Brasil – O aumento da obesidade infantil no Brasil acende um alerta para profissionais de saúde. Dados do Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes indicam que cerca de um terço das crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos vive com excesso de peso. Em 2015, o índice era de 29,6%, o que mostra uma tendência de crescimento nos últimos anos.
O cenário reforça a importância do Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho, e a necessidade de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida.
Crescimento da obesidade infantil preocupa especialistas
O tema também é abordado no Atlas Mundial da Obesidade 2026, da Federação Mundial de Obesidade. O levantamento aponta aumento dos índices de sobrepeso e obesidade em mais de 180 países entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos desde 2010.
A projeção é de que pelo menos 120 milhões de jovens possam apresentar sinais precoces de doenças crônicas até 2040.
Diagnóstico começa nas consultas de rotina
A endocrinologista e consultora médica, Isabella Oliveira, explica que a identificação do risco começa ainda nas consultas de rotina, com base no índice de massa corporal (IMC).
Em crianças e adolescentes, o cálculo leva em conta gráficos específicos por idade e sexo, o que permite avaliar o crescimento de forma mais precisa.
Segundo a especialista, esse acompanhamento ajuda a identificar precocemente alterações no desenvolvimento e possíveis riscos à saúde.
Exames laboratoriais ajudam na detecção precoce
De acordo com a médica, exames laboratoriais podem ser solicitados mesmo antes da obesidade se instalar. O objetivo é identificar alterações metabólicas precoces e evitar a progressão da doença.
Entre os exames mais utilizados estão o perfil lipídico, a glicemia de jejum e as transaminases hepáticas, que avaliam colesterol, açúcar no sangue e funcionamento do fígado.
A especialista também destaca sinais clínicos que exigem atenção, como resistência à insulina, aumento da circunferência abdominal e alterações na pele, como a acantose nigricans.
Obesidade infantil é condição multifatorial
A obesidade infantil é considerada uma doença crônica e multifatorial. Em muitos casos, fatores ambientais têm grande influência, como alimentação rica em ultraprocessados, excesso de açúcar, sedentarismo e tempo prolongado em frente às telas.
Esses hábitos podem ativar predisposições genéticas e favorecer o ganho de peso ainda na infância.
Em alguns casos, condições endocrinológicas também podem estar associadas ao quadro, como hipotireoidismo, síndrome de Cushing e síndromes genéticas.
Impactos vão além da saúde física
As consequências da obesidade infantil não se limitam ao corpo. A condição pode afetar também o bem-estar emocional e social das crianças.
Entre os impactos mais comuns estão baixa autoestima, insegurança, dificuldades de socialização e maior exposição ao bullying.
Além disso, a obesidade na infância aumenta o risco de doenças crônicas na vida adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Tratamento deve ser multidisciplinar
O tratamento da obesidade infantil deve envolver diferentes profissionais, como endocrinologista, pediatra, nutricionista, psicólogo e educador físico.
O envolvimento da família é considerado essencial para a mudança de hábitos e para a continuidade do tratamento.
Em alguns casos, pode haver indicação de medicamentos a partir dos 10 ou 12 anos, sempre como suporte ao tratamento principal, que é baseado em mudanças no estilo de vida.
Especialistas reforçam que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para evitar complicações futuras e garantir mais qualidade de vida às crianças e adolescentes.
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