A recente entrega de uma carta de cientistas ao Vaticano, alertando o Papa Leão XIV sobre os supostos riscos da pavimentação da BR-319 e da mineração de potássio em Autazes, expõe o ápice de um “ambientalismo” colonizador.

Sob o pretexto de evitar uma fantasiosa “caixa de Pandora epidemiológica”, o documento ignora a verdadeira tragédia humanitária que assola o Estado do Amazonas: a miséria, o isolamento crônico e o avanço avassalador do crime organizado, alimentados pela ausência do Estado.

O direito ao desenvolvimento da Amazônia não pode ser soterrado por preconceitos travestidos de ciência. Classificar projetos vitais de infraestrutura e economia como ameaças globais é uma tática alarmista que serve a interesses geopolíticos muito claros, endossados por ONGs internacionais.

Em verdade, o objetivo dissimulado é manter intocáveis as fabulosas riquezas naturais da região, como potássio, terras raras e água doce, para que permaneçam como uma reserva estratégica a ser explorada futuramente pelas superpotências, cujas indústrias de alta tecnologia são cada vez mais dependentes dessas matérias-primas.

A BR-319 não é uma mera estrada. É o único cordão umbilical terrestre que liga o Amazonas ao restante do Brasil. Manter o “trecho do meio” intransitável, sob a justificativa de preservação intransigente, é condenar mais de 4 milhões de brasileiros ao isolamento.

Pacientes morrem sem oxigênio ou assistência médica adequada porque insumos básicos não conseguem trafegar, assim como alimentos e produtos encarecem absurdamente, asfixiando a economia local.

O verdadeiro vácuo estatal na rodovia é o que atrai e fomenta o crime organizado e os ramais ilegais. A pavimentação, acompanhada de postos de fiscalização permanentes, é a única forma de garantir a soberania nacional e a real proteção ambiental.

Da mesma forma, o projeto de exploração de potássio em Autazes é uma necessidade de segurança nacional e econômica. O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do planeta, importa mais de 85% do potássio que utiliza em seus fertilizantes.

A jazida de Autazes pode libertar o país dessa dependência externa, gerando milhares de empregos diretos e indiretos no Amazonas, transformando a realidade de uma população historicamente vulnerável e sem perspectivas de renda.

Ao recorrerem à encíclica Laudato si’ para embasar o atraso, os signatários distorcem o conceito de “ecologia integral”. Não existe preservação ambiental legítima que jogue o ser humano à indigência.

A floresta de fato não é um espaço vazio. Nela vivem pessoas que passam fome, que não têm saneamento básico e que são privadas das dignidades mais elementares da vida moderna.

O povo do Amazonas tem o direito soberano de usufruir de suas riquezas de forma sustentável e tecnológica. Rejeitar a BR-319 e o potássio de Autazes em nome de um purismo ecológico hipócrita é, em última análise, um crime contra a dignidade humana.

A Santa Sé precisa ouvir os clamores dos povos que habitam a realidade da Amazônia real, e não o coro daqueles que preferem ver a região como um museu de miséria a serviço de interesses estrangeiros.

Juscelino Taketomi
Juscelino Taketomi é jornalista, colaborador do EM TEMPO e assessor especial na Assembleia Legislativa do Amazonas

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