Chegamos ao mundo sem pedir. Trazidos por fenômeno cheio de segredos. Evolução ou criação? Não importa. É bom! Mas logo nos deparamos com uma certeza: somos Seres e caminhamos para o nada, para a morte. A finitude da vida humana não é uma escolha. É o caminho natural da espécie. Jamais seremos eternos. Então, por que a vida tornou-se uma inquietude diante da finitude?
Criamos família, tribos, comunidades e reinos. Plantamos e colhemos. Acumulamos riquezas e domesticados animais e plantas. Nem por isso não deixamos ser finitos.
Criamos religiões politeístas, dualista e monoteísta com rituais diversos, com Deuses celestiais, com Deuses terrestres e com Deuses da natureza. Com cultos e rezas nas igrejas, nas ruas e ou em montanhas. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Estabelecemos as moedas. Definimos o valor das coisas. Criamos mercados e mercadorias. Unificarmos o dinheiro e tornamos o mundo num grande comércio. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Inventamos governos, impérios, conquistadores, reinados, califados, faraós e ditadores. Unificarmos terras, pacificamos conflitos, produzimos conflitos. Monarquias, Oligarquia, Tirania e Democracia, são formas de governo criadas por nós. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Éramos simples habitantes das florestas, das savanas, dos pântanos, dos lugarejos e agora de enormes cidades. Éramos coletores, caçadores. Atingimos a revolução cognitiva, a revolução agrícola, a revolução científica, a revolução industrial e tecnologia. Nem por isso deixamos de ser finitos.
As ciências nos deram mais tempo de vida, anestesiou nossas dores, nos imunizou de vírus mortais, curou doenças, nos levaram a outros planetas. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Estabelecemos estados, patriotismos, produzimos guerras e armas poderosas que podem destruir a terra. Matamos milhões de humanos e subjulgamos outros milhões. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Humanismo, liberalismo, capitalismo, socialismo, comunismo, fascismo e nazismo, são modelos de olhar o ser humano e de dominação criados por nós. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Fundamos filosofias que olham e definem o ser humano como um indivíduo único, complexo e com inúmeras razões para viver muito e, também, para morrer precocemente; e filosofias que entendem o ser humano como coletivo, consciente e revolucionário. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Inventamos instrumentos de comunicação rápida, instantânea e tornamos o mundo pequeno diante de transportes rápidos. Fundamos o presencial e o virtual nas produções de bens e de comunicação. Não por isso deixamos de ser finitos.
Implantamos preconceitos, classificamos o ser humano, determinamos ricos e pobres, brancos e pretos. Afirmamos quem é ignorante e quem é sábio, apontamos belezas e feiuras, criamos sistemas prisionais e até estabelecemos pena de morte. Nem por isso deixamos de ser finitos.
Falar sobre a finitude não é fácil. Não é muito aceito na vida social. Causa dor, causa medo, causa sentimento de impotência. Criamos ideias de vida infinita, depois da morte física, na eternidade com Deus; e o infinito, no mundo material e orgânico, vinha depois da morte; e, ainda, o nosso infinito estaria sempre nas mentes de outros. Mas, tudo são frutos da nossa criação.
Então, se a vida é finita, podemos transformá-la numa existência prazerosa. Tornar a nossa vida e do próximo mais dignas, isso não é ilusão. A finitude faz o ser humano refletir sobre o significado da vida. Amor, resiliência, bondade e fraternidade, não nos levam a infinitude, mas tornam a nossa existência bem melhor.

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