Frutas tradicionais da Amazônia, o açaí e o guaraná conquistaram reconhecimento internacional ao entrarem no ranking das 100 melhores frutas do mundo, segundo a enciclopédia gastronômica TasteAtlas. Enquanto o açaí ocupa a 39ª posição, o guaraná aparece em 79º lugar.

Além do destaque global, os números de produção reforçam a importância dessas culturas no Amazonas. Em 2025, o estado produziu 73.236 mil toneladas de açaí. Já o guaraná registrou produção de 814,72 toneladas.

Produção cresce com apoio técnico

Desde 2019, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) executa o Projeto Prioritário (PP) do Açaí. A iniciativa envolve 14 municípios que concentram cerca de 67% da área plantada no estado.

“Desde 2019, vem sendo executado o Projeto Prioritário (PP) do Açaí, que envolve 14 municípios mais produtivos Estado do Amazonas, os quais representam cerca de 67% da área plantada estadual”, destacou a engenheira agrônoma da Gerência de Produção Vegetal (GPV) do Idam, Anecilene Buzaglo.

Além disso, o Idam, em parceria com a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), distribuiu cerca de 5,6 toneladas de sementes da espécie Euterpe oleracea. As variedades BRS Pará e BRS Pai D’Égua, conhecidas como “açaí do Pará”, ampliam a produção local.

Segundo Anecilene, o apoio técnico tem impulsionado resultados expressivos. Nos últimos anos, a produção de açaí cresceu mais de 150%, enquanto a área plantada aumentou acima de 200%.

Tecnologia fortalece cultivo do guaraná

Ao mesmo tempo, o cultivo do guaraná avança com o uso de tecnologias desenvolvidas pela pesquisa. O Idam incentiva o uso de materiais clonais de alto rendimento, como as cultivares BRS Maués e BRS Amazonas.

Além disso, a Embrapa Amazônia Ocidental lançou, em 2021, a cultivar BRS Noçoquém. A variedade pode alcançar produtividade de até 2,3 kg por planta ao ano.

“Além disso, em 2021 a Embrapa Amazônia Ocidental lançou a cultivar BRS Noçoquém, capaz de atingir produtividade de até 2,3 kg por planta ao ano. Essa cultivar apresenta resistência à antracnose e pode ser propagada por sementes, características que têm contribuído para sua maior aceitação entre agricultores tradicionais dos principais municípios”, ressaltou a engenheira agrônoma.

O Idam também incentiva a produção de mudas dessa cultivar em viveiros comunitários. Municípios como Nova Olinda do Norte, Eirunepé, Novo Aripuanã e Borba já adotam a prática.

“A BRS Noçoquém apresenta vantagens em relação às variedades clonais, como maior adaptação às condições de clima e solo, facilidade na produção de mudas e boa produtividade”.

Valorização impulsiona mercado

O reconhecimento internacional chega em um momento de crescimento das duas cadeias produtivas. No caso do açaí, o foco permanece na ampliação da produção e na qualificação de agricultores e técnicos.

Além disso, iniciativas voltadas aos batedores de açaí buscam melhorar a qualidade sanitária do produto, garantindo um alimento mais seguro para a população.

Por outro lado, o guaraná ganhou valorização significativa a partir de 2023. Em alguns casos, o preço pago ao produtor dobrou. Como resultado, agricultores passaram a investir em técnicas mais eficientes e também ampliaram as áreas de cultivo.

Expansão chega à Região Metropolitana

Esse avanço também impulsiona a expansão das culturas para novos municípios. Atualmente, cidades da Região Metropolitana, como Iranduba, Manacapuru e Autazes, já ampliam o cultivo.

Dessa forma, a valorização econômica dessas frutas fortalece a agricultura familiar e amplia oportunidades de renda no interior do Amazonas.

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