A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (6) a libertação imediata do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek. Ambos integravam uma flotilha com destino à Faixa de Gaza e seguem detidos em Israel.

Na terça-feira (5), um tribunal israelense decidiu estender a prisão preventiva até domingo (10). Logo depois, o grupo israelense de direitos humanos Adalah, responsável pela defesa dos ativistas, apresentou recurso, mas a Justiça rejeitou o pedido nesta quarta.

ONU defende missão humanitária

Em comunicado, o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, destacou que a ação não configura crime.

“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente”, afirmou.

Além disso, a ONU solicitou investigação sobre as denúncias de maus-tratos apresentadas pela defesa dos ativistas.

Defesa denuncia maus-tratos durante detenção

Segundo a organização Adalah, os dois ativistas enfrentaram condições consideradas irregulares durante a prisão. A ONG afirma que ambos foram submetidos a “interrogatórios de até oito horas”, mantidos em celas com iluminação permanente e obrigados a circular vendados, inclusive durante atendimentos médicos. Israel, por sua vez, nega todas as acusações.

Diante das denúncias, a ONU reforçou o pedido para que os fatos sejam apurados.

Morte na família de Thiago Ávila

Na noite de terça-feira, a mãe de Thiago Ávila, Teresa Regina de Ávila e Silva, morreu aos 63 anos, em Brasília. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório ou sepultamento.

Prisão foi prorrogada por decisão judicial

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek compareceram à corte de Ashkelon, a cerca de 60 km de Tel Aviv, na terça-feira (5). De acordo com a advogada Hadeel Abu Salih, da organização Adalah, a prisão foi prorrogada após a polícia solicitar mais tempo para interrogatórios.

Lula critica decisão de Israel

Diante da situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão do tribunal e pediu a libertação dos brasileiros em publicação nas redes sociais.

“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu.

Acusações de terrorismo e flotilha interceptada

Documentos judiciais indicam que Israel acusa os ativistas de crimes como ligação com organização terrorista e apoio ao terrorismo em contexto de guerra. Os dois negam as acusações, que podem resultar em penas de até 20 anos de prisão.

A flotilha, formada por mais de 50 embarcações, saiu de França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino.

No entanto, forças israelenses interceptaram as embarcações em águas internacionais, próximas à costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira (30).

Libertações e impasse diplomático

Após a ação, 175 ativistas de diferentes nacionalidades foram libertados na Grécia. Entretanto, Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram levados para Israel, onde permanecem detidos.

Antes da decisão de prorrogação da prisão, o Itamaraty divulgou nota conjunta com o governo espanhol, na qual classificou o episódio como “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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