O Dia do Corretor de Imóveis, celebrado nesta quinta-feira (27), chega em um momento de expansão para a categoria. O mercado imobiliário brasileiro ultrapassou a marca de 700 mil corretores registrados em 2026, segundo dados do Sistema COFECI-CRECI. O número representa um crescimento de pelo menos 7,7% em relação aos cerca de 650 mil profissionais registrados em 2025.
O avanço ocorre em meio a uma transformação no perfil da profissão. Se o registro continua sendo requisito fundamental para atuar na corretagem, o mercado passou a exigir dos profissionais um conjunto mais amplo de competências, da tecnologia à consultoria patrimonial.
Em Manaus, os sócios Núbia e Álvaro Neves, à frente da A. Neves Imóveis, acompanham de perto essa mudança e avaliam que a data é uma oportunidade para reforçar o papel do corretor além da simples intermediação de vendas.
Para os sócios, a corretagem carrega um peso que vai além da transação comercial. “Ser corretor é muito mais do que vender imóveis. É participar de decisões importantes na vida das pessoas”, afirma Núbia. Segundo ela, uma compra envolve patrimônio, família, investimento, segurança e, muitas vezes, um projeto de vida. “Por isso, o corretor precisa ser cada vez mais preparado, técnico, ético e consultivo”, completa a corretora.
Cinco anos de avanços e o que ainda falta
Ao avaliar a evolução da profissão em Manaus na última meia década, Álvaro destaca ganhos concretos em profissionalização, tecnologia, CRM, marketing digital, acesso à informação e especialização por nichos. “A tecnologia facilitou o acesso ao imóvel, mas justamente por isso aumentou o valor do bom profissional”, diz. Segundo ele, a informação o cliente já consegue encontrar sozinho; o que precisa é de interpretação, estratégia e segurança.
Apesar dos avanços, os sócios apontam que a categoria ainda tem desafios pela frente, especialmente em educação continuada, ética e valorização da atividade. “O corretor não deve ser visto apenas como alguém que abre uma porta para mostrar um imóvel”, ressalta Núbia. “Ele participa de uma operação patrimonial importante. Quanto mais preparado estiver, maior será a confiança do mercado na profissão”, completa a corretora.
Conselho para quem está começando
Para quem inicia agora na corretagem, a recomendação de Núbia e Álvaro é direta: paciência e preparo antes de pressa. “Não tenha pressa para parecer experiente. Tenha compromisso em se tornar preparado”, afirma Álvaro. Os sócios indicam que o caminho passa pelo estudo de documentação, negociação, mercado e comportamento do consumidor, além de evitar vender “qualquer imóvel para qualquer pessoa” antes de compreender de fato o cliente.
Segundo semestre: mercado aquecido, mas seletivo
Questionados sobre as expectativas para o restante de 2026, os sócios evitam o termo “boom”. “Preferimos falar em um mercado aquecido, mas seletivo”, explica Núbia. Segundo eles, existe demanda, movimentação financeira e interesse por imóveis de qualidade, mas o cenário econômico exige mais estratégia dos profissionais. “Vemos oportunidades, mas não consideramos responsável prometer que todo o mercado vai crescer da mesma forma”, finaliza Álvaro.
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