Manacapuru (AM) – Uma mulher de 21 anos foi presa, na quarta-feira (15), por explorar sexualmente a própria irmã de apenas 11 anos. Ela chegava a “vender” a criança por litros de açaí e R$ 20. O crime e a prisão aconteceram no município de Manacapuru. O abusador, de 65 anos, também foi preso.

A vítima já havia sido resgatada, em novembro de 2025, de um “casamento infantil” com um homem, de 33 anos, com conivência do pai, ambos presos na época. Depois, sob responsabilidade da irmã, voltou a ser explorada em um flutuante de Manacapuru.

O delegado-geral adjunto da PC-AM, Guilherme Torres, destacou a rápida atuação das Polícias Civil e Militar de Manacapuru, que atuaram prontamente para interromper esse ciclo de violência.

“A ação integrada foi fundamental para garantir a proteção imediata da vítima e a responsabilização dos envolvidos. A criança será acompanhada pela rede de proteção, com suporte dos órgãos competentes, assegurando o atendimento necessário”, disse o delegado-geral adjunto.

Segundo o comandante do Policiamento do Interior da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Hildvaney Freitas, era por volta das 20h40, de terça-feira (14), quando a guarnição da Polícia Militar de Manacapuru, recebeu uma denúncia anônima pela linha direta, informando que no Flutuante do Loiro, na Orla do Rio Solimões, um homem de 65 anos, estaria aliciando duas menores, de 11 e 17 anos.

Segundo o denunciante, o fato era recorrente e envolvia a troca de favores sexuais por litros de açaí e R$ 20 espécie. Com base na gravidade das denúncias, a equipe da PMAM deslocou-se para o local e encontrou as vítimas em via pública.

“Após conversar com as meninas, os policiais militares retornaram com elas ao flutuante. No local a menor de 11 anos confirmou a história e disse que a de 17 anos ficou do lado de fora, enquanto ela entrou no quarto com o cidadão infrator de 65 anos. Ela, neste período de cerca de 30 minutos, foi aliciada por este senhor”.

O coronel Freitas contou ainda que no momento em que o policial militar indagava o suspeito, o homem recebeu uma ligação telefônica da irmã das duas menores, de 21 anos.

“O próprio policial militar atendeu o telefonema, onde a irmã delas, na ligação, perguntava pelas duas irmãs. Ele se identificou como sendo policial militar, momento em que ela desligou o telefone. Neste momento foi dada voz de prisão ao infrator que foi conduzido à delegacia. Na delegacia, essa irmã mais velha chegou indagando sobre a prisão do homem, onde também foi presa”, detalhou.

Segundo o subcomandante geral da PMAM, coronel Thiago Balbi, o trabalho integrado entre as instituições foi fundamental para elucidação deste caso e prisões dos responsáveis pelos crimes.

“Como estamos sempre dizendo, é o trabalho mais próximo que a Polícia Militar vem tendo com a Polícia Civil e esta união de esforços vem trazendo resultados positivos, não só nestas ocorrências de crimes contra vulneráveis como esse que aconteceu em Manacapuru, mas nos demais outros crimes como no combate ao tráfico de drogas e às facções criminosas”, ressaltou.

Conforme a delegada Joyce Coelho, titular da DEP de Manacapuru, quando a Polícia Militar apresentou o caso na delegacia foi possível identificar duas vítimas: uma criança de 11 anos e uma adolescente de 17 anos. Durante a análise inicial, foi verificado que a criança já havia sido resgatada anteriormente de uma situação de “casamento infantil”, em novembro de 2025, na região do Lago do Urbim.

“Na ocasião, o homem envolvido e o pai da criança, que era conivente, foram presos em flagrante. A mãe também apresentava conduta omissiva e, inclusive, tinha medida protetiva que a impedia de se aproximar da criança. Após esse resgate, a vítima foi acolhida em unidade de proteção no município”, explicou a delegada.

Conforme a delegada, há cerca de um mês, ela foi desacolhida e entregue à irmã mais velha, de 21 anos. Nesse curto período, passou novamente a ser explorada.

“Em depoimento, a criança relatou que era levada contra a vontade ao flutuante, sob ameaças da irmã, que dizia que, caso não obedecesse, retornaria ao abrigo. No local, um homem de 65 anos praticava os abusos, enquanto a irmã dela, de 17 anos, permanecia do lado de fora”, citou a delegada.

Segundo a autoridade policial, como forma de pagamento, eram oferecidas pequenas quantias em dinheiro ou até mesmo alimentos. Na noite do flagrante, por exemplo, a criança recebeu dois litros de açaí e 20 reais, o que, segundo os relatos, era uma prática recorrente.

“A adolescente também informou que essa situação ocorria com frequência, com idas praticamente intercaladas ao local, e que havia indícios de que outras crianças e até mesmo mães estariam sendo agenciadas para esse tipo de exploração, o que reforça a suspeita de uma rede de exploração sexual”, falou a delegada.

A delegada mencionou que o caso demonstra a importância do trabalho integrado entre as forças de segurança, porque foi a partir dessa atuação conjunta que foi possível avançar na identificação dessa rede de exploração e, principalmente, resgatar novamente essa criança.

“Estamos falando de uma vítima de apenas 11 anos, que vem sofrendo reiterados episódios de violência. Acreditamos que, desta vez, com a intervenção rápida, especialmente da Polícia Militar, será possível dar um encaminhamento mais eficaz ao caso”, disse a delegada.

Com relação à adolescente, a delegada explicou que ela também está sendo tratada, neste primeiro momento, como vítima. Ela está sendo ouvida com a devida cautela, já que há indícios de que tanto ela quanto a criança de 11 anos estavam submetidas à autoridade da irmã de 21 anos, que determinava as ações e fazia o agenciamento.

“Quanto à existência de outras possíveis vítimas, a investigação seguirá com esse foco. Já realizamos a apreensão dos aparelhos celulares dos envolvidos, justamente porque esses dispositivos podem trazer elementos importantes para identificação de outros participantes e também de outras crianças e adolescentes que possam estar sendo explorados”, ressaltou a delegada.

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