Santos (SP) – Preso por suspeita de transferir R$ 7 mil da conta de um homem morto para a própria conta bancária, um funcionário do Instituto Médico Legal (IML) de Santos teria continuado trabalhando normalmente na unidade mesmo após a denúncia do caso. O fato foi relatado pela viúva da vítima em entrevista à TV Tribuna.

Segundo a mulher, ela retornou ao IML dias depois para buscar um documento necessário ao processo de inventário do marido e acabou sendo atendida pelo mesmo servidor investigado pelo crime. O funcionário, identificado como Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, teria se apresentado com um nome falso durante o atendimento.

“Ele foi tão frio que nos atendeu normalmente, sem demonstrar qualquer reação”, afirmou a viúva.

A mulher contou que desconfiou da identidade do atendente por causa das informações que já havia obtido durante a investigação. Ao questioná-lo sobre seu nome, ele teria se identificado como “Fábio”. Posteriormente, ela confirmou que se tratava do servidor suspeito e comunicou o fato à Corregedoria da Polícia Civil.

Transferência ocorreu após a morte da vítima

O caso veio à tona quando a esposa do motociclista tentou encerrar a conta bancária do marido, morto em um acidente de trânsito ocorrido em 15 de maio, em Santos. Ao verificar os extratos, ela identificou uma transferência via Pix de R$ 7 mil realizada horas depois da morte do homem.

Após pesquisar o destinatário da transferência, a mulher descobriu que o dinheiro havia sido enviado para a conta de Daniel, funcionário do IML responsável pelo atendimento na unidade.

De acordo com o comprovante obtido pela TV Tribuna, a transação ocorreu às 6h49, quando a vítima já estava morta.

Celular foi devolvido danificado

A viúva também levantou suspeitas sobre o estado em que o aparelho celular do marido foi devolvido à família. Segundo ela, o telefone foi entregue aparentemente quebrado e sem registros de mensagens e arquivos no WhatsApp.

A mulher acredita que o aparelho tenha sido utilizado para realizar a transferência bancária e posteriormente restaurado para apagar possíveis evidências.

“O telefone estava funcionando normalmente. Alguém o danificou depois”, declarou.

Funcionário foi preso preventivamente

Na última segunda-feira (8), a Corregedoria da Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão preventiva contra Daniel Nathan Ribeiro Andrade.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as investigações apuram possíveis crimes de peculato, furto, fraude eletrônica e destruição de vestígios probatórios.

A Superintendência da Polícia Técnico-Científica informou que acompanha o caso e que medidas administrativas e disciplinares serão adotadas caso as irregularidades sejam confirmadas.

O caso segue sob investigação.

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