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Rússia x Ucrânia

Por que a Rússia está atacando a Ucrânia? Entenda o conflito

O ataque à Ucrânia, por parte da Rússia, é motivado pelo poder. Até o momento, pelo menos 67 pessoas, entre civis e militares, morreram após o início do conflito

Foto: Aris Messinis/AFP

A Rússia cumpriu a promessa de invasão à Ucrânia e iniciou um ataque à capital ucraniana, Kiev, na madrugada desta quinta-feira (24). Ao menos 67 pessoas, entre civis e militares, morreram após o inicio do conflito e avanço das tropas russas no país. 

O presidente russo Vladimir Putin anunciou que a ação militar seria leste da Ucrânia. No entanto, rapidamente ficou claro que suas tropas estavam atacando todo o território ucraniano, principalmente a capital. Ao anunciar o ataque, o presidente russo fez ameaças e disse que quem tentar interferir sofrerá consequências nunca vistas.

Em vídeos que circulam na internet, as imagens que vêm da Ucrânia chocam. Kiev teve diversos pontos atacados, deixando em desespero cidadãos residente no país, os quais ‘engarrafaram’ a saída da cidade para tentar deixar o país. 

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, disse em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança que a operação militar de Moscou contra a Ucrânia tem como alvo “a junta no poder” em Kiev. Ele garante que o ataque não é contra o povo ucraniano. 

Como forma de repúdio à atitude da Rússia, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aplicou sanções – penalidade imposta por um país para abalar a economia do outro – contra a Rússia. As sanções econômicas de Biden atingem duas instituições financeiras russas – os bancos VEB e PSB, incluindo 42 subsidiárias – e impedem a negociação de novos papéis da dívida pública russa no mercado.

“Isso significa que cortamos o governo da Rússia das finanças ocidentais. A Rússia não pode mais levantar dinheiro do Ocidente e não pode negociar sua nova dívida nos mercados americano e europeus”,

disse Biden.

Mas o que a Ucrânia possui para a Rússia ordenar um ataque ao país? 

Ataque iniciou no início da madrugada, na Ucrânia. Foto: Reprodução

Os que viriam a ser os primeiros capítulos do atual conflito começaram há cerca de 31 anos, em 1991. Naquele ano, a Ucrânia se tornou um país independente após a dissolução da União Soviética. Para se proteger e construir novas alianças, a Ucrânia procurou ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Essa aliança é formada, atualmente, por 30 países que se ajudam política e militarmente.

Após a Organização afirmar que pretendia adicionar a Ucrânia à aliança, a possibilidade irritou Vladmir Putin. Para ele, a atitude representa uma “ameaça existencial à Rússia”.

A partir disso, o presidente passou a considerar a Ucrânia como parte da Rússia, e interviu militarmente para evitar a aliança da Ucrânia com a Otan. Putin avalia como um “ato hostil” a possibilidade de a Ucrânia se juntar à aliança militar ocidental.

Além da OTAN, a península da Crimeia, da Ucrânia, também é uma das motivações. Isso porque a Crimeia foi um “presente” do líder russo Nikita Khrushchev, em 1954, para a Ucrânia. O movimento teria sido feito para fortalecer a aliança entre os povos ucraniano e russo. 

A “amizade” ficou abalada quando Moscou quis a penísula de volta e ocupou a Crimeia, em 2014. Após protestos, o presidente ucraniano aliado dos russos, Viktor Yanukovych, foi derrubado do poder. Em seguida, a Rússia invadiu a região.

Putin teme a entrada da Ucrânia na OTAN. Foto: Reuters

Putin teme que a Rússia fique isolada e que a região da Crimeia, que já está em seu poder, seja reconquistada após uma possível entrada da Ucrânia na OTAN, já que fazem parte da aliança diversos países com grande poder militar – caso dos Estados Unidos, por exemplo. 

Resumidamente, a Rússia quer que a Ucrânia se desmilitarize, desista de entrar na OTAN e aceite a submissão perante seu poder. O presidente Putin também deseja a anexação da região da Crimeia à Rússia. 

O conflito afeta o Brasil?

A guerra entre Ucrânia e Rússia afeta diretamente a economia brasileira. Isso porque pressões inflacionárias e redução das perspectivas de crescimento econômico serão alguns dos efeitos do conflito.

Um dos afetados será o petróleo. A Rússia é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador de petróleo do mundo, e um conflito envolvendo o país prejudica o fornecimento da matéria-prima.

A Rússia é a maior fornecedora de gás natural para a Europa – o país é responsável por cerca de 35% da oferta ao continente. O início de um conflito, bem como a imposição de sanções a Moscou, terá efeitos negativos sobre o setor energético da zona do euro.

Apesar de não depender do fornecimento russo, o Brasil também fica suscetível à redução da oferta de gás natural.

Conflitos atípicos também causam a elevação do dólar. A moeda americana voltou a subir frente ao real, e opera em alta de mais de 2% nesta quinta-feira. 

Início de uma Terceira Guerra Mundial?

Foto: AFP

Por pior que seja a situação na fronteira entre Rússia e Ucrânia neste momento, é quase impossível que o conflito escale para uma Terceira Guerra Mundial. 

Isso só aconteceria se a OTAN confrontasse a Rússia, e não se imagina um confronto militar direto entre a aliança militar e o país russo. 

“É uma guerra mundial quando americanos e russos começarem a atirar uns nos outros”, disse o presidente dos EUA, Joe Biden, no início deste mês, prometendo que não enviaria tropas americanas para a Ucrânia sob nenhuma circunstância.

Edição: Leonardo Sena

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