Lula (PT) chamou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “traidor da pátria” e criticou, nesta quinta-feira, o documento enviado por ele ao governo dos Estados Unidos. O senador e pré-candidato à Presidência apresentou propostas que incluem a “libertação” do Mercosul e o pedido de adiamento do chamado tarifaço para depois das eleições brasileiras.
Além disso, o caso ganhou repercussão por ocorrer no contexto da investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301.
Documento enviado aos Estados Unidos gera reação
Flávio Bolsonaro encaminhou um dossiê ao USTR dentro da investigação em curso. No texto, ele sugeriu que a suspensão das sobretaxas ao Brasil ocorra, ao menos, até a realização das eleições presidenciais.
Ao mesmo tempo, o documento afirma que a confirmação do tarifaço de 25% poderia representar uma “vitória política” para o governo Lula.
Lula reage e acusa “entreguismo”
Em resposta, o presidente Lula utilizou suas redes sociais para criticar a iniciativa. Segundo ele, o conteúdo do documento demonstra submissão aos interesses estrangeiros.
“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, escreve o perfil de Lula no X (antigo Twitter).
Além disso, Lula reforçou que o Brasil mantém uma postura de negociação internacional baseada na igualdade entre os países.
“Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo. Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, diz Lula.
Debate inclui Mercosul e Pix
No documento enviado ao governo dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro também defendeu a flexibilização das regras do Mercosul. Além disso, ele propôs maior abertura para acordos comerciais bilaterais.
Enquanto isso, o senador também mencionou o sistema de pagamentos Pix. Ele afirmou que o sistema brasileiro estaria no centro de debates internacionais sobre concorrência e comércio digital.
Em outro ponto, Flávio sugeriu que o adiamento das tarifas evitaria impactos políticos imediatos no cenário eleitoral brasileiro.
Lula amplia críticas nas redes sociais
Após a repercussão, Lula voltou a comentar o tema e ampliou as críticas. Ele afirmou que o Brasil não deve abrir mão de ferramentas estratégicas como o Pix.
“Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, finaliza a postagem de Lula.
(*) Com informações da Folha Press
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