Agência da ONU afirma que o fenômeno deve ganhar força até setembro, elevando o risco de secas, chuvas intensas e recordes de temperatura em diversas regiões.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), informou nesta sexta-feira (3) que o fenômeno El Niño deve se intensificar rapidamente nos próximos meses e atingir forte intensidade até setembro. A previsão reforça o alerta para o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta.

El Niño deve ganhar força nos próximos meses

Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, as condições típicas do fenômeno já estão presentes no Oceano Pacífico tropical.

“Já se observam condições características de um episódio de El Niño e a previsão é de uma intensificação rápida até se tornar um episódio forte”, afirmou a secretária-geral da OMM (Organização Meteorológica Mundial), Celeste Saulo.

Ela destacou que o fortalecimento do fenômeno aumentará a frequência de eventos climáticos severos em diversas regiões.

“Isso aumentará a probabilidade de secas e chuvas intensas, assim como o risco de ondas de calor terrestres e marinhas em muitas regiões do mundo”, acrescentou ela.

Temperaturas globais podem atingir novos recordes

Além dos impactos sobre o regime de chuvas, a OMM projeta que o El Niño contribuirá para elevar ainda mais as temperaturas médias do planeta.

“O El Niño também dará um impulso extra às temperaturas globais. Sabemos que, durante os anos de El Niño, as temperaturas globais normalmente atingem níveis recordes”, disse Álvaro Silva, cientista da OMM.

De acordo com o especialista, os efeitos do fenômeno deverão ser sentidos em diferentes regiões até o fim deste ano e poderão se estender até 2027.

Entenda como o El Niño se forma

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, especialmente na porção central e leste, próximo à América do Sul. Ao mesmo tempo, ocorre o enfraquecimento dos ventos alísios, favorecendo o deslocamento de águas mais quentes para áreas centrais do oceano e alterando a circulação atmosférica.

Normalmente, o fenômeno tem duração entre nove e doze meses. Em geral, começa no fim do inverno do Hemisfério Sul, atinge o pico entre novembro e janeiro e perde intensidade nos primeiros meses do ano seguinte.

Fenômeno evolui para nível forte

O boletim mais recente da OMM aponta que o Pacífico tropical já apresenta condições compatíveis com o El Niño. Conforme as projeções, entre julho e setembro o fenômeno deverá alcançar o nível três em uma escala de intensidade que vai até quatro.

A atualização complementa o comunicado divulgado pela organização em 2 de junho, quando a agência já alertava para a iminência do fenômeno.

Poucos dias depois, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), dos Estados Unidos, confirmou oficialmente que o El Niño havia se estabelecido. Na ocasião, o órgão estimou em 63% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro, podendo figurar entre os episódios mais intensos desde o início dos registros, em 1950.

Oceanos mais quentes elevam confiança das previsões

Segundo a OMM, os principais centros meteorológicos do mundo identificam um aumento contínuo das temperaturas das águas no centro e leste do Pacífico equatorial.

“Esperamos que as anomalias médias sazonais da temperatura da superfície do mar ultrapassem 2°C em regiões cruciais de monitoramento”, afirmou a agência.

A organização ressalta que os diferentes modelos climáticos apresentam resultados semelhantes, o que aumenta o nível de confiança nas projeções. Além disso, a expectativa é de que o El Niño continue se fortalecendo entre setembro e novembro.

Mundo deve enfrentar mudanças no regime de chuvas

O boletim também indica uma probabilidade extremamente elevada de temperaturas acima da média na maior parte das regiões continentais e em quase todas as áreas habitadas fora das regiões polares.

Além disso, a OMM prevê chuvas acima da média no centro e leste do Pacífico equatorial. Em contrapartida, algumas áreas do oceano Índico tropical, do subcontinente indiano e grande parte da Austrália devem registrar precipitações abaixo do normal.

O Caribe, o noroeste da América do Sul e parte da América Central também podem enfrentar redução das chuvas, enquanto o sudoeste dos Estados Unidos tende a apresentar condições mais úmidas do que o habitual.

Já na Europa, a previsão indica um contraste entre as regiões. Enquanto o sul do continente poderá registrar mais precipitações, o norte deve enfrentar um período mais seco. No entanto, a OMM ressalta que as projeções para a Europa ainda apresentam menor grau de confiabilidade em comparação com outras regiões do planeta.

(*) Com informações Folha de S.Paulo

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