” 

A estratégia segue uma tendência clara do setor: transformar aplicativos em super apps, integrando mobilidade urbana, entregas, alimentação e serviços financeiros em uma mesma plataforma digital.

Outro dado ajuda a entender o momento do mercado local. Pesquisa citada pela empresa indica que 90% dos consumidores em Manaus já descobriram novos restaurantes por meio de aplicativos, mostrando que o delivery deixou de ser apenas um canal de compra e passou a funcionar também como ferramenta de visibilidade para pequenos negócios.

Para Rossini, ainda existe espaço para expansão e maior competição no setor. “Nossa proposta é ampliar a atratividade do delivery para todos os elos da cadeia: consumidor, restaurante e entregador”, diz. “Entramos com uma lógica baseada em escala, tecnologia e eficiência operacional.” 

A operação aposta fortemente em tecnologia e dados para lidar com as particularidades urbanas da capital amazonense. “Manaus tem uma dinâmica muito própria, com grandes distâncias e características de circulação que exigem inteligência na distribuição dos pedidos”, explica o executivo. “Nosso objetivo é garantir uma experiência consistente para o consumidor e uma operação que funcione com previsibilidade e escala.” 

Nesse sentido, o investimento anunciado também funciona como um sinal de confiança no amadurecimento do mercado local. Se na primeira tentativa o cenário ainda era incerto, a volta da 99Food sugere que Manaus passou a reunir escala de consumo, infraestrutura digital e densidade urbana suficientes para sustentar operações mais complexas da economia de plataformas.

BR-319 e o desafio de integrar a Amazônia

Mais um capítulo das obras estratégicas nas rodovias BR-319 e BR-174, no Amazonas, acaba de ganhar algum ritmo. A recente decisão do Ministério dos Transportes de autorizar serviços e preparar a licitação para intervenções nessas rodovias recoloca no centro do debate um dos temas mais sensíveis da infraestrutura amazônica.

A medida envolve especialmente o chamado ‘trecho do meio’ da BR-319, considerado o ponto mais crítico da rodovia que liga Manaus a Porto Velho. O investimento previsto, de cerca de R$ 678 milhões, pretende viabilizar a recuperação de aproximadamente 340 quilômetros da estrada, etapa considerada essencial para garantir a trafegabilidade permanente da ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país.

Poucas obras sintetizam de forma tão clara os dilemas da região. Ao longo das últimas décadas, a BR-319 se transformou em um tema que reúne infraestrutura, preservação ambiental e disputas políticas. De um lado, está o argumento logístico: a rodovia é vista como alternativa capaz de reduzir custos de transporte e ampliar a integração econômica da Amazônia. De outro, permanecem preocupações legítimas sobre impactos ambientais e a necessidade de controles rigorosos para evitar novos ciclos de desmatamento.

Para uma região que depende fortemente do transporte fluvial e aéreo para a circulação de mercadorias, qualquer avanço na discussão sobre a rodovia repercute diretamente na logística regional – e, consequentemente, na competitividade da economia amazônica.

A estrada continua cercada de controvérsias. Ainda assim, cada quilômetro que avança no processo de licitação indica que a discussão sobre sua conclusão começa a sair do campo das hipóteses e voltar ao terreno das decisões.

Nova Era entra no ranking dos maiores atacarejos do Brasil

O avanço do Grupo Nova Era no ranking nacional do atacarejo mostra um movimento interessante no varejo alimentar brasileiro: empresas regionais começam a ganhar escala em um dos setores mais competitivos do país.

Sediado em Manaus, o grupo apareceu entre os 20 maiores atacarejos do Brasil, segundo levantamento do setor divulgado pela Associação Brasileira dos Atacarejos (ABAAS). A rede registrou faturamento de aproximadamente R$ 3,3 bilhões em 2025, com crescimento de 36,35%, um dos maiores percentuais entre as empresas analisadas.

Fundado na capital amazonense, o grupo construiu sua trajetória apostando na expansão regional e hoje soma 28 lojas e mais de 40 operações entre supermercados e atacarejos distribuídos pelo Amazonas, Rondônia e Roraima.

O desempenho chama atenção porque o formato atacarejo, que combina venda em grandes volumes com preços competitivos, se consolidou como o principal motor de crescimento do varejo alimentar brasileiro. Nesse ambiente, dominado por grandes redes nacionais, a presença de um grupo amazônico entre os principais nomes do ranking sugere espaço para estratégias regionais bem estruturadas  –  sinal de uma mudança gradual no mapa do varejo, à medida que redes nascidas fora dos grandes centros passam a disputar participação em um mercado historicamente concentrado.

Honda Automóveis estreia com showroom no Shopping Ponta Negra

A decisão da Honda Automóveis de inaugurar um showroom no Shopping Ponta Negra, em Manaus, no último sábado (28/3), vai além de um ponto de venda e sinaliza uma tendência mais ampla na estratégia comercial da indústria automotiva.

Tradicionalmente instaladas em grandes avenidas ou áreas periféricas das cidades, as concessionárias começam a experimentar novos formatos de presença em locais de grande circulação urbana. A lógica é simples: aproximar o produto do consumidor em espaços onde ele já está.

No caso de Manaus, a operação é conduzida pelo Grupo Shizen, responsável pela representação da marca na capital amazonense. A iniciativa também faz parte de um plano mais amplo da montadora japonesa, que prevê a abertura de 17 novos pontos de venda no Brasil ao longo de 2026, incluindo formatos mais compactos e integrados ao varejo.

Mais do que vender carros, espaços desse tipo funcionam como vitrines de marca. Permitem apresentar modelos, atrair novos públicos e transformar o primeiro contato com o consumidor em uma experiência mais próxima do varejo contemporâneo.

A estratégia indica que a indústria automotiva começa a testar novas formas de presença urbana e de aproximação com um público cada vez mais exigente em um mercado altamente competitivo. Antes de visitar uma concessionária tradicional, muitos consumidores querem apenas ver o produto, e os shoppings passaram a ser um dos lugares mais naturais para esse encontro.

RÁPIDAS & BOAS

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está com edital aberto até quarta-feira (8/4) para a especialização em ‘Direito Penal e Processo Penal – EaD’. Estão sendo disponibilizadas 120 vagas. Para outras informações e acesso ao edital, basta acessar o endereço eletrônico (https://tinyurl.com/4824tj8y).

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Na quinta-feira (9/4), às 19h, no IPOG Manaus, localizado no Shopping Ponta Negra – Piso L3, irá ocorrer o evento gratuito ‘Imersão em Manutenção de Alta Performance: as novas oportunidades de negócio na área’. As inscrições estão sendo realizadas por meio do link (https://tinyurl.com/3ny6cs6h). 

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

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