No Dia do Trabalhador, celebrado anualmente em 1º de maio, o país relembra uma das mais importantes construções sociais da história moderna: o reconhecimento de que o trabalho não é apenas meio de sobrevivência, mas fundamento da dignidade humana e da justiça social. A data, marcada por lutas históricas de trabalhadores em diversas partes do mundo, consolidou direitos que hoje estruturam as relações de trabalho no Brasil.

Muito antes da formalização desses direitos nas legislações contemporâneas, o princípio da valorização do trabalhador já era reconhecido em bases morais e culturais profundas. A afirmação de que “o trabalhador é digno do seu salário”, registrada na Bíblia Sagrada, reforça uma compreensão histórica de que a remuneração justa não é concessão, mas obrigação.

A taxa de desocupação no estado ficou em torno de 8,4%, a menor da série histórica, mas ainda acima da média nacional. O principal desafio, segundo os dados, é a informalidade, que atinge mais de 50% dos trabalhadores. A renda média também permanece abaixo da média brasileira, indicando que a melhora no emprego não tem se traduzido em ganho real de qualidade de vida.

Em Manaus, a concentração econômica acentua as desigualdades. A capital reúne a maior parte das oportunidades, mas ainda registra desemprego próximo de 9% e uma das menores rendas médias entre as capitais do país. O fluxo migratório do interior, impulsionado pela falta de oportunidades, aumenta a pressão sobre o mercado de trabalho urbano.

O cenário exige mudanças estratégicas. Como podemos falar em cidadãos e cidadãs produtivos no interior, sem logística, sem infraestrutura, sem acesso à internet e sem condições mínimas para o desenvolvimento econômico? O Amazonas precisa parar de concentrar oportunidades e começar a distribuir desenvolvimento.

Incentivar e fortalecer as cadeias produtivas locais, como pesca, bioeconomia, turismo e agrofloresta, além da criação de polos regionais de desenvolvimento. São exemplos de ações efetivas que o Amazonas precisa estabelecer, sem esquecer da inclusão digital como prioridade, apontando que o acesso à internet é essencial para qualificação profissional, empreendedorismo e acesso ao mercado de trabalho.

A ampliação de investimentos em infraestrutura e logística, com integração entre rodovias, hidrovias e transporte aéreo regional, reduziria o isolamento e estimularia a economia no interior. A ausência do Estado nessas regiões favorece a expansão de atividades ilegais e limita o desenvolvimento.

No âmbito das políticas públicas, ações que incentivem a formalização, ampliem o acesso ao crédito e fortaleçam a qualificação profissional, especialmente para jovens e populações vulneráveis – É o desafio do Amazonas.

A necessidade de políticas mais estruturantes, capazes de transformar crescimento econômico em desenvolvimento social e ampliar as oportunidades para além da capital. Na prática, o trabalho segue sendo elemento central na organização da sociedade. É por meio dele que famílias garantem sustento, indivíduos constroem trajetórias pessoais e o país movimenta sua economia. Negar ao trabalhador sua justa remuneração ou submetê-lo a condições inadequadas não é apenas uma infração legal, mas uma ruptura com princípios básicos de justiça.

Ao final, a mensagem que atravessa gerações permanece atual: o trabalho digno não pode ser tratado como privilégio. É um direito consolidado por história, lei e princípio moral. O trabalhador é digno do seu salário. E dignidade, definitivamente, não é favor — é direito.

Dan Câmara é Deputado Estadual, Presidente da Comissão de Segurança Pública, Justiça e Defesa Social na ALEAM, Presidente da Comissão de Justiça e Segurança Pública da UNALE, Cofundador da Força Nacional de Segurança, especialista em Planejamento Estratégico, Presidente de honra do Clube Militar dos Veteranos.

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