A Justiça Federal determinou, nesta quinta-feira (23), a conversão da prisão temporária em prisão preventiva de Ryan Santana dos Santos, Marlon Brendon Coelho Couto da Silva e outros investigados da Operação Narco Fluxo.
Além disso, a 5ª Vara Federal de Santos tomou a decisão após pedido da Polícia Federal. O caso envolve uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a apostas e rifas ilegais, com movimentação estimada em R$ 1,6 bilhão.
Decisão judicial ocorre após habeas corpus do STJ
Poucas horas antes, o Superior Tribunal de Justiça havia concedido habeas corpus aos presos da operação. Nesse sentido, a Corte apontou irregularidade na prisão temporária, já que a PF havia solicitado prazo de cinco dias, e não 30.
Entretanto, apesar da decisão do STJ, a Justiça Federal manteve os investigados presos. Assim, os alvos da operação, detidos desde o dia 15, continuam sob custódia.
Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Federal não havia se pronunciado sobre a nova decisão.
Defesas criticam novo pedido de prisão preventiva
Logo em seguida, as defesas dos investigados reagiram ao pedido de prisão preventiva.
O advogado Fernando Henrique Cardoso, que representa MC Poze, criticou a medida e afirmou que não houve fato novo que justificasse a solicitação.
“Já nos manifestamos nos autos indicando o caráter inusitado do pedido, requerendo ao juízo que não corrobore com essa tentativa oblíqua de subverter uma decisão do Superior Tribunal de Justiça e ao Ministério Público que apure eventuais crimes de abuso de autoridade, em especial pelo vazamento das imagens do cumprimento da prisão temporária na residência de nosso constituinte”, afirmou.
Além disso, o advogado Felipe Cassimiro, que atua na defesa de MC Ryan, questionou o momento do novo pedido.
“Causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido. Se estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno?.”
Operação Narco Fluxo mira esquema bilionário
A Operação Narco Fluxo atingiu nomes conhecidos do funk e das redes sociais, incluindo MC Ryan, MC Poze e o responsável pela página Choquei.
Além disso, a investigação apura crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. No total, a PF cumpriu 39 mandados de prisão, além de ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens.
Esquema envolvia apostas ilegais e crimes financeiros
Segundo a Polícia Federal, os recursos ilícitos teriam origem em jogos de azar não regulamentados, apostas esportivas, rifas digitais clandestinas e estelionato virtual. Além disso, os investigadores apontam possível ligação com o tráfico internacional de drogas.
MC Ryan é apontado como líder da organização
De acordo com as investigações, Ryan Santana dos Santos aparece como principal articulador e beneficiário do esquema.
O processo que tramita na 5ª Vara Federal de Santos indica que o artista utilizava empresas do setor musical e de entretenimento para misturar receitas legais com dinheiro ilícito.
Além disso, a polícia afirma que ele estruturou mecanismos para ocultar patrimônio. Para isso, teria transferido bens para familiares e terceiros, ao mesmo tempo em que utilizava operadores financeiros para disfarçar movimentações e reinvestir valores em imóveis de luxo, veículos e joias.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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