Mayara da Cruz Figueiredo Pinheiro Moreira Reis, a Dra. Mayara, é mãe, casada e médica com especialização em dermatologia pela Fundação Alfredo da Matta (Fuam).

Em 2016, foi eleita vice-prefeita do município de Coari, com a maior votação da história (21.360 votos). A atuação de destaque levou a médica a disputar uma vaga como deputada estadual. Nas Eleições de 2018 foi eleita com 50.819 votos, sendo a votação mais expressiva do pleito.

Filiou-se ao Republicanos em março de 2022 e foi reeleita para mais um mandato com 29.970 votos. Confira a entrevista:

EM TEMPO – A senhora tem defendido a descentralização da saúde no Amazonas. Quais medidas considera mais urgentes para melhorar o atendimento nos municípios?

MAYARA PINHEIRO – Em um estado, vasto e com dificuldades logísticas muito próprias, como o Amazonas, a descentralização da saúde não me parece uma opção, mas, de fato, uma necessidade. Propus e conseguimos, no início do meu mandato, a redistribuição do FTI para serviços de saúde do interior do Estado. Logo em seguida, tivemos a pandemia de Covid-19, e estes recursos foram fundamentais para que as prefeituras mantivessem e fortalecessem seus sistemas locais de assistência. Entendo que a atração e manutenção de profissionais de saúde no interior é fundamental para garantir qualidade e continuidade dos serviços prestados à nossa população. Avançar na telemedicina é outro projeto que necessita de especial atenção, e com isso, da infraestrutura adequada para que estes serviços cheguem aos rincões mais isolados do estado.

ET – Como a sua formação profissional influencia na sua atuação parlamentar?

MP – Sem dúvidas minha carreira na saúde imprime um olhar sensível para a saúde pública, assistencialismo e pessoas vulneráveis. Minha origem interiorana também representa um aspecto importante da minha atuação política, me forçando a olhar para as demandas sociais de uma forma ampla e geral. Sempre digo que a carreira médica e a política são muito semelhantes. Enquanto como profissional de saúde, temos a oportunidade de cuidar de pessoas de forma individualizada, na vida pública, posso mudar a vida de pessoas de modo mais amplo e abrangente.

ET – Como é possível garantir atendimento de média e alta complexidade à população do interior?

MP – O sistema de polos em municípios estratégicos no interior é muito importante e considero um avanço na forma de gerir a saúde pública. Todavia, muito ainda precisa ser feito. Temos muita dificuldade em enviar e fixar profissionais no interior. A meu ver, este é necessariamente o primeiro passo para que consigamos avançar na média e alta complexidade para os polos e subpolos de saúde do Estado do Amazonas. A criação de laboratórios no interior é igualmente necessário para conseguirmos incrementar nosso sistema de diagnóstico e tratamento precoce, em especial de doenças relacionadas à saúde da mulher. Por último, precisamos investir em infraestrutura hospitalar, máquinas adequadas e modernas, ampliar o número de leitos. Tudo isso exige um esforço político muito grande para a indicação de prioridades, avaliação de dados históricos e para o acesso a recursos junto ao Governo Federal.

ET – De que forma o poder público pode incentivar hábitos de vida mais saudáveis e ações de bem-estar nas comunidades?

MP – É importante que o poder público promova, por meio de incentivos à hábitos de vida mais saudáveis, ações de bem-estar nas comunidades por meio de políticas públicas integradas que promovam o acesso à informação, a ambientes propícios à prática de atividades físicas e a uma alimentação nutritiva. Isso inclui a criação e manutenção de espaços públicos seguros para lazer e esporte, a implementação de programas educativos sobre saúde e nutrição nas escolas e centros comunitários, o incentivo à agricultura familiar e a promoção de campanhas de conscientização sobre saúde mental.

ET – O Amazonas tem desafios como enchentes, estiagem e isolamento de comunidades. Quais medidas a senhora considera prioritárias para enfrentar esses problemas?

MP – É necessário que se preveja uma rede logística para evitar que as localidades mais isoladas sofram com desabastecimento. Em 2024, propus o Projeto de Lei 748 com medidas como monitoramento, mapeamento, realização de planos de contingência, garantia de direitos, pesquisas, apoio a comunidades afetadas com foco em recuperação e adaptação, dentre outros. O projeto Água Boa foi muito importante, com a perfuração de poços artesianos, para mitigar os efeitos do desabastecimento hídrico, mas é necessário que seja ampliado e pensar em itens como alimentação e medicamentos para que não faltem.

ET – Conhecendo a realidade logística do interior do Amazonas, quais medidas podem ser adotadas por parte do parlamento com vistas à redução dos custos das passagens aéreas, garantindo, paralelamente, o fortalecimento da malha aérea regional?

MP – Existem questões políticas, econômicas e macro econômicas que precisam ser avaliadas. A guerra do oriente médio tem impactado intensamente os custos da aviação civil em todo o mundo. Em 2023 o Estado do Amazonas em lei aprovada pelo parlamento estadual reduziu os tributos sobre o querosene aviação e, infelizmente, vemos hoje, 3 anos depois que a medida não surtiu o efeito esperado para o fortalecimento da malha aérea regional. Mais recentemente, o Governo Federal adotou medida semelhante para tentar reduzir os efeitos da alta global de combustíveis, mas também não tem demonstrado efeitos relevantes quando se olha para o interior do Estado. Neste sentido, a curto prazo, é necessário que estejamos atentos a preços abusivos e à afronta a direitos de consumidores, mas este é um assunto que precisa de um debate amplo, honesto e claro para que se busque soluções para o fim do isolamento do interior do Estado.

ET – . Quais são seus planos políticos a partir de agora?

MP – A vida pública exige muito. São muitas viagens, reuniões, conversas, visitas e, muitas vezes, negligenciamos o tempo com nossos entes queridos. Estou ansiosa para tirar um tempo com minha família, dar atenção para minhas filhas que estão crescendo. Quero reabastecer minhas energias e retornar, no momento certo, diante do desafio certo, para contribuir ainda mais e de forma mais efetiva com o desenvolvimento do nosso estado, sempre focada no povo do interior, no desenvolvimento do sistema de saúde pública e na representação dos mais vulneráveis.

ET – Qual sua mensagem para a população?

MP – Ao povo do Amazonas deixo meu muito obrigado. Esta é minha mais genuína sensação. Permanecerei envolvida em questões públicas e retornarei no momento oportuno. Me mantenho à disposição do nosso povo para ouvir, contribuir e buscar soluções para demandas que visem à melhoria de vida da população amazonense. A parlamentar deixará sua cadeira em 2027, mas a amiga, a profissional médica e agente pública, permanece. Minha vocação é servir e isso farei até meu último suspiro.

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