A três meses das eleições gerais de 2026, a disputa entre os presidenciáveis também se intensifica nas redes sociais. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a maior base de seguidores, o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera em capacidade de mobilização do público nas plataformas digitais.
Os dados são de um relatório da consultoria Bites, elaborado a pedido da CNN.
Lula mantém a maior base de seguidores
Lula encerrou o mês de junho com 38,9 milhões de seguidores, preservando a maior audiência digital entre os presidenciáveis monitorados.
Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 21 milhões de seguidores. No entanto, foi quem mais ampliou sua base em números absolutos no primeiro semestre de 2026: cerca de 5,6 milhões de novos seguidores, um crescimento de 36%. Já Lula conquistou mais 1,8 milhão de seguidores no período, alta de 5%.
O levantamento considera a soma de seguidores nas principais plataformas: Instagram, TikTok, Facebook, X e YouTube.
Crescimento da base digital no primeiro semestre
Confira a evolução dos principais pré-candidatos:
- Lula: 38,9 milhões de seguidores (ganho de 1,8 milhão; alta de 5%);
- Flávio Bolsonaro: 21 milhões (ganho de 5,6 milhões; alta de 36%);
- Romeu Zema: 6,2 milhões (ganho de 2,4 milhões; alta de 63,3%);
- Ronaldo Caiado: 4,7 milhões (ganho de 795 mil; alta de 20,1%);
- Renan Santos: 2,8 milhões (ganho de 2,3 milhões; alta de 430,7%).
Os números refletem momentos distintos das principais forças políticas do país. Aos 80 anos, Lula lidera as pesquisas de intenção de voto e busca um terceiro mandato no Palácio do Planalto.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta consolidar seu nome como sucessor político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível e preso. O senador também trabalha para reduzir divergências internas e fortalecer sua candidatura.
Flávio lidera em engajamento nas redes
Embora Lula tenha mais seguidores, Flávio Bolsonaro lidera quando o critério é a capacidade de gerar repercussão nas redes sociais.
Segundo a Bites, o indicador de tração — que mede o potencial de mobilização e engajamento das publicações — colocou Flávio na liderança em 21 das 26 semanas analisadas entre janeiro e junho.
Nesse período, ele foi superado apenas cinco vezes: três por Romeu Zema (Novo) e duas por Lula.
O presidente liderou o indicador no início de janeiro, durante a repercussão do veto ao chamado PL da Dosimetria, e voltou ao primeiro lugar entre o fim de maio e o início de junho, após publicar um vídeo em defesa da soberania brasileira.
Já Romeu Zema registrou seus maiores picos de tração em março e no fim de abril. Nos dois períodos, intensificou críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da série de publicações “Os Intocáveis”.
Outros pré-candidatos também ampliam presença digital
Além de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, outros pré-candidatos buscam ampliar espaço nas redes sociais antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Caso necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Renan Santos (Missão) apresentou o maior crescimento proporcional da base de seguidores. O número saltou de cerca de 537 mil para 2,8 milhões, alta de 430,7%. Apesar do avanço, ele ainda possui menos seguidores do que os principais concorrentes.
Romeu Zema ampliou sua base em 63,3%, equivalente a aproximadamente 2,4 milhões de novos seguidores. Já Ronaldo Caiado (PSD) ganhou cerca de 795 mil seguidores no semestre, crescimento de 20,1%.
Principais indicadores do levantamento
- Maior base de seguidores: Lula (38,9 milhões);
- Maior crescimento absoluto: Flávio Bolsonaro (+5,6 milhões);
- Maior crescimento proporcional: Renan Santos (+430,7%);
- Segundo maior crescimento absoluto: Romeu Zema (+2,4 milhões);
- Segundo maior crescimento proporcional: Romeu Zema (+63,3%).
Entre os demais presidenciáveis, Aldo Rebelo (DC) soma 347 mil seguidores e registrou crescimento de 31,2%. Já Augusto Cury, com 14,4 milhões de seguidores, e Cabo Daciolo, com 2 milhões, passaram a ser monitorados pela Bites apenas após o lançamento das respectivas pré-candidaturas.
Especialistas recomendam cautela na interpretação dos dados
Especialistas alertam que o número de seguidores não representa, por si só, intenção de voto nem permite prever o resultado das eleições.
As bases digitais refletem fatores como tempo de atuação nas plataformas, estratégias de comunicação, impulsionamento de conteúdo e até a presença de contas inativas ou robôs.
Para o advogado especialista em direito eleitoral Newton Lins, os indicadores devem ser analisados com cautela.
“Seguidores e engajamento mostram a capacidade de comunicação e mobilização dos candidatos, mas são apenas um dos indicadores da disputa eleitoral”, afirma.
Na avaliação do especialista, o levantamento ajuda a compreender como os principais presidenciáveis constroem presença e alcance nas plataformas digitais.
Redes sociais seguem como peça estratégica na campanha
O peso das redes sociais na política brasileira não é novidade. Em 2018, com pouco tempo de propaganda eleitoral na televisão, Jair Bolsonaro transformou as plataformas digitais em sua principal ferramenta de campanha e alcançou projeção nacional.
Embora o cenário de 2026 seja diferente, a disputa pelo engajamento digital continua desempenhando papel importante na construção das candidaturas, na formação dos palanques e na tentativa de influenciar o eleitorado nos meses que antecedem a eleição.
(*) Com informações da CNN Brasil
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