A possível exploração de terras raras no município de Apuí poderá transformar radicalmente a economia local e reduzir a dependência de repasses públicos. Hoje, a base financeira do município está fortemente ancorada em transferências como FPM e ICMS, compondo uma receita modesta estimada em R$ 77,7 milhões para 2025. Nesse contexto, a chegada de um empreendimento mineral de grande porte tende a provocar mudanças estruturais relevantes.
O projeto liderado pela Brazilian Critical Minerals, em parceria com a Southern Alliance Mining, insere Apuí em uma cadeia global altamente valorizada. As terras raras são insumos essenciais para tecnologias avançadas — de energias renováveis a equipamentos eletrônicos e sistemas militares —, o que garante demanda crescente e preços atrativos no mercado internacional. Isso posiciona o município não apenas como produtor de commodities, mas como elo de um setor estratégico da economia mundial.
Os impactos diretos mais imediatos aparecem na geração de empregos. Durante a fase de implantação, a previsão de cerca de 500 postos diretos deve aquecer o mercado de trabalho local, estimulando renda e consumo. Na fase operacional, mesmo com redução para cerca de 200 empregos diretos, o efeito multiplicador se amplia com a estimativa de mil empregos indiretos. Esses postos tendem a surgir em setores como comércio, serviços, transporte e alimentação, fortalecendo a economia urbana e criando novas oportunidades para pequenos empreendedores.
Outro ponto central é o aumento da arrecadação municipal. A estimativa de R$ 8 milhões anuais em impostos representa cerca de 10% da receita atual de Apuí — um incremento significativo para um município de pequeno porte. Esse reforço fiscal pode viabilizar investimentos em infraestrutura, saúde, educação e saneamento, elevando a qualidade de vida da população e criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

Além disso, o faturamento projetado de R$ 400 milhões por ano indica um fluxo econômico muito superior à realidade atual. Parte desses recursos tende a circular dentro do próprio município, seja por meio de salários, contratos com fornecedores ou investimentos indiretos. Isso contribui para dinamizar a economia e reduzir a vulnerabilidade a oscilações nos repasses governamentais.
O modelo de exploração por lixiviação in-situ (ISR), destacado pelas empresas envolvidas, também pode representar uma vantagem competitiva. Por reduzir a necessidade de escavações e a geração de rejeitos, o método tende a diminuir custos operacionais e impactos ambientais, fator cada vez mais relevante para a viabilidade de projetos minerais no cenário global.
Enfim, a exploração de terras raras em Apuí tem potencial para redefinir o perfil econômico do município. Ao combinar geração de empregos, aumento de arrecadação e inserção em uma cadeia produtiva global, o empreendimento pode marcar a transição de uma economia dependente de transferências públicas para um modelo mais dinâmico, diversificado e sustentável no longo prazo.

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