Marcelo Soares de Almeida, de 31 anos, morreu em confronto com a polícia durante a Operação Ponto Final, ocorrida em Urucará, interior do Amazonas, na terça-feira (25). O suspeito foi investigado por violação de vulnerabilidade de um adolescente, de 13 anos, e estava sendo monitorado por envolvimento em uma organização criminosa de tráfico de drogas.
O delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Bruno Fraga, destacou que o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) vinha investigando a logística do transporte de drogas desde a região de fronteira, especificamente no Alto Rio Solimões, até o estado do Pará.
Durante a investigação, foi descoberto que o suspeito atuava como um entreposto em Urucará, onde os narcotraficantes faziam paradas para organizar o transbordo da droga e reabastecimento, antes de seguirem para o estado vizinho.
“O DRCO conseguiu localizar esse cidadão e, ao compartilhar informações com a 45ª DIP de Urucará, descobrimos que ele já era conhecido por cometer crimes na comunidade, incluindo estupros. Um dos casos comprovados, infelizmente, na gravidez da vítima”, relatou o delegado-geral.
Segundo Fraga, no momento do cumprimento do mandado de prisão, o suspeito estava armado, reagiu contra os policiais e acabou sendo baleado. Ele recebeu socorro, mas não resistiu aos ferimentos e teve óbito.
“Cumprimos nosso papel. Reiteramos que a polícia atua para efetuar prisões, mas, ao reagir contra a equipe, ele colocou em risco a integridade dos policiais e causou as consequências. Nossa equipe é preparada e atua com rigor. Fomos da capital até o interior, a comunidade ficou distante da sede do município, mas, independentemente do local, uma Polícia Civil estará presente para garantir resultados e proteger a população”, afirmou o delegado-geral.
Tráfico de drogas
Conforme o delegado Mário Paulo, diretor da DRCO, a função de Marcelo era descarregar as drogas que vinham da região de fronteira do Alto Solimões, geralmente transportadas em lanchas cegadas, sob escolta armada, e que faziam uma parada na localidade onde ele residia, antes de seguir viagem para o estado do Pará.
“Nesse local, ele recebeu uma parte da droga que permanecia no estado do Amazonas e fornecia suprimentos, como alimentos, água, combustível e serviços de reparo mecânico nas embarcações, para que os traficantes pudessem continuar a viagem. De posse dessas informações, compartilhamos os dados com a DIP de Urucará e destruição que esse mesmo indivíduo teve estupro contra um adolescente”, salientou Mário Paulo.
Caso de Estupro
De acordo com o delegado Mateus Moreira, da 45ª DIP, uma denúncia sobre o estupro foi feita em janeiro deste ano na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) pela mãe da vítima. A mulher suspeitou que a filha estava grávida e a trouxe para Manaus, onde exames confirmaram a gravidez.
Ao ser questionada, a vítima revelou que havia sido abusada pelo próprio tio em setembro de 2024, em uma roça em Urucará, enquanto sua mãe estava em tratamento de saúde em Manaus. Ela nunca houve contado sobre os abusos porque o tio ameaçou, dizendo que, se ela falasse com alguém, ele mataria tanto ela quanto seu irmão mais novo.
“As investigações resultaram a partir da coleta desta denúncia. Ao longo desse processo, em compartilhamento de informações com o DRCO, foi constatado que se tratava de um indivíduo de altíssima periculosidade, violento e que sempre andava armado. Além de ter abusado dessa vítima, ele havia feito pelo menos mais cinco crianças vítimas de crimes sexuais. Com base nisso, nós solicitamos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra ele”, disse o delegado.
Segundo Moreira, ele causou grande temor em toda a comunidade porque andava armado, ameaçando as pessoas. Inclusive, chegou à informação de que algumas pessoas que trabalharam para ele tiveram óbito, provavelmente vítimas de homicídio praticado por ele; fato que será investigado.
O delegado Paulo Mavignier, diretor do DPI, afirmou que essa foi mais uma ação de combate não só ao crime organizado, mas também aos abusos sexuais contra crianças no interior do Amazonas, uma bandeira prioritária da Polícia Civil.
“Foi um resultado muito esmagador para a sociedade, especialmente para a população de Urucará. É importante realizar denúncias por meio do 181, o disque-denúncia da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), para apurar se existem mais vítimas desse infrator”, acrescentou.
Diligências
As equipes policiais dirigiram a casa do investigado, localizada na comunidade Santo Antônio, na região do rio Comprido, em Urucará. Durante a abordagem, Marcelo reagiu utilizando uma pistola e disparou contra os policiais. Em defesa legítima, a equipe revidou e agrediu o suspeito, que foi socorrido e encaminhado para uma unidade hospitalar do município, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
A Polícia Civil continuará as investigações para identificar os demais membros da organização criminosa liderada por Marcelo Soares.
(*) Com informações da assessoria
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